“O sol não se põe no Império Britânico”, essa expressão surgiu devido as conquistas territoriais ao longo da histórica pela Coroa Britânica. Uma das últimas localidades a ser habitada por seus colonizadores foi a Nova Zelândia, um país no sudoeste do Oceano Pacífico formado por 2 ilhas — ilha sul e ilha norte — ambas marcadas por vulcões e glaciações, paisagens litorâneas que lembram o Brasil, geleiras espetaculares, vastas planícies e cidades cosmopolitas com ares europeus na arquitetura, clima californiano e uma influência cultural polinésia, asiática e britânica. Hoje, com uma população perto de 5 milhões de habitantes, é um país exemplo para o mundo quando relacionado as ações do combate, prevenção, cuidados e controle de menos de cem casos da Covid-19.

Paisagens da Nova Zelândia: Picos nevados, praias paradisíacas, rios e cachoeiras exuberantes e um lago na caldeira do vulcão

Para nos relatar a vida nesse país do outro lado do mundo, que está sempre no futuro, “sempre um dia a frente do resto do mundo”, conversamos com o casal Letícia Soares Cruz Neto e Edjeorgton Neto Gomes. Letícia é natural de Rio das Ostras, RJ, entretanto, morava na cidade do Rio de Janeiro quando conheceu Edjeorgton em 2010. Um acaso do destino fez o casal conhecer a Nova Zelândia; o irmão de Edjeorgton vivia lá e, não pode vir para o enterro do pai e visitar a família, por isso, proporcionou a viagem de seu irmão até o país para se encontrarem, em 2012. Durante a estadia Edjeorgton recebeu uma proposta de emprego no ramo em que atuava de Tecnologia da Informação (T.I.), e lá perguntou à Letícia se ela teria coragem de mudar de país. “A gente nem tinha filho na época, eu falei sim! Éramos solteiros, eu trabalhava no banco, ele tinha empresa de T.I. e já tomamos essa decisão. De volta ao Brasil, nasceu nosso filho Erick em 2013 e começamos a pensar na mudança. Quando ele recebeu uma proposta de trabalho, achamos viável. Em 2014, ele comprou a passagem e veio”, descreveu Letícia. 

Vivendo no futuro

Em dezembro de 2014, Letícia segue para Nova Zelândia com o filho de um ano e seis meses. Ela deixa sua carreira de bancária aqui no Brasil, e começa uma nova experiência de vida do outro lado do mundo. “Pedi as contas do Santander, onde entrei como estagiária e cheguei a gerente de pessoa jurídica e mudei. Naquela época era possível chegar como turista e permanecer de três meses a um ano e, dentro desse prazo era possível conseguir o ‘work visa’ (permissão para trabalho), abrir conta em banco para receber o pagamento, porque é ilegal receber o salário diretamente em dinheiro”, contou.  

Além de novos costumes, hábitos e peculiaridades é preciso entender como é possível viver na Nova Zelândia, um país formado majoritariamente por imigrantes, tudo começa com o tipo de visto de permanência no país, para poder usufruir do sistema de saúde e conseguir trabalho, por exemplo. Letícia descreve, “o meu visto é baseado na minha relação com meu esposo, eles me garantem o visto mas, tenho que provar que nossa relação é genuína, somos casados, vivemos juntos, onde as pessoas podem provar que realmente nos somos um casal, assim tenho o visto chamado ‘Partnership Visa Work Visa’. O meu esposo é contratado de uma empresa e atua no ramo de T.I., ele tem o ‘Essential Skills Work Visa’, ele só pode trabalhar para a empresa onde ele trabalha, na área que ele trabalha, na posição que ele trabalha, e o número de horas que está no contrato, pela duração do visto. Ele só pode ter o salário da empresa que está no visto, ele tem que trabalhar para essa empresa durante o período de três anos, que é o tempo que a imigração garante o visto para ele. Comigo já é diferente, posso trabalhar onde eu quiser, pra quantos empregadores eu quiser, se eu quiser trabalhar freelance, sozinha, também posso, e o número de horas que eu quiser. O meu visto é baseado na relação que tenho com meu esposo e não relacionado com o visto que ele tem. Existem pessoas que não sabiam como funciona essa questão do visto, e aplicaram para ‘Visitor Visa’ e não puderam trabalhar. Devido a pandemia a decisão do governo foi renovar os vistos de acordo com o critério de cada visto já emitido. O nosso foi renovado por 6 meses, depois do lockdown recebemos a informação que teremos que ficar renovando esse visto até eles decidirem abrir novamente para visto de residente, que era o que estávamos pedindo antes da Covid. Estou num processo burocrático porque tenho que provar muita coisa, por exemplo, que minha relação de casada é estável, então, é um pouco chato ficar juntando esses documentos, mas é tudo online, no site da imigração. Paga-se uma taxa pelo tipo de visto e, eles vão analisar se os documentos estão de acordo, normalmente o prazo é de três meses para darem uma resposta”, explicou.

