Fica em Brasília, Distrito Federal, o oitavo museu mais importante do mundo relacionado ao gênero tipográfico, abrigando máquinas de impressão, instrumentos utilizados em artes gráficas, brasões, florões, mobiliário e manuscritos. O acervo do Museu da Imprensa é composto em mais de 600 peças e documentos históricos raros, pertencente ao governo brasileiro, vinculado à Casa Civil da Presidência da República.

O Museu da Imprensa foi inaugurado em 13 de maio de 1982, ocupando uma área dos jardins da Imprensa Nacional, localizado no Setor de Indústrias Gráficas na capital federal. O acervo do museu abriga os equipamentos tipográfico e materiais da Imprensa Nacional, também chamada de Imprensa Oficial, onde sua origem remonta à época da transferência da Corte Real Portuguesa para o Brasil. O Príncipe Regente D. João assinou em 13 de maio de 1808 o decreto que criou a Impressão Régia no Rio de Janeiro, para imprimir, com exclusividade, todos os atos normativos e administrativos oficiais do governo. Em 10 de setembro daquele ano foi impresso o primeiro jornal no Brasil, chamado Gazeta do Rio de Janeiro no tamanho 12 cm x 15 cm, com apenas 4 páginas. Antes disso, a ausência de tipografia e de imprensa no Brasil colonial, durante três séculos, está ligado ao fato que Portugal, assim como proibira a instalação de indústrias, de universidades, de um correio interno, também não queria que o Brasil tivesse imprensa.

Prelo Machado de Assis – 
Prensa manual para impressão de jornais e livros no sistema tipográfico. Funcionou na Imprensa Nacional até 1940, quando foi desativada. O escritor Joaquim Maria Machado de Assis trabalhou como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional de 1856 a 1858, nesta máquina e voltou de 1867 a 1874 para ser assessor do diretor do Diário Oficial

Imprensa Nacional

A Imprensa Nacional é o órgão do governo brasileiro responsável pela publicação do Diário Oficial da União. A definição e sua estrutura foi reorganizado em 1893, passando a ser um órgão com uma Seção de Artes e uma Seção Central, que englobava o Serviço de Distribuição do Diário Oficial, Oficinas de Composição e Impressão, Estamparia, Tipografia e a Fundição de Tipos. A Imprensa Nacional é grande introdutora de tecnologia gráfica de ponta no país. Em 21 de abril de 1960, data de fundação de Brasília, o presidente Juscelino Kubitschek com toda a sua determinação, esforço e ousadia realizou a transferência da Imprensa Nacional do Rio de Janeiro para Brasília. Para ele era imprescindível a impressão do Diário Oficial em Brasília, com todos os atos assinados no dia da inauguração da nova capital. 

Vencer esse desafio não foi nada fácil, e ainda, boa parte da opinião pública se opunham ou boicotavam. Tiveram que superar obstáculos logísticos e geográficos, tais como desmontar e transportar a impressora Marinoni do Rio de Janeiro até Brasília, numa época em que não havia estradas entre as duas capitais. Foi preciso levar tudo em cinco caminhões para São Paulo, de lá para Goiânia e, só então, levá-la para Brasília, numa viagem de 45 dias. Em cada caminhão, um mecânico de impressora para garantir a integridade do equipamento. Hoje, a impressora Marinoni, encontra-se desativada e exposta no jardim do Museu.

Demonstração de uma impressora manual

Museu da Imprensa

Através de uma visita guiada o visitante vai se deparando com os objetos expostos e acompanhando a saga da criação da Imprensa Nacional. Lá encontram-se as 28 caixas de tipos (letras feitas de chumbo) além de uma réplica do prelo (máquina de impressão feita toda em madeira) trazidos pela a Nau Medusa, embarcação da comitiva que trouxe a família Real Portuguesa, em 1808 ao Brasil. O fato do prelo ser uma réplica é devido a um grande incêndio ocorrido no prédio que abrigava a Imprensa Nacional, em 1911, no Rio de Janeiro, reduzindo às cinzas todo o seu interior, em cerca de uma hora. 

Todos os outros objetos são originais, inclusive o prelo Machado de Assis, fabricado em 1833. A máquina de impressão inglesa foi batizada com o nome do escritor pois, nesse equipamento, Machado de Assis trabalhou como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional de 1856 a 1858 e voltou de 1867 a 1874, para ser assessor do Diretor do Diário Oficial. Machado de Assis tornou-se patrono da Imprensa Nacional pelo Decreto de 13 de janeiro de 1997. 

Há também um prelo de fabricação francesa, do ano de 1852, bem mais simples do que o prelo inglês de Machado de Assis. O destaque da máquina fica quanto a sua raridade pois, nem mais os franceses tem um prelo igual pelo fato, durante a guerra, eles usarem todo o metal disponível para derreter e fazer armas, balas e canhões. A máquina exposta no Museu da Imprensa é cobiçada pelos franceses que já tentaram adquiri-la e tiveram, um educado, não como resposta.

