• Luma Paglioni de Souza, Limeirense, Psicóloga, é apaixonada por pessoas, tendo como propósito potencializar a inteligência emocional da sociedade. Em sua carreira, voltada às pessoas, atua como Psicóloga Clínica e Psicóloga Organizacional e do Trabalho. Como Consultora de Talentos auxilia candidatos a se recolocarem e encontrarem seu propósito profissionalmente.

Todos nós fomos surpreendidos com a situação mundial da pandemia. A qual despertou em nós diversas emoções, muitas vezes desconhecidas. Pessoas foram acometidas por transtornos emocionais como a Ansiedade, Depressão, Pânico e até mesmo o Suicídio. 

Emoções como o medo, tristeza, solidão, angústia, frustração, entre outras, foram desencadeadas por diversas situações, como: perda de entes queridos, desemprego, fome, adoecimento, home office, redução de salário e novas rotinas. Você se identificou com isso em algum momento? Por aqui também não foi diferente. 

Uma informação oferecida pelo Novo Caged/Ministério da Economia relata que entre março a junho de 2020 mais de 1,6 milhão de empregos com carteira assinada foram eliminados. Essa informação, de apenas um período da pandemia, nos faz refletir quantas famílias foram impactadas profissionalmente, independente do modelo de trabalho, formal ou informal. 

Como exemplo, cidades sobreviventes de turismo foram extremamente impactadas. Os dados informam 70% de desempregados em Aparecida do Norte, SP, recorrendo as doações para se manterem. 

Portanto, famílias, além do impacto viral, foram acometidas por outras adversidades, sendo uma delas o trabalho. 

E quando pensamos no papel do emprego em nossas vidas, vamos além do retorno financeiro. É no trabalho que temos interação social, que nos fortalecemos enquanto individualidade. É no trabalho que ressignificamos problemas e descobrimos novas alternativas em lidar com situações diversas. 

Toda situação nova, principalmente as que oferecem ameaça, desperta em nós diferentes reações. Temos em nosso cérebro uma amígdala que é ativada todas às vezes que recebemos um estímulo de ameaça. Ao ser acionada nosso corpo libera várias substâncias para que possamos reagir. Uma dessas substâncias é o cortisol, que em grande quantidade é responsável por alguns transtornos emocionais, iniciados pela alta exposição ao estresse. 

E estresse é a palavra da pandemia, não é mesmo? Principalmente para quem busca recolocação. 

São tantas entrevistas, feedbacks negativos, que o candidato já não acredita mais que irá conseguir uma nova oportunidade. Enquanto isso as contas não param de chegar, a família precisa comer e o bem estar….o bem estar já nem é mais prioridade. Assim, a saúde mental fica em último plano, e o ciclo perigoso se fortalece, fazendo com que a pessoa seja exposta  às angústias e conflitos. 

Portanto, deixo registrado um pedido de fraternidade:

– Aos recrutadores, que sejam gentis com os candidatos. Aquela entrevista, mensagem ou até mesmo ligação significa um respiro e uma nova condição. 

– Aos empresários, que se posicionem com atenção e humanidade aos seus colaboradores, os quais estão extremamente abalados. 

– Aos três poderes, que facilitem as legislações de políticas trabalhistas (em prol da empresa e dos funcionários). 

– À sociedade em compartilhar oportunidades de emprego, adotarem currículos e se sensibilizarem pela causa do outro. 

– E por fim, aos candidatos que não desistam. Busquem informações e ajuda profissional para organizar os pensamentos e se conduzirem de maneira mais saudável mediante ao momento de crise. 

E a boa notícia é que o mercado está se aquecendo. 

E falando em boa notícia, é extremamente importante racionalizar as situações. E nesse momento temos diversas informações positivas como evidências. Precisamos potencializar nossa análise crítica e alimentar nossa mente com elas. 

Arrumar emprego nunca foi fácil, mas, agora o momento de crise profissional (aquele refletido no início da pandemia) já está sendo ressignificado. 

Portanto, confira algumas dicas para retomar as esperanças de uma nova recolocação profissional:

  1. Direcione as informações que deseja receber. Se focar em notícias ruins, naturalmente seu cérebro será condicionado a entender que a crise nunca mais irá passar. 
  2. Entenda que a pandemia está se resolvendo. Com a vacina, por exemplo, índices demonstram a diminuição de casos. Se apegue em evidências. 
  3. Cuidado para não generalizar. Esse momento difícil vivido não será eterno. Portanto, comece a reassumir o controle da sua carreira profissional. 
  4. Reestabeleça seu planejamento. E dentro das suas condições busque se especializar. Defina metas a curto, médio e longo prazo.
  5. Saiba que onde você está hoje não será eterno. E, independente da crise, podemos aprender muito com cada situação. Que tal encarar esse desafio como aprendizagem enquanto se prepara para alcançar algo mais próximo do seu desejo? 
  6. Siga diversas empresas de consultoria, acompanhe as vagas pelo facebook, grupos de whatsapp, plataformas de cadastro (Vagas.com, Infojobs, Catho, LinkedIn, ect) e descubra novos cargos e modelos de trabalho. 
  7. Por fim, não deixe que isso abale seu propósito de vida. É um momento difícil sim, com impactos extremamente negativos, porém temos duas opções: ou atribuímos um novo significado a essa situação e assumimos um planejamento, ou entramos em desespero e adoecemos. 

E sabemos que o adoecimento mental reflete diretamente no adoecimento físico e financeiro. 

Não temos o controle da vida. Mas temos o controle do descontrole. 

O que você deseja fazer com esse novo capítulo escrito em sua história? Jogar o livro fora ou virar a página e escrever algo novo? Comece apenas com um parágrafo. Seja gentil consigo mesmo. Todos nós estamos encontrando dificuldade para recomeçar, mas a cada passo que nos permitimos dar, vamos descobrindo novas alternativas, novos pensamentos, novas formas de encarar o mundo, e novas oportunidades profissionais. 

Desejo um grande abraço e muita saúde emocional a todos nós. 

Esclarecemos que os colaboradores não possuem nenhum vínculo empregatício com esta publicação. E os textos não reflete necessariamente a opinião do Jornal, sendo a inteira responsabilidade de seu autor.

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