A primeira cidade que foram morar foi Dunedin, a principal cidade da região de Otago, em termos populacional é a sétima cidade do país, com 111.565 habitantes, “é uma cidade de clima frio (a temperatura varia de 4 °C a 18 °C, raramente é superior a 22 °C), localidade remota, já foi a capital de negócios do país e abriga a principal faculdade de medicina. Nessa cidade experimentamos terremoto, neve e o maior período de chuvas dos últimos 40 anos”, revelou.

Erick, Leticia, Liam e Edjeorgton na Nova Zelândia

Em 2015, mudam-se para Auckland, a maior cidade da Nova Zelândia, principal centro financeiro e econômico, sua população estimada em 1.413.700 habitantes. Letícia conta que a mudança foi devido a uma nova proposta de trabalho para seu marido, “os empregos na Nova Zelândia são regidos por contratos e não por registro em carteira de trabalho, como acontece no Brasil. Existem muitas empresas de RH que recebem os currículos e fazem as primeiras entrevistas com os candidatos, antes da empresa. É muito comum vagas de ‘Personal Assistant’ ou ‘Executive Assistant’, além de uma lista dos profissionais mais requeridos no país, são as ocupações sempre em alta. Se a sua profissão está em alta, já é contratado na hora, ter experiência no país ou fora dele, não é levado em consideração. A quantidade de horas que você trabalha também é relacionado ao tipo de visto de permanência, por exemplo, quem tem ‘Visitor visa’ ou ‘Student visa’, com menos de 3 meses, não pode trabalhar e ‘Student’, por mais de 3 meses, somente trabalha 20h semanais”, explicou.

Auckland: É comum nos bairro ter um centro de compras, com bancos, agências postais, supermercados e os mais diversos comércios

A vida na cidade

“Aqui nos bairros existem mini centros, tem shopping mall, (algo semelhante as galerias no Brasil), abrem todos os dias mas fecham às 17hs, apenas quinta e sexta fecham às 21hs, é onde ficam os bancos e os supermercados.  Pelos bairros também tem centros esportivos, parques e playground. Os supermercados não vendem bebidas destiladas, apenas cerveja, vinho e cidra. As lojas autorizadas a venderem bebidas alcoólicas são chamados Liquor, geralmente tem duas em cada bairro. Os Grandes magazines (Kmart e The Warehouse), fecham às 22hs independente da estação do ano, são uma opção para os supermercados que fecham mais cedo. As cafeterias não vendem bebidas alcoólicas e fecham às 15hs. Certamente chegando quinze minutos antes, não importa o número de pessoas, eles vão dizer que a cozinha já está fechada, e não tem medo de falar, ‘por favor se retirem’. Os bares de baladas vão até a uma da manhã, a polícia vai até esses lugares, e as pessoas não podem ser encontradas bebados dentro de um restaurante, bar ou clube se não o espaço comercial toma uma multa. Todo lugar que vende bebida alcoólica tem que ter comida, e a primeira coisa que servem à mesa é água, porque são obrigados e não tem custo — água mineral de torneira que é tratada e todo mundo consome. Tem alguns clubes que tem autorização para fechar às 4 da madrugada mas quando é 2:30 o DJ para o som, desliga tudo, acende as luzes e fala que ‘tá na hora de ir para casa’. Se algum segurança notar alguém cambaleando pelos cantos, ele vai solicitar que a pessoa se retire ou vai pedir pra sentar e chama um taxi para levar para a casa.

