Os jogos olímpicos foram adiados em um ano por causa da pandemia da Covid-19, estamos agora há cerca de quarenta dias do início das Olimpíadas 2020, a ser realizada em Tóquio, Japão, entre os dias 23 de julho a 8 de agosto de 2021. Conversamos com Gabriel Dibbern Sacchi, limeirense que participou das Olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016. Gabriel iniciou hipismo no bairro dos Pires, em Limeira, SP. Ele é formado em Engenharia Ambiental pela USP/São Carlos (2010), fez doutorado em Engenharia Hidráulica e Saneamento em 2015, atualmente é professor doutor pela USP/ São Carlos mas, não deixou o mundo do cavalo de lado, se qualificou na carreira de oficial de provas equestres e participou das Olimpíadas Rio 2016 e no Panamericano de Lima, no Peru, em 2019. Conheça um pouco da trajetória dinâmica traçada por Gabriel em sua carreira.

Gabriel nos conta sobre como tudo começou, “meu envolvimento com o hipismo teve início quando uma prima levou toda a minha família para fazer um passeio de final de semana no Rancho Nativo, no bairro dos Pires, isso foi em 1997. Lá, havia aulas de equitação, onde comecei juntamente com outras três primas. Em 1999, eu ganhei meu primeiro cavalo, depois senti que eu precisava de um cavalo para competições com um nível de dificuldade maior, a égua que eu tinha era mais para as provas de salto. Em 2000, ganhei um segundo cavalo para competir nas provas de CCE (Concurso Completo de Equitação), que nós falamos que é o triatlon porque inclui o adestramento, o salto — a modalidade mais tradicional que todo mundo conhece, destaque para o brasileiro Rodrigo Pessoa na Olimpíada —, e inclui também uma prova de cross, que são obstáculos naturais. Isso coincide com a inauguração do Figueira Ranch, o Zezinho proprietário, foi instrutor no Rancho Nativo, acabou montando uma hípica própria, aí acompanhamos o Zezinho como instrutor e eu montei até 2005”, descreve. 

O conjunto Gabriel Sacchi e Romulo saltando em uma prova de CCE; “nós falamos que é o triatlon porque inclui o adestramento, o salto e o cross”

A carreira no hipismo

Ele expõe, “eu comecei a competir com 10 anos de idade, tem níveis de entrada para crianças de 3, 4 anos. Geralmente começa no salto, que tem um xis de trinta centímetros que o cavalo passa, ele nem salta. A minha motivação era o contato com o animal, o resultado não dependia só de mim e, eu gostava de ir para a competição e ter o reconhecimento, ter um bom resultado no final. Até a adrenalina do dia anterior, da ansiedade, eu gostava”, diz. 

As competições que o conjunto Gabriel/Romulo (nome de seu cavalo) disputavam, eram todas pela ABHIR (Associação Brasileira dos Cavaleiros de Hipismo Rural), que tem atuação no interior de São Paulo, promovendo cerca de 8 etapas anuais do CCE,  “eu sempre fiquei restrito as competições da ABHIR, eu nunca competi fora porque estava em meu entorno e pra competir era mais fácil”. 

Falando das provas que mais lhe marcaram, Gabriel cita uma experiência em Minas Gerais,  “eu peguei um momento da ABHIR que ela era composta de regionais e uma delas era em Minas Gerais. Fui fazer um campeonato interregional em Lagoa Santa, MG, foi uma experiência espetacular, em 2004, depois fui colhendo resultados”, destaca. 

Sobre os outros cavaleiros com quem treinava e competia ele revela, “da turma que fazia hipismo na mesma época minha, ninguém seguiu a carreira profissional. Quando o pessoal entra na faculdade geralmente vai parando com a atividade, é muita dedicação. Sei de alguns que foram retornando depois de finalizar a faculdade. É um esporte para amador na região que nós estamos”, define. 

