No início de maio, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, anunciou a próxima fase da amenização do lockdown da Inglaterra, liberando “abraços cautelosos” e permitindo que pubs sirvam cervejas dentro dos estabelecimentos, depois de meses de medidas rigorosas. A Etapa 3 é uma ação alinhada a um plano de quatro etapas revelado em fevereiro, já que a distribuição rápida de vacinas ajudou a reduzir o número de casos e mortes de Covid-19. Conversamos com a família brasileira Mansi, testemunho desse processo no país. 

Centro histórico de Londres, destaque para a Tower Bridge e os arranha-céus que compõem o famoso skyline da capital, entre eles Walkie Talkie Building e The Gherkin

Cláudio Luis Mansi é natural de Espírito Santo do Pinhal, SP,  casado com Débora e pais de Luiza, 17 e Guilherme, 11 anos, os filhos nasceram em Piracicaba, SP. Guilherme é uma criança especial, seu diagnóstico é de mielomeningocele, conhecida como espinha bífida, uma má formação na coluna e, depois desencadeou a síndrome de Arnold-Chiari, uma malformação genética rara, comprometendo o sistema nervoso central, podendo resultar em dificuldade de equilíbrio, perda da coordenação motora e problemas visuais. A família atualmente está morando em Londres na Inglaterra, chegaram por lá no ano de 2016. Eles nos contam qual foi o motivo da mudança para a Inglaterra, como está sendo enfrentar a pandemia do Covid-19 e os cuidados necessários para uma criança especial.

Família Mansi: Guilherme, Cláudio, Luiza e Débora com a cachorrinha Cacau no colo

Foi por conta do tratamento de saúde de Guilherme que a família Mansi mudou-se para a Inglaterra no ano de 2016, conforme Cláudio nos relata; “eu trabalhava numa indústria de autopeças em Piracicaba, era gerente nacional de vendas, tinha um bom salário, benefícios, morava em Piracicaba e pagava 3 planos de saúde para o meu filho e, outro para minha família. Chegou uma hora que os planos de saúde não cobriam mais o que Guilherme precisava, para poder continuar melhorando. Fomos atrás de dois médicos em São Paulo, que cobravam R$1.000,00 e outro R$900,00 por consulta e, eram consultas mensais e, não tinha retorno. Então, tínhamos os gastos de plano de saúde, mais a escola da minha filha, mais o custo de vida, aquela loucura. Uma indicação médica orientou fazer uma cirurgia na coluna do Guilherme para colocação de uma placa, devido a uma escoliose muito forte que ele tem, e o médico queria 130 mil reais para fazer a cirurgia. O Guilherme teria que ficar no hospital Santa Catarina porque nenhum plano médico que eu pagava cobria, se ficasse mais de 4 dias internado no hospital iria aumentando as diárias. Com isso eu e minha esposa resolvemos procurar algo fora do Brasil, nós temos o passaporte italiano, tiramos a cidadania quando o Guilherme nasceu. Após algumas pesquisas na internet, encontramos no norte da Inglaterra um Instituto que é especialista na doença dele, a mielomeningocele. Minha esposa entrou em contato com o Instituto, explicou nossa situação até aquele momento e, o pessoal do Instituto nos alertou que estávamos perdendo tempo tratando nosso filho no Brasil. Pelo que nós estávamos passando eles perceberam que o sistema não é capaz de atender da maneira como nosso filho precisava. Como temos o passaporte italiano e somos cidadão europeus o Instituto fez o convite para mudarmos para a Inglaterra e nos ajudar a cuidar de nosso filho, isso foi em março de 2016. A Débora, minha esposa, tem uma tia muito próxima chamada Elza, que estava de viagem marcada para a Inglaterra e se prontificou a ir até esse Instituto, no norte da Inglaterra, para saber se o convite que nos fizeram era verdade. Dia 4 de abril essa tia alugou um carro, foi até o instituto, viu que era verdade, voltou para Londres, onde estava hospedada e, me ligou dizendo; ‘Claudinho, eu não volto mais para o Brasil, vou arrumar um lugar para ficar aqui e, vou arrumar um outro lugar para vocês virem para cá pois, é tudo verdade sobre o Instituto e vocês aí estão perdendo tempo. Quando eu encontrar um lugar, você compra as passagens e mudem pra cá’. Em junho de 2016 eu comprei as passagens para a minha esposa, para o Guilherme e minha filha Luiza. Fiquei mais 70 dias no Brasil porque a Elza e nós, tínhamos que levar nossos cães, foi preciso fazer uma quarentena e também fui me desligar da empresa. Dia 10 de outubro de 2016 vim para Inglaterra morar com minha família. Resolvi a vida em 3 meses, por conta de oferecer um cuidado digno para meu filho”, revelou.

