No dia 27 de agosto circulou nas redes sociais fotos de aves maritacas mortas às margens da LIM 117, no bairro Pires de Cima, Limeira, SP. O Jornal Pires Rural recebeu várias ligações de moradores indignados com o número de aves mortas, e solicitações de matéria sobre o caso que é preocupante. Os moradores pediram para não serem identificados na matéria. Os produtores de grãos não falam sobre o assunto. 

A parlamentar vereadora Lu Bogo (PR) registrou em seu perfil de rede social, a solicitação à Prefeitura Municipal que investigue o caso através do pedido 2519/2021.

Diante da situação que é de conhecimento de todos, o número de aves vêm aumentando de forma considerável mas, não há constatação técnica que apresente o tamanho do problema ambiental e econômico. Diante desse fato, fomos buscar entendimento em estudos disponíveis e uma resposta da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo. 

Animais como as maritacas, as pombas, as capivara e o jacu são observados em estudos da Biologia Animal e mostram a capacidade de espécies selvagens adaptarem-se a viver próximas a seres humanos, causando, em muitos casos, relações conflituosas. 

A agricultura intensiva, através da monocultura, sem rotação de culturas, o avanço da especulação imobiliária e, a tendência de supressão da vegetação nativa, torna os habitats impróprios para a sobrevivência de muitas espécies animais e reduzindo a densidade de outras. 

Os estudos disponíveis apontam que, quanto menor a população de uma espécie, menor os danos causados à agricultura. Os danos dependem do comportamento da espécie, da disponibilidade de recursos alternativos a sua sobrevivência e procriação e da capacidade de uma determinada plantação compensar o dano que as aves sofrem longe do seu habitat natural (Canavelli, 2009). Além disso, em alguns locais onde houve controle letal na tentativa de controle de população, houve a ocupação por novos indivíduos, sem a diminuição dos danos econômicos (Canavelli, 2009). O autor ainda destaca que o desafio de manejar espécies de aves, existe porque nenhuma das medidas de controle, aplicada sozinha, oferece resultados imediatos, economicamente viáveis e com baixo impacto ambiental, simultaneamente. 

Não há um consenso sobre a melhor forma de manejo no controle de ataque de aves. Estes animais se acostumam com métodos de espanto (auditivos e visuais) e, sem outro recurso alimentar disponível, estas estratégias se tornam pouco ou sem efetividade (Canavelli, 2009). 

Questionamos a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo sobre a existência de estudos e políticas públicas de manejo de fauna referente a ave maritaca (aratinga leucophthalma). Segue a resposta enviada pelo órgão; 

“O Departamento de Fauna tem realizado reuniões semanais junto à Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) de Campinas, pesquisadores da espécie, técnicos estaduais e municipais dos setores de meio ambiente e agricultura, com o objetivo de elaborar um plano de ação piloto nas áreas de coexistência das maritacas com as plantações.

Medidas de controle

Para proteção das culturas existem opções de instalação de telas de sombreamento (sombrites) que podem reduzir e até evitar a perda de produção. Estudos apontam que o método mais satisfatório para preservar a produção agrícola das aves, ainda é o afugentamento por meio de sons altos”. 

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