Em 85% do país a comunicação, desde placas nas estradas a sinais na porta dos banheiros, é bilíngue Inglês e Maori, que é o idioma do povo nativo da Nova Zelândia, inclusive, nas escolas é ensinado o idioma e a cultura Maori, meus filhos aprendem os dois idiomas. Isso acontece em todas as escolas. Se você nasce branco aqui na Nova Zelândia é considerado ‘kiwi’, se tem descendência do povo nativo é Maori. Existem rádios e canais de televisão exclusivamente Maori, quando a primeira ministra faz um pronunciamento a nação, ela cumprimenta a todos dizendo ‘kia ora’, que é saudação informal equivalente a ‘olá’. Eu acho isso muito bonito da parte deles. Aqui você também aprende um senso de comunidade, aprende a dividir, a comprar coisas de segunda mão, as pessoas doam muitos moveis e utensílios. Quando chegamos nunca tínhamos visto, não tem isso no Brasil, nós ganhamos colchão, cama, sofá, uma impressora Wi-Fi que estava parada um ano porque tinha que comprar o cartucho de tinta. Tem uma rede social da vizinhança (neighbourhly), e é fácil encontrar pessoas que doam uma hora do dia para cortar a grama de quem precisar ou duas horas para poder cuidar do seu gato ou de seu cachorro, podem também ensinar alguma atividade voluntariamente”, descreveu Letícia.

Praia: “Takapuna Beach, onde moro”.

O sistema de saúde

O sistema de saúde conta com hospitais e clínicas, são nessas clínicas que atuam os médicos da família, “em nosso bairro somos cadastrados na clínica de saúde e pagamos um valor irrisório apenas pela consulta com o médico da família que é sempre o clínico geral. A consulta médica varia entre 30 a 40 dólares neo zelandês (NZ$), isso depende de qual tipo de visto a pessoa tem no país. Só paga quem tem de 14 a 65 anos, crianças abaixo de 14 anos e gestante estão isentas. Na área da saúde tem o atendimento por telefone quando você liga para a clínica de saúde você fala diretamente com o seu médico, ele tem todo o seu histórico e não importa onde você for pelo país, com seu código de atendimento de saúde (NHI), sua data de nascimento e seu nome completo, eles tem acesso a todas as informações dos tratamentos que você já fez a partir do momento de seu cadastro na Nova Zelândia, isso inclui seu tipo sanguíneo, suas alergias, seu medicamentos de uso continuo, por exemplo. Se o médico receitar algum medicamento, não importa o remédio nem a quantidade, ele não custará mais do que 5 dólares neo zelandês. Na farmácia, eles vão lhe dar a quantidade exata para seu tratamento, anotando na caixa a receita que o médico prescreveu, seu nome e o nome do médico. Claro que a farmácia é aberta e vende todo tipo de medicamento, caso queira comprar um remédio que não precise de prescrição o custo será pelo valor comercial, que é bem mais caro. 

