A única fonte de açúcar para consumo humano no decurso de anos, foi o mel. Mesmo produzido por mais de 20 mil insetos diferentes e, até por algumas plantas, o mel docinho, dourado e pastoso que estamos acostumados é produzido por abelhas do gênero Apis, é daí que vem o termo apicultura, um ramo da zootecnia que consiste na arte da criação de abelhas com ferrão.

Hoje, a apicultura é uma atividade agrária amplamente especializada e tecnificada, desde a domesticação das abelhas, os utensílios e as técnicas para obtenção do mel e outros subprodutos como o extrato de própolis, a geleia real, o pólen, a cera de abelhas e até o veneno da abelha já é usado como medicamento para tendinite, bursite e inflamações comuns.

Mel de Jataí, a abelha guerreira; “O pessoal fala muito da Jataí, pra comer o mel. Não é isso, porque o mel é alimento dela, se tirar tudo acaba matando ela de fome. Tem que ter um equilíbrio, tem que tratar e cuidar como um bichinho de estimação. Quem quer ter é porque gosta de abelha”, ensina Adriano

Normalmente quem lida com abelha, é apaixonado pelo animal, faz de sua tarefa um ganha-pão, um hobbie e até um vício como nos conta o apicultor Adriano Faria, da cidade de Socorro (SP), envolvido na atividade desde criança. Ele nos recebeu em sua casa, onde fica o berçário de seu apiário e, para nossa surpresa, ele tem uma coleção de abelhas silvestre sem ferrão. Estão espalhadas por todo o local, em pequenas caixas, abelhas como a Mandaçaia, Mirim Droryana, Iraí, Jataí, Mombucão, Uruçu, Mirim-preguiça, Abelhas-boca-de-sapo, Manduri, Mandaguari, Tubuna, Sanharão e por aí vai. Mostrando-se também um meliponicultor, ou seja, um criador racional de abelhas sem ferrão. “Há mais ou menos vinte e oito anos eu descobri que existia abelhas sem ferrão. Comecei a procurar que nem louco abelha Mandaçaia, não existia mais na nossa região. Fui a procura lá pelos lados de Minas Gerais, encontrei algumas pessoas que tinham em caixinhas velhas, sempre enxames pequenos. Acabei comprando e trouxe para cá. Conheci um casal, dona Neusa e seu Eduardo (já falecido), tinham feito um curso na Unicamp sobre abelhas sem ferrão e me emprestou o material para ler, depois disso, sai atrás de mais abelhas. Hoje, eu dei uma diminuída na coleção porque a procura por pólen e mel das abelhas africanizadas está muito alta”, comentou Adriano.

Em seu relato, Adriano descreveu o seu interesse por abelhas, “eu gostava muito de comer mel e comecei a tirar abelhas à noite. Durante o dia andava a cavalo marcando os enxames, daí, à noite eu saia com um farolete para tirar abelhas africanizadas dos cupins ou de troncos, com uns pedacinhos de pano, fazia fumaça, colocava em um balde e depois num litro para comer, o que sobrava eu vendia. Minha mãe ficava louca da vida, eu fazia isso quando era moleque, depois passei para as caixas. Só fui fazer meu primeiro curso de criação de abelhas em 1994”, relatou.

Sem nenhuma técnica, porque mexer com abelhas não foi influencia do pai, que tinha uma sorveteria, Adriano contou que perdia muitos enxames, “não sabia que tinha que amarrar todas as crias na caixa, naquela época ninguém sabia nada, fazia na tentativa, levava umas picadas na mão, outras no pescoço, todo dia, chegava inchado em casa. Fui um dos primeiros que começou em Socorro”, disse. O curso que fez com Nivaldo Berteli, instrutor de apicultura pelo SENAR-SP, em 1994, foi sobre criação de rainha, sobre mel de uma forma geral e, mais recentemente fez um curso voltado para obtenção do pólen de abelhas africanizadas.

Falando sobre o alimento, ele destaca que o mel das abelhas africanizadas “trabalham com uma média de 18% de umidade. É bem grosso, ele cristaliza, isso é normal mas, pode guardar por 100 anos, ele não estraga. Se cristalizar, eu indico usar cristalizado mesmo ou aquecer em banho-maria a menos de 45ºC, para não perder as vitaminas. Como é difícil controlar essa temperatura, o indicado é comprar em potes, para facilitar a retirada. A maioria desse mel de litro que vendem nas beiras de estradas, não é mel. Quer fazer um teste fácil, junte uma colher de mel, outra colher de água, dissolva bem e pinga três gotas de iodo, se ficar da mesma cor, é mel, se ficar marrom ou preto não é mel. O mel é frutose, e o que a turma vende por aí é sacarose, e isso dá reação com o iodo”, revelou. 