Gabriel quando garoto ao lado do treinador Zezinho, Rancho Nativo 1997

A disputa no CCE

Segundo Gabriel, escolher pelo CCE lhe dava a oportunidade de fazer as três provas em apenas um dia, “o adestramento vai uma média de 5 a 7 minutos, a prova de salto 1 minuto e meio no máximo e, o cross, para iniciantes 5 minutos e, para nível olímpico de 10 a 12 minutos. Nessas provas eu tinha um contato com o cavalo por mais tempo, acabei optando pelo CCE porque eu já estava no ensino médio e precisa estudar mais, fazer as lições, pois meu objetivo era entrar em uma faculdade pública. O Zezinho acompanhava meu dia a dia, fazia os treinos três vezes por semana com uma hora de aula e, passava a tarde toda no centro de treinamento. Na minha visão, as provas de CCE, principalmente nas provas de cross, não dava pra ser tão amador, precisava de dedicação, eu levava muito a sério para não sofrer alguma coisa e o cavalo também. Era uma rotina rigorosa de treino, para aumentar a dificuldade é preciso profissionalizar um pouco mais. É dedicação nos treinamentos e profissionais que lhe auxiliam, cheguei a fazer algumas clínicas esporádicas com outro treinador para aperfeiçoamento, mas o treinador, a longo prazo e que confiava sobre a evolução minha e de meu cavalo era o Zezinho”, explicou.

Encerrando uma carreia e começado outra

“Quando eu encerrei a minha carreira, eu disputava o CCE. Logo que entrei na faculdade pensei, não dá pra levar de uma maneira amadora pois, eu passava a semana toda em São Carlos, SP, o curso era integral com aulas de manhã e a tarde, para vir aos finais de semana ou levar o cavalo para lá era complicado, fora o investimento. 

Praticar o esporte incluía custo com aluguel de baia para o cavalo, veterinário, alimentação, todo equipamento tanto para o cavalo como pra mim. Eu fazia um pacote para poder participar das competições que abrangia desde a inscrição para as competições, transportar os animais, reserva de cocheira se o animal precisasse dormir em outra cidade, até os ajustes para com o tratador passar a noite cuidando do cavalo. Eu só tinha que pagar a conta e estar nos locais das provas pois, o cavalo já estava com todos os equipamentos que eu iria utilizar na hora da prova. Durante as competições também recebia o suporte e orientação para executar a prova, terminando a competição já tinha tratador para guardar o material e preparar o cavalo para retornar. Chegando aqui eles colocavam os cavalos na cocheira, tinha todo esse suporte para nossos animais”, pontuou.  

Ao entrar na faculdade Gabriel fez um pedido a seus pais, “eu disse que iria morar sozinho, aí meus país falaram; ‘manter você e o cavalo é caro. Ele é um filho, tem todos os gastos, tem veterinário mensalmente, tem a alimentação, aluguel da cocheira, um profissional para montar o cavalo durante a semana’. Então, eu entrei, em 2006, na faculdade me desfiz do Romulo, um cavalo que eu ganhei como presente de Natal em 2000”, frisou. 

Entretanto, ele emenda, “assim que eu entrei na faculdade e me desfiz do cavalo, teve uma prima que continuou, a Natália Sacchi Coutinho e, comecei a acompanha-lá, aos finais de semana. Foi aí que começaram a me chamar para ajudar o juiz, trabalhar de secretário nas competições, isso em 2007. Por isso, comecei a buscar cursos para trabalhar nessa carreira de juiz. Eu fui atleta até entrar na faculdade aí eu parei mas, comecei a trabalhar em competições. Eu brinco que parei de gastar e agora eu ganho para trabalhar. Hoje, tem uns dez anos que eu não sei o que é subir em um cavalo, embora esteja perto deles, com certa frequência, pelas competições. Encontrei outra forma de me manter próximo, de me suprir de uma maneira bem satisfatória. Já saí do país por conta do trabalho, coisa que como atleta precisa ter um nível internacional ou uma conta bancária muito alta, que não é o meu caso, então, hoje eu trabalho com isso e tenho meu mundo paralelo que é o lado acadêmico da faculdade”, destacou.

Curso de Comissários de CCE da Federação Equestre Interna- cional, em 2019 na escola de Equitação do Exército do Uruguai

Oficial de competições

De acordo com Gabriel o meio equestre tem várias modalidades, “eu fui buscando minha qualificação dentre as olímpicas e me qualifiquei, hoje, sou habilitado a trabalhar pela Federação Equestre Internacional”. O caminho que percorreu para trabalhar nas competições foi fazer cursos de qualificação em São Paulo, Ribeirão Preto e Rio de Janeiro, entre 2007 e 2010. Depois, em 2015, foi a vez de se profissionalizar na carreira internacional, “há um regulamento, é preciso selecionar qual modalidade quer ser juiz, no papel oficial, eu sou delegado técnico, essa é minha habilitação internacional. Então, o regulamento da Federação, pela modalidade escolhida, indica os cursos, tem que ser fluente em inglês, também fazer estágios em competições. O regulamento vai dando o norte, sou eu que corro atrás e ainda pago tudo, é um investimento pessoal. Para trabalhar no Brasil era seguir o que a Confederação Brasileira de Hipismo pedia e para atuar fora do Brasil era seguir o que Fédération Équestre Internationale exige, que são outros cursos. Cada competição que fazia como estágio desses cursos recebia uma carta de recomendação. Tem que ter um conhecimento prático mas, tem que estar atento as regras que mudam todo ano, eu tinha essa facilidade. A cada três anos tenho que fazer atualização para manter minha certificação internacional”, detalhou. 