No quesito raridade tem as publicações de Diários Oficiais históricos, como o que publicou a Lei Áurea, que tornou extinta a escravidão no Brasil —está exposto no Diário Oficial de 14 de maio de 1888.

Um ponto interessante é o monotipo onde trabalhava a funcionária pública Joana França Stockmeyer, a primeira mulher a trabalhar no serviço público brasileiro, ficando como servidora por 52 anos (1892 – 1944), na cidade do Rio de Janeiro. O ambiente de trabalho na Imprensa Nacional era extremamente masculino, por ser um local muito quente e abafado por derreter chumbo a todo momento, os homens trabalhavam sem camisa.

Em 2008, um Decreto Presidencial nomeou Joana França Stockmeyer como patrona da servidora pública por ter sido a primeira mulher a ingressar o serviço público.

O museu também possui em seu acervo o primeiro clichê feito no Brasil, trata-se da planta da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, feita de cobre, levantada por ordem do Príncipe Regente D. João, quando de sua chegada ao Brasil. Trabalho iniciado em 1808 e concluído em 1812.

No Museu, há também um espaço dedicado para a Eagin – Escola de Artes Gráficas da Imprensa Nacional criada em 1942, durante o primeiro governo de Getúlio Vargas. Funcionando na cidade do Rio de Janeiro, a grade curricular da Eagin compunha-se dos Cursos Básicos de Artes Gráficas e de Aperfeiçoamento Profissional, cultura técnica e geral, além de ministrar cursos de Educação Doméstica e os idiomas inglês e francês. Os alunos tinham aula pela manhã, almoçavam no refeitório da Imprensa Nacional e no período da tarde seguiam para seu segmento profissionalizante. Devido a escassez de profissionais na área, os alunos que não se empregavam na Imprensa Nacional eram bem disputados pelas empresas privadas. Hoje, a Eagin funciona como um centro de capacitação interna para os servidores, em Brasília.

Monotipo Joana França Stockmeyer, primeira mulher admitida no serviço público brasileiro, em 1892, onde trabalhou como monotipista.

Subordinação

A imprensa Nacional tem 214 anos de atuação federal. Em dezembro de 1948, passou a denominar-se Departamento de Imprensa Nacional, diretamente subordinado ao Ministro da Justiça e Negócios Interiores. No governo de Fernando Henrique Cardoso a Medida Provisória Nº 2.216-37, de 31 de agosto de 2001, alterou dispositivos que dispõe sobre a organização da Presidência da República integrando à Casa Civil a Imprensa Nacional, sendo desvinculado do Ministério da Justiça. Com isso a produção gráfica realizada pela Imprensa Nacional foi sendo repassada para empresas privadas e os servidores públicos sofreram certa pressão e foram redistribuídos para outros órgão do governo federal, tanto que Associação dos Servidores da Imprensa Nacional (Asdin) representante da categoria, reivindica a realização de concurso público destinado à contratação de novos profissionais para a instituição. Em 2011, eram 317 servidores ativos e 40 cedidos ou requisitados, segundo previsão da época, dentro de dois anos, o quadro de aposentados representaria cerca de 60% da força de trabalho do órgão. O pleito dos servidores é para que o governo dobre o efetivo. 

Segundo o informativo do Sindsep – DF (Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Distrito Federal), de 18 de abril de 2016, “servidores da Imprensa Nacional que foram redistribuídos por perseguição política no governo Fernando Henrique Cardoso desejam retornar ao órgão de origem (redistribuição reversa)”. O secretário-geral do Sindsep-DF, Oton Pereira Neves, disse à época que “o retorno dos redistribuídos da IN é questão honra para a direção do sindicato. O retorno dos redistribuídos será uma reparação histórica de uma injustiça cometida pelo Governo FHC que perseguiu e redistribuiu mais de 200 servidores da IN no ano de 2002”, afirmou.

Diário Oficial Lei Áurea; Diário Oficial com a Lei 3.353, de maio de 1888, que declara extinta a escravidão no Brasil

Era digital 

Em 1994, a Imprensa Nacional passou a informatizar seu acervo diante dos documentos datilografados. Com o avanço tecnológico e o surgimento da internet, a Imprensa Nacional, em 1997, iniciou a inclusão do Diário Oficial da União nos canais digitais. Em 2017, a publicação do Diário Oficial passou a ser exclusivamente eletrônica e disponibilizada no site da Imprensa Nacional. A norma, estabelecida por meio do decreto 9.215/17, determinou o acesso digital gratuito ao Diário e a impressão única de cada edição passou a ser apenas para fins de arquivamento. 

Um importante passo para a continuidade da transparência nos processos e a maior acessibilidade por parte dos cidadãos às principais normas e decisões dos Três Poderes foi a elaboração de um aplicativo para celular, desenvolvido pela Imprensa Nacional. Desta forma, por meio do APP DOU, agora as publicações do Diário Oficial da União também poderão ser compartilhadas nas redes sociais ou por e-mail. O cidadão pode salvar o texto em nuvem e configurar o aplicativo para o recebimento de notificação em caso de edição extra do conteúdo do poder Executivo.

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