Abelha Uruçu, “não é da nossa região, tem boa produção de mel, muitas operarias e, sempre tem uma que fica de guarda na entrada do ninho”

Sem ferrão

No caso do mel das abelhas melíferas sem ferrão, Adriano afirma que tem “25% de umidade. Eu não trabalho com o mel dessas abelhas, só com os enxames. É um mel que tem que usar rapidamente, já ouvi dizer que estão pasteurizando para ele não azedar ou fermentar. O único mel que eu tiro de vez em quando é o de abelha Jataí, mas eu vendo rápido e guardo na geladeira. Eu só tiro quando vou transferir as abelhas de caixinhas. Como eu crio, fico com dó de vender. Eu sou um colecionador, por onde você olhar aqui em casa, eu tenho abelhas”, disse.

Realmente, Adriano distribuiu por todo o espaço de sua chácara, de cinco mil metros, no bairro dos Pereiras, os diferentes tipos de enxames das abelhas silvestre sem ferrão, bem como o berçário das abelhas africanizadas. Ele nos convidou para andar pelo local mostrando cada um deles. Começando pela abelha Uruçu, foi dizendo, “não é da nossa região, tem uma boa produção de mel. É uma abelha com uma boa quantidade de operarias na caixa, uma média de 3 a 4 mil e, sempre tem uma que fica de guarda na entrada do ninho”. Apontando para lado, mostra a caixa de abelhas Mandaçaia, disse que a curiosidade é dar algumas batidas na lateral da colmeia, “elas vão sair por achar que é um pica-pau que está bicando a colmeia e vão fazer a defesa da casinha delas. Na natureza, elas vão em cima do pica-pau. O nome indígena Mandaçaia significa vigia bonito. Em nossa região elas tem no máximo 500 abelhas”, explicou.

Abelha Mombucão,“quem trabalha com meliponicultura quer ter uma dessas. Elas não atacam, são vergonhosas”

“A segunda menor abelha do mundo é a Mirim-preguiça”, destaca Adriano, “elas iniciam o trabalho somente quando a temperatura chega perto de 20ºC, que é por volta das 10 da manhã e param umas 15-16h. Vou abrir uma caixinha para podemos ver algumas bolinhas na lateral da colônia, são os filhotes que vão nascer, no meio tem um pouco de pólen ao lado do mel. Os fiozinhos que parecem cabelo, é o caminho que elas andam pelo ninho. As abelhas brancas são as novinhas e as mais escuras são adultas”.

Explicando o comportamento das abelhas Adriano detalhou que “uma abelha normal vive 45 dias, come mel e pólen. A abelha rainha come só geleia real. Ela é uma abelha igualzinha as outras, a geleia real faz ela se desenvolver mais e vive de quatro a cinco anos. Uma rainha na época de florada, que quer botar para crescer o enxame, chega a botar dois mil ovos em um dia, ela tem que ter muita energia. A rainha mantém as abelhas por um doping, que é um cheiro que as abelhas seguem onde ela for, isso no caso das abelhas africanizadas. Já as abelhas sem ferrão, a rainha não tem cheiro e não produz geleia real. A rainha nasce princesa, as abelhas escolhem qual princesa vão ficar cuidando. As fêmeas botam nas células e se a rainha precisa de energia ela come o ovinho e, bota o dela no lugar, vai nascer uma abelha normal fêmea. Se o ovo for fechado, sem enxertar, nasce um zangão, que vai servir para cruzar com a princesa para virar rainha e começar uma outra colmeia”.

Abelhas sem ferrão Mandaçaia, “a curiosidade é dar algumas batidas na lateral da colmeia. Elas vão sair pra fazer a defesa da casinha delas”