As ruas vazias devido ao lockdown e como elas costumavam ficar repleta de turistas antes da pandemia do Covid-19

O Sistema de saúde NHS

No dia seguinte ao chegar na Inglaterra, a família foi inserida no sistema de saúde local (National Health Services – NHS), ficaram sabendo que o Guilherme ia ter toda assistência médica, todos os equipamentos, cadeiras de rodas e, o casal só precisava arrumar um emprego. “No Brasil, tivemos que comprar uma cadeira de rodas custando 5 mil reais, aqui na Inglaterra ele ganhou. A cirurgia que ele ia fazer no Brasil, aqui ele não precisou fazer a cirurgia, nós ganhamos uma cadeira de postura que segurou a escoliose. Também ganhamos uma cadeira de rodas para subir escadas, toda medicação, fraudas, leite, ele tem um cartão de taxi onde pagamos apenas 20% do valor de uma corrida. Chegou uma hora que nos falamos que o leite a gente conseguia comprar, poderia dar para outra pessoa que precise, aí eles nos disseram que não tínhamos que comprar o leite, não existe fila e não tem quem precise, o leite é para o meu filho. No Brasil, para conseguir qualquer benefício do governo brasileiro ou do sistema de saúde para cuidar de uma criança especial você tem que estar passando fome, porque o saldo máximo de seu salário mensal não pode ser superior a R$300,00, naquela época. Aqui, pelo sistema de saúde vem uma assistente social fazer uma visita na casa pra ver se ele está recebendo tudo o que precisa e, esse auxílio do governo é dado a todas as crianças especiais, aos adultos especiais, independente da renda da família. É um direito do cidadão, receber os benefícios não depende da renda familiar. Na primeira casa em que moramos, minha filha dividia o quarto com a tia Elza e no quarto maior ficava eu, minha esposa e o Guilherme. Quando a assistente social nos visitou ela recomendou que nós tínhamos que morar em uma casa maior porque, o pai e a mãe tem que ter um quarto, o filho tem que ter um quarto, a filha tem que ter um quarto e a tia, tinha que ter seu quarto separado. Nós dissemos que não tínhamos dinheiro para pagar o aluguel, e eles nos disseram para verificar e se precisasse completariam a renda, foi o que aconteceu. 

“A tia Elza passou a ter a vida dela independente da nossa família mas, ela está aqui todo final de semana, moramos perto. A assistente social também falou que os pais tem que descansar, o pai porque tem que trabalhar no outro dia e a mãe porque tem que estar sempre disposta para atender os filhos, então, o sistema de saúde disponibilizou duas cuidadoras para o Guilherme, uma para ficar durante o dia e outra para a noite. Eu perguntei se eu tinha que colocar uma cama para a cuidadora, falaram que era uma cadeira, porque ela não vai para dormir e sim para cuidar. São pessoas que tem curso de cuidadora, elas sabem trocar uma traqueostomia, sabem trocar uma sonda de gastrostomia, só que elas não podem ficar sozinhas com a criança, tem sempre que ficar alguém da família. Aí, com a pandemia nos pedimos para cancelar o trabalho delas porque, elas dependem de transporte público e nós ficamos com medo delas trazerem o vírus para dentro de casa”, detalhou Cláudio. 