No começo dessa nova carreira Gabriel foi trabalhar para a ABHIR, onde chegou a ser diretor da modalidade de CCE, “no qual dávamos uma assessoria, uma opinião técnica da modalidade pela carreira que estava seguindo. Fui incentivado por ela (ABHIR), porque ela tinha a necessidade de profissionais”, completou.

Atuação de juiz

“Na modalidade CCE que eu sou juiz nacional e, como tal preciso julgar as três provas (adestramento, salto e cross), cada prova tem um detalhe. No adestramento, é como se fosse a ginástica artística, o conjunto tem uma série de movimentos para fazer e eu tenho que dar uma nota de zero a dez. Vou olhar a posição da cabeça do cavalo, se o movimento, as andaduras estão corretas, a postura do cavaleiro, o ritmo e, dou uma nota para cada movimento obrigatório que eles tem que executar. O julgar vem com a experiência, sou juiz nacional mas, estou no primeiro nível, estou começando. Como delegado técnico eu não julgo, eu sou um fiscal e um consultor técnico. Eu faço a conferência sobre o tipo de prova que está sendo realizada, se tem os critérios determinados, por exemplo, uma ou duas estrelas, vou conferir e ver se está tudo de acordo com a regra. Depois, fico lá como um consultor do juiz ou de atletas que possivelmente tenham alguma dúvida. Eles me procuram e estou para auxiliá-los, sou um fiscal e um conselheiro”, disse. 

Cursos e competições 

“Nas provas comparecem uma equipe de oficiais, tem o armador de percurso que vai planejar o percurso a ser seguido na prova, ele é muito importante. Tem o juiz, tem os veterinários, que vão atestar o bem estar dos cavalos, tem o delegado técnico que vai conferir tudo e tem os comissários. Para todos esses é exigido cursos específicos. A duração dos cursos depende do nível, por exemplo, cursos internacionais tem duração de 4 dias. O último que fiz, em 2018, para delegado técnico, foram de 4 dias no Canadá. O investimento é todo meu, desde ir para o Canadá, pagar minha inscrição, passaporte, visto, estadia tudo por minha conta. Agora eu tento recuperar trabalhando em competições. Estou em uma lista da Federação Internacional, então, qualquer país pode me convidar, vou passar meu custo, honorários e despesas para poder ir, eles podem me contratar ou não”, falou. 

“Eu fiz um curso de comissário de CCE da Federação Equestre Internacional na escola de Equitação do Exército do Uruguai, no final de 2019, na cidade de Tacuarembó, Uruguai. São cursos que precisam da avaliação prática, precisa ir para campo, então, você assiste o curso, no final é feito uma prova e tem a banca examinadora, normalmente são pessoas que trabalham nas Olimpíadas, os melhores do mundo te avaliando, para poder subir e trabalhar em competições de nível maior, renovar ou ser rebaixado, caso não cumpra os requisitos. 

No Brasil, temos por volta de cinco competições de nível internacional ao ano, enquanto que na Europa tem uma por final de semana. Aqui não conseguimos experimentar coisas diferentes, uma competição de CCE tem 100 competidores, nos Estados Unidos são 500. Os atletas de alto rendimento vão morar fora do país porque eles também precisam de volume de competição. Para progredir na minha carreira tenho que passar uma temporada na Europa. Mas nós estamos melhores, por exemplo, eu fui trabalhar no Peru em uma competição para apenas 2 atletas”, revelou. 