As abelhas silvestres de nossa região Iraí e a Jataí, fecham a “portinha da casinha” durante à noite, para evitar a entrada de formigas, moscas ou outros insetos e, na manhã seguinte será aberta. Ele diz que Jataí, significa abelha guerreira, também ficam de guardas posicionadas na entrada das colônias. “Elas são as mais bravas, defendem muito bem a casinha e se vier uma abelha grande ou africanizada, a Jataí gruda na asa dessa abelha e não solta mais, acabam morrendo as duas. Como a população é bem grande, ninguém mexe com elas. A Jataí usa enzimas diferente na composição do mel, então, se ela pegar uma florada de eucalipto, de laranja ou de capixingui vai ter um sabor azedinho. Todo mel da Jataí tem um mesmo sabor característico devido as enzimas. A maior parte dos predadores dessas abelhas são as aranhas, às vezes, quando chove rapidamente elas acabam morrendo afogadas. Essas abelhas são como um cachorrinho de estimação, tem que cuidar, não é só ter e largar. O pessoal fala muito da Jataí, pra comer o mel. Não é isso, não é só pensar em comer o que ela produz, porque o mel é alimento dela, se tirar tudo acaba matando ela de fome. Tem que ter um equilíbrio, se ver que não está tendo mel, tem que tratar e cuidar como um bichinho de estimação. Quem quer ter é porque gosta de abelha”, enfatizou.

Mirim-preguiça, “A segunda menor abelha do mundo”, destaca Adriano

Outra curiosidade é a abelha conhecida como Abelha-boca-de-sapo, devido ao formato da entrada do ninho. Elas utilizam barro na construção da ampla abertura, fica muito parecido com um sapo de boca aberta. Adriano disse que se relar na entrada desse ninho elas vão sair e grudar no cabelo de quem está por perto.

Outra abelha silvestre sem ferrão que Adriano nos mostra é a Mombucão, e diz, “quem trabalha com meliponicultura (criação de abelhas sem ferrão) quer ter uma dessas. Elas não atacam, são vergonhosas, se ficar muito tempo próximo da casinha, eles correm pra dentro. O mel que elas produzem é bem viscoso de sabor enjoado, não é gostoso”, descreveu.

Abelha-boca-de-sapo, utilizam barro na construção da ampla abertura, fica muito parecido com um sapo de boca aberta

Ele ainda nos mostrou a Uruçu amarela (ou Bugia), “nativa do estado de São Paulo mas, tem bem pouco hoje em dia. Tem olhos verde, por isso a turma chama loirinha do olho verde”, disse. A Iraí, “tem bastante abelha e, é preta do olho verde. Gostam de flores pequenas tipo a resedá, flor de manjericão, sementes de grama, laranjeiras e murta”.

Jataí, significa abelha guerreira, também ficam de guardas posicionadas na entrada das colônias

Pra finalizar ele mostrou a espécie Mirim Droryana , “ela é bastante comum, aparenta abelha tipo africanizada, bem redondinha. Foi a primeira abelha que eu peguei quando era criança, com nove anos. Na natureza vivem em madeiras, em barranco, até nas paredes e, elas se adaptam bem na caixa”, observou.

A produção

As abelhas coletando o néctar das plantas produzem o mel, que vai ser usado para alimentar as abelhas operarias e ser armazenado e consumido pela colônia durante o inverno. O néctar é uma substância doce produzida pelas flores para atrair insetos e, durante sua coleta acabam por fazer a polinização. No caminho para a colmeia, o néctar armazenado no abdôme da abelha passa por reações enzimáticas que quebram seu açúcar em dois açúcares menores (glucose e sacarose). Chegando na colmeia, a abelha deposita essa substância nos favos, onde outras abelhas continuarão o processo de regurgitação e remoção do excesso de água, até formar o mel.

Adriano comercializa o mel das abelhas africanizadas, aqui ele usa a técnica de um alimentador para o rápido crescimento do enxame

Adriano descreve, “aqui no berçário eu uso algumas técnicas, como ter um alimentador atrás da caixas das abelhas para “enganar” a rainha, com a impressão de florada o ano inteiro. Com isso, ela bota bastante, o enxame cresce rápido, fica pronto para colocarmos a melgueira (parte da caixa que serve para produção de mel) sobre a parte de cima do ninho e ser removida do berçário. Na parte da frente da caixa de abelhas fica o coletor para tirar o pólen, que é removido todo final de tarde. Quando é colocado a melgueira não precisa tratar mais, porque se tratar não vai estar tirando mel, vai estar tirando melado. Eu levo para outro sítio, porque o enxame já está forte e como aqui é pequeno começa a ficar perigoso e tenho que tomar cuidado com vizinho e tudo o mais”, explicou. 

“Aqui no berçário das abelhas africanizadas, quando colocamos a melgueira (segunda parte de cima da caixa, que serve para produção de mel) já está pronta para ser removida do local”

Por estarem próximos os enxames perguntamos se não há briga entre as espécies de abelha, Adriano contou que “cada uma respeita seu espaço, não há invasão de uma a outra, as abelhas são territorial. Dizem nos estudos que os enxames mais fortes pegam as florada mais próximas da caixa, e os enxames mais fracos pegam de lugares mais distantes, então, além de ser menos abelhas o enxame tem que voar mais longe”, apontou.