“Quando fala que vai fechar todo mundo dentro de casa, a primeira coisa que o pessoal pensa é ir ao supermercado se abastecer tinha controle de entrada de pessoas, demorava uns 40 minutos para entrar com umas 100 pessoas na minha frente”, Cláudio relatou

A pandemia em Londres

“18 de março de 2020 fecharam as escolas. Ficou aquele momento de tensão, porque as informações iniciais da situação era muito perigosa, matava e todo mundo tinha que ficar dentro de casa e, até hoje, é uma coisa desconhecida e ninguém sabe como tratar realmente a Covid-19. A população idosa aqui em Londres é muito grande, todos eles tem uma vida social ativa, estão na rua o tempo todo. As calçadas são todas do mesmo tipo, é fácil se locomover com um andador, utilizam os carrinhos elétricos, vão aos mercados, fazem compras sozinhos, vão a todos os museus, andam de transporte público facilmente, os ônibus não tem escadas, a acessibilidade aqui é fantástica. Aí, fecharam tudo, botaram pânico na população. Na Itália, aqui do lado, morrendo gente aos tufos, na Espanha começando a morrer gente, aquela loucura. Meu filho é de alto risco, tem traqueostomia, tivemos que aceitar se trancar em casa. Quando fala que vai fechar todo mundo dentro de casa, a primeira coisa que o pessoal pensa é ir ao supermercado se abastecer, com isso, faltou comida no supermercado, as prateleiras ficaram vazias. Nossas compras eram semanais, nunca fizemos compra de mês como fazíamos no Brasil, até porque as geladeiras aqui são todas do tamanho de um frigobar. A situação foi tomando uma semana, três meses, foi estendendo, com tudo fechado, morrendo gente aos montes, os questionamentos se o lockdown era o melhor negócio para se fazer. A Suécia, nossa vizinha, fez um lockdown diferente colocando os idosos e os vulneráveis, de alto risco, dentro de casa e todo o restante da população continuou tendo vida normal, as escolas abertas, os comércios abertos, cinema e teatro tudo funcionando. Aqui, o número do mortos passou de 128 mil pessoas, nossa população é de 67 milhões, nos quatro países que formam o Reino Unido (Inglaterra, Irlanda do Norte, Escócia e País de Gales), se fossemos do tamanho do Brasil tínhamos passados das 500 mil mortes, proporcionalmente. Mas o que poderia ter sido feito diferente do lockdown? Essa dúvida todo mundo vai ter e nunca será respondida”, Cláudio descreve. 

Faltou comida no supermercado

A vida da família durante o lockdown ficou restrita em passear com a cachorrinha Cacau, pela manhã, as aulas dos filhos passaram a ser virtuais, as idas ao mercado era responsabilidade de Cláudio que diz, “tinha controle de entrada de pessoas, demorava uns 40 minutos para entrar com umas 100 pessoas na minha frente. Respeito ao distanciamento entre as pessoas, todo mundo de máscaras e com medo. Quando fechavam os mercados, os repositores abasteciam as lojas no máximo para o dia seguinte e, não havia reposição durante o dia, passando a abrir uma hora mais cedo, às 7 da manhã. Então, até as duas da tarde tinha produtos diversos para compra. Eles limitaram a quantidade de produtos por pessoa, por exemplo, lataria você poderia levar quantas quisesse mas, ovo só podia levar uma cartela com 12 unidades, a cada compra. Depois do segundo mês de lockdown, as filas começaram a diminuir, os produtos começaram a permanecer nas prateleiras por um tempo maior.  As pessoas foram se acostumando que os produtos não iriam faltar e, até um mês atrás, ainda encontrava fila nos mercados aos finais de semana pois, estavam fazendo controle de entrada das pessoas”, citou.

As prateleiras ficaram vazias

Segundo Cláudio, as regras de lockdown começaram a flexibilizar depois de 20 de agosto de 2020, por causa da aproximação do verão, muito embora, “nos pubs (bares), para entrar é obrigado a registrar seu nome e outros dados, porque se de repente alguém apresentasse algum sintoma, tinha que avisar para o sistema de saúde (NHS) os locais por qual tinha passado”, acrescentou.