O exame de sangue e de urina se precisar fazer, não é cobrado. São custos subsidiados pelo governo mas, só é feito exame com pedido médico. No caso de gravidez, não importa o visto, não é pago o atendimento, aqui existe a doula (midwife). No caso de suspeita de gravidez é solicitado o exame de sangue, em caso positivo o primeiro ultrassom é feito quando tem 12 semanas e, a doula, que é uma enfermeira formada em conhecimento de obstetriz, vai provendo os cuidados de saúde às gestantes. Não se faz nenhuma consulta com médico enquanto essa enfermeira não disser que isso seja necessário. Os atendimentos são mensais, depois passa para quinzenais, depois semanal, nesse tempo é possível escolher o tipo de parto, se será em casa, se será na água, no hospital. 90% dos partos são normais, só fazem cesária para os partos com risco. Meu primeiro filho Erick nasceu no Brasil e o segundo filho, Liam, nasceu aqui e, a diferença foi absurda, o atendimento aqui foi muito mais tranquilo.

Na rede hospitalar da Nova Zelândia é frequente o tratamento de câncer de pele e de intestino, muito desses pacientes questionaram como ficariam os tratamentos de quimioterapia e exames regulares, durante o lockdown imposto pela Covid-19. Foram cancelados todos os tratamentos e cirurgias durante 4 semanas, atendendo apenas online, por telefone, como já existe. Eles criaram um canal para a Covid-19, eles te orientavam se os sintomas eram pra ficar em casa ou ser testados para covid-19.

Atitude rápida contra a contaminação da Covid

A primeira-ministra Jacinda Ardern, diante dos dados de contaminação, em 24 de março de 2020, anunciou uma quarentena nacional, o país contava com 102 casos e nenhuma morte. “Existia um monitoramento através da tecnologia de dados, pelos agentes do governo e, a projeção de contaminação por Covid-19, quando eles apresentaram os dados para a primeira-ministra, alertando que se ela não tomasse uma atitude rápida a contaminação seria de milhares de pessoas, principalmente idosos. Tem muitos idosos por aqui, tem diversos resorts que são casas de repouso, eles ainda dirigem seus próprios carros apesar de seus oitenta e tantos anos. Então, o governo, estava muito preocupado com essas pessoas. A ministra falou em ‘agir rápido, consciente e duro’. A primeira atitude anunciada foi ‘todo mundo fica em casa’”, disse Letícia. 

Praias, calçadões à beira-mar e parquinhos, escritórios e escolas, bares e restaurantes também foram fechados, inclusive para retirada e entregas. “Foi proposto criar quatro níveis de isolamento, para o país inteiro, começando pelo mais rígido — level 4 —, ninguém sai de casa pra trabalhar, a não ser serviços essenciais; médicos, enfermeiros, policiais, bombeiros e o pessoal que trabalha nos supermercados (comida é essencial). Só podíamos sair para supermercado, fazer caminhadas no quarteirão, respeitando o distanciamento. Os casos de contágio foram aumentando de 3 para 11. Era mais de quem vinha de avião dos países que tinham casos. Ficamos no nível de restrição 4 por 4 semanas, depois que a contaminação começou a diminuir, reduziram o nível para 3, restaurantes e cafés puderam abrir para fazerem entregas ou a pessoa buscava seus pedidos. As pessoas contaminadas foram investigadas, por onde tinham ido, com quem tiveram contato, começaram a fazer o tracing (rastreamento/ monitoramento). O governo investiu em um aplicativo de tracing (rastreamento/ monitoramento) as pessoas instalaram no celular o trace app, qualquer lugar público ou empresas que as pessoas vão, existe um QR Code, elas escaneiam pelo celular esse QR Code, aí é marcado o horário e o dia em que esteve no local. Caso haja algum caso de Covid positivo em uma pessoa que passou pelo QR Code, o governo entra em contato com todos aqueles que passaram pelo local e registraram sua presença pelo aplicativo e solicitam para que essas pessoas façam o exame de Covid. Aqui, foram criados 4 hotéis para pessoas que chegam ao país ficarem em isolamento e um hotel para cuidar das pessoas que estão contaminadas. Sendo apenas um aeroporto internacional em operação, que fica em Auckland, todo mundo que chega em Nova Zelândia, chega por Auckland, aí eles vão direto para um hotel fazer a quarentena de 14 dias. E aí, foi diminuindo os casos, graças a Deus a gente não foi tão impactado nessa parte e fomos o primeiro país a voltar a vida normal”.