Olimpíadas

“Quando eu peguei a minha habilitação internacional em 2014, fiz um estágio pela Federação Equestre Internacional, eles pagaram a minha despesa, fui para os Estados Unidos, depois fui para Colômbia e Peru duas vezes e também fui para a Austrália. Geralmente eu saio na terça-feira e volto no domingo assim que termina a competição, que acontecem de quinta a domingo. Devido a minha carreira de oficial de provas, fui convidado para trabalhar nas Olimpíadas do Rio 2016. Os juizes que vem para as Olimpíadas são os melhores do mundo, porém, é necessário uma estrutura de apoio para a competição e, essa estrutura é feita por oficiais com qualificação. Fui convidado para trabalhar tanto para a Olimpíada como para o Panamericano de Lima 2019. Eu tenho minha qualificação internacional mas, não a ponto de ser convidado para ser um juiz de Olimpíadas. Nas Olimpíadas do Rio, eles pagaram a minha passagem e recebi por trabalhar, fiquei hospedado na Vila Olímpica de oficiais, onde só tinham juizes e pessoal técnico, com toda estrutura de hotelaria. Tinha o pessoal de hipismo, tênis, mídia olímpica, todo mundo, com transporte que nos levava para as provas. Um motorista me buscou no aeroporto, tinha auxilio lavanderia, uniforme, todo um pacote. Diferente dos voluntários que ganharam apenas uniforme e a alimentação no dia em que trabalharam e um auxílio metrô, as demais despesas eram por conta de cada um. Eu liderava uma equipe com 50 voluntários, e faltou muitos, esperava uma equipe de 90 pessoas. Desse pessoal só duas pessoas tinham experiência no hipismo, os outros estavam lá pela experiência olímpica mas, respeitei todos os voluntários. Minha estadia foi de 10 dias, sendo 4 dias de competição. Especificamente, eu atuei em um dia só de competição mas, todo preparo anterior desde organização de material, auxiliar o preparo do local de competição e treinar a equipe, participei porque cheguei antes da Olimpíada começar. A Federação Equestre Internacional deu um presente pra gente nos levando para assistir a abertura dos Jogos Olímpicos, foi um privilegio, eu não sabia, foi falado no dia”. 

“O meu contato com os juizes internacionais foi antes, todo o preparo, todas as reuniões que tínhamos com esse pessoal aconteceu um ano antes das Olimpíadas, porque teve um evento teste, de quase dez dias. Tive a oportunidade de trabalhar nesse evento teste e esses juizes já estavam nesse evento. Toda reunião de planejamento e, como eu era um dos poucos brasileiros, porque são poucos oficiais no Brasil, eu participei de todas as reuniões para poder passar o feedback do que estava observando, o que precisava melhorar com os voluntários e o que estava ou não funcionando. Valeu pela experiência, por ser convidado a trabalhar numa Olimpíada foi, do evento teste, que surgiu o convite para ir para a Austrália. Eu vi que nas Olimpíadas era algo cinquenta vezes maior que o meu dia a dia, fui aprendendo muitas coisas e depois fui colocando em prática nas nossas competições no Brasil, foi uma experiência espetacular”, Gabriel detalhou.

Lima 2019: Ataíde Pereira (Delegado Técnico da Competição), Ademir de Oliveira (Técnico da Equipe Brasileira de CCE), Laura Rossetti (Oficial Técnica), Ruy Fonseca (Atleta da Equipe Brasil de CCE) e Gabriel (Oficial Técnico)

Tarefas olímpicas  

“Tínhamos que garantir que tudo estivesse pronto para a competição. Fiquei numa das provas do CCE que é o cross. Eram 600 pessoas trabalhando no dia do cross, que é aquele percurso de obstáculos naturais de 10 minutos, 5 quilômetros e o público ficava andando ali no meio. A minha função específica, era garantir a operação da travessia do público, porque o público passava no trajeto do cavalo. Eu tinha que coordenar, quando o público podia o não passar. No dia a dia eu estava no escritório ou andando, carregando placas, posicionando e treinando o pessoal. Eram muitos detalhes, tinha que marcar onde as pessoas podiam passar ou numa emergência, a ambulância. No dia da competição eu tive um problema porque me colocaram numa equipe mista (de 50 voluntários) que falava só inglês ou só português, eu tinha que fazer a tradução. A minha assistente principal era australiana e só falava inglês, eu tinha dois rádios na minha orelha, um com o centro de comando que era só em inglês e outro com minha equipe que era só português mais as pessoas que vinham falar comigo presencialmente. Fiquei sabendo disso dois dias antes. No dia da competição o expediente começou as cinco da manhã e foi até as três da tarde. Nos outros dias começava as oito horas da manhã até cumprir meu serviço, teve dia de sair as dez da noite. Como estamos no Brasil, é tudo até a última hora, recebia o guarda-sol que estava na competição do tênis as dez da noite e tínhamos que deixar pronto para o outro dia, então, tinha que entregar aquilo que eu fui chamado a fazer. Como era uma vitrine, queria fazer sempre o melhor possível, sendo que tinham pessoas responsáveis por mim, a palavra final nunca era a minha”.