Existiam algumas regras para a reabertura como não visitar pessoas e nem receber visitas e, depois fizeram as bubbles (bolhas) que permitia receber uma pessoa de seu convívio em casa, apenas uma. “No nosso caso não recebíamos ninguém por causa do Guilherme. Depois, afrouxou as regras, era permitido duas pessoas se encontrarem no parque, desde que não ficassem paradas mas, em circulação ou praticando esporte. Na metade de outubro, as pessoas começaram a questionar o governo se no período do Natal as famílias poderiam comemorar, com a casa cheia, recebendo os netos e demais familiares. O governo, a primeiro momento disse que não seria possível, a não ser que fechasse tudo com o mesmo princípio do começo da pandemia. Os números de casos começaram a subir em outubro, estava na segunda onde de contágio, era o fim do verão, com isso o governo resolveu aplicar um novo lockdown no mês de novembro inteiro, para garantir o Natal em família. Todo mundo ficou feliz da vida, oh glória! As lojas ficaram contentes, compraram mercadorias para rechear os estoques, porque ia ter Natal, ia ter compras de Natal. Dia 3 de dezembro aconteceu a reabertura, novamente, todo mundo na rua com algumas restrições, quantidade de pessoas para entrar nas lojas, máscara, álcool em gel. Só que museu, cinema e teatro permaneceram fechado desde março. Na segunda semana de dezembro, um sábado, o primeiro-ministro entra ao vivo na rede nacional de TV, e fala, ‘estamos trancando tudo novamente a partir de hoje’. Aconteceu que todo mundo, sabendo que ia ter ficar dentro de casa, houve uma evacuação, todo mundo saiu da cidade, todos aqueles que tinham marcado o compromisso de Natal para visitar seus familiares viajaram antecipadamente para o encontro. As estações de metrô ficaram forradas de gente, todo mundo com mala na mão, mochila nas costas, cobertor, travesseiro, aquela loucura, todo mundo indo embora. O governo fechou tudo, as lojas estocadas até o teto para vender no Natal, ficaram todas fechadas, com coleção atualizada e tudo mais”, revelou.

A Inglaterra manteve até final de janeiro tudo fechado, as lojas só puderam voltar a funcionar novamente dia 17 de abril. A flexibilização em 2021 começou em fevereiro pelos cafés, era possível apenas pegar e levar. “Na cafeteria Starbucks não podia chegar na loja e pedir diretamente no balcão, tinha que baixar o aplicativo no celular, estando na porta da loja, uma mesa impedindo a entrada, duas pessoas atendendo, tinha que fazer o pedido e pagar pelo celular, aí vinham lhe entregar o pedido em mãos, era ridículo! Um monte de gente perdeu o emprego por causa desse sistema do aplicativo, também muitos cafés e restaurantes fecharam para nunca mais abrir. Aqueles que permanecem, reabriram também dia 17, somente com atendimento nas mesas externas, nas calçadas ou no quintal. Atendimento nas mesas internas só foi liberado dia 17 de maio, juntamente com abertura dos museus, a London Eye (roda-gigante e um dos pontos turísticos mais disputados da cidade). Ainda estão pedindo uso de máscaras, álcool gel, distanciamento das mesas dentro do restaurantes e pubs. Só podem ficar aqueles que fazem parte do grupo, se encontrar algum conhecido dentro do local para se juntar ao grupo não é permitido e, ninguém pode ficar em pé”, relatou. 

“O curioso foi no dia 17 abril; os ingleses foram em peso às ruas para beberem até cair. Colocaram mais mesas do que deviam nas calçadas, um monte de gente se abraçando, se beijando, bebendo, caindo. Aí, vem o governo, de novo, falando; ‘gente, vai devagar. Vocês estão abusando, se os casos de Covid-19 aumentar, vamos ter que fechar tudo de novo’. Mas, a vacina ajudou a ter essa flexibilidade, os números de casos começou a cair, com um maior número de pessoas vacinadas”, disse.