Na parte da frente da caixa das abelhas africanizadas fica o coletor para retirar o pólen

Polinização

Adriano comenta sobre o aumento de plantio de eucalipto em Socorro, “para o nosso lado foi bom, porque aumentou a florada para as abelhas antes do inverno. Então, isso vai ajudar a manter a alimentação delas nesse período. Quando há uma nova florada, a abelha colhe o néctar e, o pólen gruda nas patinhas. Chegando na caixinha ela faz tipo uma dança para indicar a localização da florada e todas as abelhas vão nessa direção. Entre fevereiro e março começa a florada do eucalipto e dura bastante tempo, diferente do café que dura só três dias e tem mais pólen. Falando do pólen, ele sai da flor macho, e o mel, que é o néctar, sai da flor fêmea. Quando a abelha vai pegar o pólen, ela vai passando saliva nas patinhas, pra fazer as bolinhas colarem nas patas, quando ela chega na outra planta, para pegar o néctar, ela está com as patas sujas de pólen e faz a polinização na planta. Então, é por isso que se acabar as abelhas no planeta, em 4 anos o planeta morre de fome”, se referindo a previsão do físico alemão Albert Einstein, no século passado, ao dizer que se as abelhas desaparecessem da superfície da Terra, o homem teria apenas mais quatro anos de vida.

Agrotóxicos 

No começo de nossa conversa, Adriano citou que a demanda por mel, pólen e derivados da apicultura aumentou muito, nos dois últimos anos, segundo ele o motivo foi a Covid-19. “Todo mundo quer ficar mais imune, então, passaram a comer pólen que dá energia, o própolis que é antibiótico e aumenta a imunidade, a geleia real e o mel. Não respeitam a abelha mas, querem ter os alimentos produzidos pela abelha”, citou ao abordar que o uso de agrotóxicos vendidos facilmente em qualquer agropecuária à base de Fipronil, está provocando a morte de suas abelhas. “Eu sei porque mandei fazer analise nas abelhas daqui de casa que morreram. Eu percebi que as abelhas iam nas casas das pessoas, então, eu suspeito que tem algum vizinho usando. Acho que é quando trata galinha ou passarinho com milho moído aí, as abelhas aparecem nesse milho porque elas são atraídas pelo pó do milho, elas usam como pólen, pode ser que às vezes está faltando, mas não carregam o milho, elas ficam no máximo 20 minutos ali no milho, já giz essa experiencia, depois elas param. Acontece da pessoa ver as abelhas e passar o veneno para animais sem osso, daí elas vem embora e esse veneno passa para caixa inteira e todas morrem dentro de 12 dias. Mas se esperar 20 minutos as abelhas somem, dá pra galinha comer, pro passarinho comer, é que a pessoa não sabe disso. Isso também pode ser evitado trocando por milho que não tem esse pó, tipo canjiquinha, ou mudar para ração no caso do cavalo, pode trocar o horário para o final da tarde, começo da noite, aí as abelhas não vão”, ensinou.

O sintoma de que o enxame está envenenado Adriano percebe quando eu percebo a colmeia fica com poucas abelhas, não tendo nem abelha para cuidar da entrada do ninho. “Quando eu vejo isso, tenho que queimar tudo, o favo, o mel, as abelhas mortas. Porque as outras abelhas vão querer saquear o mel dessa caixa que ficou fraca e, se isso acontecer elas vão morrer também. É um prejuízo total, a gente perde a produção, perde as abelhas, a genética, todo material que foi usado na caixa e o serviço de oito meses de cuidado com a colmeia. Eu perdi a pouco tempo 23 caixas de abelhas, antes da florada de capixingui, que nada, nada iam produzir 40 baldes de mel, de 22 quilos cada um, chutando por baixo. As abelhas que eu tiro o pólen só uma caixa pegou, porque estavam frequentando outro local. Tenho mais de vinte apiários, em todos eles já tive mortandade de abelha por causa do agrotóxico. Dou outro exemplo, quando vão arar um pasto e coloca veneno no cupim que tem um enxame de abelhas, outras abelhas percebem e vão saquear o mel, só que esse mel está envenenado, aí as abelhas morrem”, lamentou.