“No Panamericano, em 2019, em Lima, no Peru, eu tive uma responsabilidade maior, uma equipe de voluntários maior e um serviço mais complicado, apesar de ser uma estrutura menor que no Rio 2016. Éramos quatro oficiais técnicos contratados, ficamos em hotel, não foi vila olímpica, permaneci lá por sete dias. Era uma estrutura menor mas, mesmo assim, é de impressionar. No Panamericano continuei trabalhando no cross, só que dessa vez eu fui responsável por todos os serviços. Eles dividiram o cross em cinco partes, um delas era minha, tudo o que acontecia ali, eu que gerenciava, desde controle de público, de quem julgava, quem era o fiscal dos obstáculos, toda equipe médica, todos veterinários, toda equipe de manutenção, tudo o que eu tinha no meu setor eu que gerenciava. Foi uma outra experiência, um dos voluntários era cadeirante e, não são lugares tão acessíveis, é um terreno gramado, com areia, imagine movimentar uma cadeira de rodas em um terreno desses e, ele fez tudo muito disposto, se esforçou, trabalhou super bem, foi muito legal isso, ele poderia falar que não iria se esforçar, dizer preferir outro lugar. São muitas lições que eu fui aprendendo. Então, são experiências que vão agregando. Às vezes é cansativo, eu me irrito mas, nas competições a regra está lá para ser cumprida, não tem entrelinhas e a regra é para todo mundo, nesse ponto sou criterioso. Isso me deu mercado, como delegado técnico nas competições de CCE aqui no Brasil, eu estou em todas as competições já faz uns três anos e, é o organizador que me convida, não é uma imposição de ninguém, o organizador tem a liberdade, inclusive nas competições organizadas por militares, que eles tem juizes militares sem custo, hoje, eles optam por me pagar para ir trabalhar do que usar o pessoal deles de graça. Tenho um mercado muito bom para trabalhar”, diz.

Lima 2019:Gabriel sentado ao centro da equipe de voluntários do Panamericano, em Lima, no Peru

Experiência para o Brasil

“Eu trabalhei como oficial de competições fora do Brasil e pegando dois extremos como exemplo, Austrália e Estados Unidos, mostra que temos muito a crescer no Brasil. Porém, quando fui para a Colômbia e Peru percebi que no Brasil estamos num nível muito bom, temos mais praticantes. Embora termos que crescer no número de praticantes, é isso que vai dar um volume para conseguir ter um atleta de alto rendimento. Hoje, temos um jovem que mora na Inglaterra, foi reconhecido por um técnico neozelandês e se mudou com 17 anos. Eu o conheci, na época dele tinha outros vinte e só restou um. O entrave principal é o financeiro, também coincide com a época de entrar para a faculdade o momento dos treinos para chegar no alto rendimento de um atleta brasileiro. Se manter no esporte, se dedicar, seria não cursar uma faculdade, ou cursar uma faculdade noturna. Não se consegue manter um alto rendimento fazendo uma faculdade de engenharia em tempo integral, aula de manhã, tarde e fazer trabalho a noite. Os atletas de CCE de alto rendimento a grande maioria vive disso, tem algumas exceções que começaram mais tarde, temos pessoas que tem todo o aporte financeiro por parte da família, são formados em faculdade mas, que tinham todo o recurso para manter os treinamentos e os animais, então, hoje o financeiro interfere muito” .

Retomada das competições depois da pandemia

“Está acontecendo algumas competições com todas as medidas de controle. No calendário teve algumas provas espaçadas e outras foram canceladas mas, voltar ao normal, só quando todo mundo tomar vacina. Acredito que as competições possam voltar sim, é um pouco mais fácil porque temos espaços abertos. Tem que ter máscara pra todo mundo, dependendo da competição, o juiz é obrigado a fazer o teste de Covid-19 para ir trabalhar, as prefeituras para dar o alvará tem exigido testes. Teve competição com patrocínio de laboratório, montando a tenda de testes rápidos, na entrada do evento. Ninguém entrava sem exame, tem certo controle e nas competições que participei foram bem abertas e no júri tem o distanciamento e uso de máscara sempre. Eu não permito tirar a máscara nem para comer, peço pra comer lá fora, perto de mim não. Vai quê. Fui para o Rio de Janeiro em curso nacional que eu precisava fazer, esse ano, voltei com dor de garganta, no outro dia fui fazer o teste do cotonete. No avião e no aeroporto tava uma aglomeração, fila pra pegar mala, fila pra despachar, não tinha distanciamento aí, eu assusto um pouco, por hora estou tomando cuidado, a minha parte eu faço”, concluiu Gabriel.

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