Trafalgar Square: a principal praça de Londres vazia

Saúde na pandemia

“O sistema de saúde aqui na Inglaterra, como já disse, é gratuito para todo mundo, não tem que pagar plano médico e, crianças até 16 anos, não pagam pelos medicamento. Existe uma lista com mais de 30 medicamentos que você retira nas farmácias sem custo algum e sem receita, qualquer pessoa, mesmo se não for morador, isso porque os impostos recolhidos o governo tem que devolver à população, como na segurança, transporte, saúde e educação. No atendimento nos casos de Covid-19, o sistema de saúde funcionou muito bem, não entrou em colapso. Eles fizeram um hospital de campanha muito grande, desde abril de 2020, equipado completamente, tudo pronto para, se preciso for, usá-lo. Ainda está instalado até hoje, no mesmo local, nas mesmas condições, roupa de cama, equipamentos, computador, luz elétrica, tudo ligado, e é provável que esse local se torne um hospital, para atender a população em geral. Aqui, usou a mesma tática do Brasil, ficar em casa até os sintomas da Covid-19 se manifestarem ao máximo, isso nos achamos que foi ruim mas, é uma medida da OMS (Organização Mundial da Saúde). Muita gente questionou o governo, nem dipirona eles receitaram. Muitos ainda estavam trabalhando correndo risco como o pessoal da saúde, carteiro, pessoal da coleta de lixo, tinha que dar um plano B, no caso dos primeiros sintomas. Mas não teve plano B. Isso acontece até hoje, só é para ir ao hospital se estiver passando muito mal. O primeiro-ministro disse na entrevista coletiva que eles estão desenvolvendo um comprimido para dar nos primeiro sintomas; faz o teste de Covid, deu positivo, vai ser administrado o comprimido. Já vai ser um tratamento, não vai ter que esperar os sintomas se agravarem para ir até o hospital. Durante a pandemia o governo informava como estavam os casos em cada região da cidade, era só digitar o CEP no site do governo (https://digital.nhs.uk/dashboards/coronavirus-in-your-area) e você tinha a informação detalhada quanto ao número de infectados, mortes e contaminação. A informação era aproximada ao endereço, isso é importantíssimo pois, teve bairro que foi mantido o lockdown por mais tempo do que em outros bairros, porque os casos de contaminação estavam complicados, enquanto os casos não diminuíram o lockdown foi mantido e a população local aceitou. Aqui, as pessoas acatam, são muito honestos, acreditam no que você falar para eles, se falar que não pode usar máscara porque tem asma, eles vão acreditar pois, eles sabem que você é uma pessoa honesta. Os ingleses são muito reservados mas, o pessoal que nós conhecemos aqui, ninguém comentou sobre algum vizinho que pegou Covid. Ficamos sabendo apenas que a professora de nosso filho foi contaminada. Foram prometidos fazer 5 mil testes por dia, depois caiu para 3 mil, 800 testes e depois nunca mais falaram disso. De seis meses pra cá é possível ir na farmácia e trazer meia dúzia de testes para casa, gratuitamente. Motorista de ônibus e funcionário de supermercado podem sair do trabalho e ir até um pavilhão gigante e fazer seu teste, diariamente, sem custo nenhum. Isso veio a ocorrer depois que começou a vacinação no mês de dezembro. Desde o início da pandemia, o meu filho Guilherme ficou sem as consultas médicas, voltamos mês passado ao hospital, rapidamente, fazer alguns testes. Houve apenas algumas consultas on-line, que a mãe podia contar o que estava acontecendo, porque o Guilherme não fala por conta da traqueostomia. Aqui no sistema de saúde tem o atendimento de emergência, igual ao pronto-socorro no Brasil, tem uma espera de 2 a 3 horas, dependendo da quantidade de pessoas para atendimento, criança é atendido separado dos adultos. No caso do Guilherme nós temos prioridade no atendimento emergencial”, informou.