As pequenas caixas de abelhas silvestres estão espalhadas por todo o local; diversos tipos de abelhas (apis e melipona) vivendo em harmonia

As caixinhas das abelhas

Um fato marcante na vida de Adriano foi a amizade com um amigo de Goiás, chamado Valdir, que fazia as caixas de abelha sem ferrão usada por ele. “Esse senhor foi quem me passou a receita do composto de mel, guaco, própolis, agrião e romã, que eu tenho feito. Logo que me passou receita, em três meses ele faleceu. As caixinha ficaram de recordação. Ele gostava muito de vir aqui ficar conversando sobre as abelhas. Muitas coisas que eu precisava, ele ajudava. Ficávamos inventando novidades, tipo caixas para descristianizar mel com termostato. Uma boa parte das caixinhas das minhas colmeias foi ele que fez, trouxe lá de Goiás. Ele vinha visitar a filha dele, depois passava aqui em casa, dormia e seguia viagem no outro dia. Era uma amigo que gostava muito de abelha”, revelou.

Na retirada do mel

Adriano tem toda uma sala estruturada para o beneficiamento e processamento do mel, além de ter o selo do Serviço de Inspeção Municipal (S.I.M.) de Socorro, após mudança na legislação, o selo é válido em todo território nacional desde que descrito no rótulo “produto artesanal”. De acordo com ele, da colheita do mel até o envase “leva em média de 8 a 10 horas para encher quatro baldes”. Adriano destaca ainda que fornece o mel para a merenda escolar da cidade “já faz oito anos. É um sache de 10 gramas que a nutricionista que pede. Fazem 3 anos que estou com essa estrutura aqui em casa, para a embalagem. Antes, eu fiquei 10 anos embalando na APTA de Sorocaba. Eu tirava o mel aqui e embalava lá, por causa do selo que eles possuem para poder vender no comércio”, descreveu.

Em sua opinião a florada que dá um mel “mais gostoso é a do assa-peixe (planta medicinal), nos meses de junho e julho. Produz um mel mais denso porque chove menos, demora mais para cristalizar. O mel de capixingui (árvore nativa no Brasil) que a gente tira em dezembro, em 15 está cristalizado de tão rápido que as moléculas de glicose se separam da frutose”, avaliou.

Outras dicas dele, no consumo dos produtos das abelhas é no uso do própolis, “eu uso 13 gotas com limão espremido todo dia. O pólen uso uma colher de café (5 grama) por dia, ele é um energético que repõem vitaminas que está faltando na sua alimentação. O mel de laranjeira é mais calmante para crianças muito agitada, uma colher toda manhã. O mel de eucalipto tem mais ferro, indicado para quem tem anemia. E o mel silvestre tem um pouco de tudo, porque são vários tipos de flores. Existe também a geleia real que é bem complicada a produção e bem pouca. Eu prefiro comprar a geleia real de Santa Catarina, pago por volta de R$800,00 o quilo. Aí, coloco em tubinhos de 10 gramas para quem quer comprar. É muito boa para quem está com baixa imunidade, usa-se uma pontinha embaixo da língua em jejum, tem consistência de manteiga e sabor azedo, é a comida da abelha rainha”, orientou. 

O apetite por gostar de mel desde criança, direcionou Adriano Faria para a atividade de criador de abelhas, na cidade de Socorro (SP)

O vício das abelhas

A paixão, o envolvimento, o cuidado e todo o trabalho de Adriano com as abelhas é revelado quando ele diz, “toda vida eu gostei de abelhas, procurei ter um serviço só com abelhas, é meu ganha-pão. E, digo que é um vício que tenho, porque começo a observar a vida das abelhas e fico fascinado. Tem época que só penso em abelhas, atrás dos enxames, no cuidado, sem tempo para outra coisa. É um prazer ter e cuidar dessas abelhas. No inverno desse ano, fez muito frio em Socorro, foi a zero grau. Eu guardei todas as caixas de abelhas dentro de casa, coloquei telinhas e liguei o aquecedor, pra manter a temperatura. Elas tinham mel e pólen de reserva para se alimentarem, ficaram quietinhas nas casinhas e, com as telinhas evitavam sair ao ar livre”, destacou o tutor das abelhas de Socorro.

One thought on “O colecionador de abelhas”

  1. Conheço Adriano há mais de 20 anos e sou testemunha de sua dedicação e amor por apicultura. Fiquei feliz e emocionada ao ler este relato e lembrar de meu falecido marido Eduardo, que também era um apaixonado pelas abelhas.

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