Vacinação 

“Dia primeiro de janeiro a Inglaterra sai da zona do euro e da União Europeia, voltamos à independência, de moeda, como sempre fomos e de livre comércio. Só que, ainda fazendo parte da União Europeia, a Inglaterra começou a levantar a bandeira do desenvolvimento de uma vacina para a Covid-19 e consultou outros países como França, Alemanha e Espanha, isso foi em abril de 2020 e, esses países não quiseram participar. Aí o governo inglês, fechou um contrato com a AstraZeneca, (fundada em 1999 por meio da fusão do laboratório sueco Astra AB e da empresa farmacêutica britânica Zeneca Group) para a produção e fornecimento da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, do Reino Unido. A vacina já estava totalmente testada no início de novembro. Ela não tinha 100% de segurança, poderia haver alguns efeitos colaterais mas, não tinha como ficar sem a vacina. Então, a vacinação começou dia 18 de dezembro, com os idosos acima de noventa anos e o pessoal que trabalha como cuidadores, que o governo disponibiliza para cuidar dos idosos. Depois foi para acima de 85 anos e o pessoal linha de frente do sistema de saúde. Minha esposa foi vacinada antes de mim, por ser a cuidadora de nosso filho Guilherme, mesmo o governo nos disponibilizando duas cuidadoras. Eu fui vacinado no começo de março, pela minha idade, 51, estou no tempo de tomar a segunda dose da vacina mas, no posto de saúde que vou está em falta, preciso procurar outro local de vacinação. Agora, a situação se encontra com números de contagio bem baixo, o número de mortos nos quatro países do Reino Unido (Inglaterra, Irlanda do Norte, Escócia e País de Gales), até 20 de maio foi de 173 mortes. Já foram vacinados 50 milhões de pessoas, sendo que 32 milhões já tomaram as duas doses, que tem um intervalo de três meses entre elas. O pessoal está satisfeito com o resultado final, não pelo lockdown mas, pela vacina, porque durante o lockdown morreu muita gente”, revelou.

Os bons tempos da London Eye, roda-gigante, é um dos pontos turísticos mais disputados da cidade

Momento atual

“Está tendo vacina pra todo mundo, estão conseguindo cumprir o cronograma. O que se tem  falado é sobre a variante da Índia mas, foram feitos os testes com a AstraZeneca e a vacina foi eficaz contra essa variante. Só que ninguém sabe ao certo como ficará no inverno. O governo agora vai abrir as fronteiras para turismo, para quem vem dos países que estão na faixa vermelha, tem que seguir os protocolos do governo, tendo que ficar em um hotel, pelo período de 10 dias, sem poder sair, fazendo as refeições no hotel, tendo que fazer testes, dois dias depois que chegou e, no oitavo dia e ainda, pagar por essa estadia 1.570 £ (libras), cerca de 9 mil reais, mesmo a pessoa estando vacinada. As aulas já voltaram, o Guilherme, então, vem uma van só para levá-lo, vai ele a cuidadora e o motorista. A escola está toda preparada para atender as necessidades dele na questão do Covid. A escola é fantástica, tem piscina aquecida, elevador, é uma escola só para crianças especiais, diferente do Brasil que crianças com Síndrome de Down frequentam qualquer escola, por exemplo. Nesses tempos de pandemia, o Guilherme teve aulas virtuais e o governo deu um tablet comunicador para acompanhar as aulas e, se ele quer pedir alguma coisa e não estamos entendendo, ele usa o tablet, por exemplo, eu quero água, isso em inglês, além dele estar aprendendo a linguagem de sinais, também em inglês, que é a linguagem gestual chamada makaton, que é mais adaptado, mais simples do que o libras que gesticula letra por letra”, disse.

A diferença de Londres antes da pandemia e agora

“Ah! Mudou muita coisa, além das restrições como distanciamento, máscara, álcool gel, evitar entrar em lugares com muita gente. Como já citei, tem o monitoramento nos pubs, onde fica registrado seu nome, no caso de alguém que passou pelo local e ter sintoma, eles entram em contato. Se você não passar seus documentos eles pedem pra você sair. Estava falando com minhas esposa, sabe que nós não temos mais muita vontade de sair de casa e, quando a gente sai de casa, temos visto muita gente na rua, porque está voltando ao normal, só que nós não estamos mais acostumados, a gente tava preferindo com menos gente, as lojas fechadas mas, os cafés abertos. Depois da pandemia, nos ônibus só uma porta dá acesso a entrada e saída de passageiros. Nas lojas implantaram uma porta de entrada e outra porta de saída, isso não tinha antes. Dentro de algumas lojas tem corredores de fluxo de apenas um sentido, ou você está indo ou voltando. Instalaram uma espécie de semáforo em alguns mercados, que fica hora verde para entrar, hora vermelho, tendo que esperar na porta. As mudanças que me recordo foram essas. A gente vive bem, porque vivemos ao lado de nossos filhos e eles estão seguros, minha filha anda na rua a noite com o celular, sai com as amigas, vai para qualquer lugar, não tem assalto. Ela está no College, equivalente ao ensino médio, quer fazer faculdade de medicina”, conclui Cláudio.

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