O governo investiu em um aplicativo de monitoramento, as pessoas instalaram no celular. Em qualquer lugar público ou empresas existe um QR Code na porta, ao escanear pelo celular é marcado o horário e o dia em que a pessoa esteve no local.

Os impactos iniciais da Covid

“Sobre os impactos em nossa vida, eu não tinha muita noção do que seria feito e depois do primeiro lockdown de nível 4 até chegar no nível 1. No terceiro lockdown absoluto, as escolas começaram a fazer ensino à distância, meus filhos tem 7 e 2 anos, o menor ia para creche, não teve nada pra fazer, ficava comigo em casa e o maior, todo santo dia, de segunda a sexta ele tinha tarefas pelo Google meeting, onde a professora passava exercícios de uma forma bem suave. Foi criado uma forma de interagir com os vizinhos e as crianças, começaram a colocar ursinhos de pelúcia (softy toy) nas janelas das casas e, as crianças tinham que contar. Isso virou uma febre nacional, envolvendo os policiais, as empresas que tinham pessoas trabalhando também aderiram a brincadeira com os ursinhos. Foi bem bacana essa atitude. O lockdown teve muita solidariedade com os vizinhos mais idosos que não podiam ir ao mercado ou se expusessem ao perigo de contaminação, as pessoas se ofereciam para fazer a compra de mercado e trazer nas casas, teve muita gentileza aqui, as pessoas são bem gentis, a ministra sempre dizendo: Be kind! (Seja gentil). 

O governo lançou uma linha de crédito para todas as empresas que não tivessem condições de pagar o salário integral de seus funcionários, o valor era referente ao salário mínimo do país. Nesta época eu estava trabalhando no banco ‘Kiwibank’ e, as pessoas sem muito entendimento do que estava acontecendo e toda a teoria da conspiração, estavam retirando o dinheiro de suas contas no banco, cancelando as aplicações de investimento, e no desespero retirando 30, 40, 120 mil achando que o país, o mundo, iria entrar em colapso financeiro, que não foi o caso. Era só uma questão de saúde e entendimento da situação”, Letícia relatou. 

Os estudos indicavam que a Nova Zelândia poderia ter mais de mil casos por dia se não tivesse entrado no bloqueio tão cedo. A localização remota da Nova Zelândia e as fronteiras facilmente restringíveis atuaram a favor do país quando o vírus eclodiu, dizem os especialistas. Mas o governo também foi elogiado pela clareza de suas mensagens durante a crise”, contou .

Mudanças de fase durante a pandemia 

“As restrições sempre eram de duas semanas, mas no final da primeira eles faziam uma análise, aí eles anunciavam mais uma semana ou mudança de fase em 3 dias, dando tempo para as empresas se organizarem, principalmente aquelas que serviam refeições. Em agosto foi o último lockdown nível 2, permite que todas empresas possam abrir desde que tenham o QR Code na porta de entrada, também é possível fazer eventos em restaurantes, com o número máximo de 10 pessoas juntas e distanciamento entre mesas. A partir de setembro fomos para o nível 1. Na virada do ano nós estávamos vivendo a vida normal, celebrando com nossos amigos e familiares, tivemos festa, queima de fogos na Sky Tower, principal ponto turístico de Auckland. Aí tivemos uma regressão para o nível 3 no meio de janeiro de 2021, porque uma pessoa pegou transporte público e contaminou o motorista do ônibus, o motorista contaminou a família e contaminou a maior parte da escola, em Auckland. Em 27 de fevereiro também houve a regressão para o nível 3. Depois do primeiro lockdown, nenhuma das outras cidades receberam o vírus, ficou concentrado as contaminações em Auckland porque o aeroporto internacional é aqui. Quebraram o isolamento duas vezes e aí tivemos que entrar em outros dois lockdown. As pessoas ficaram tristes, na parte de negócios porque as coisas estavam começando a andar de uma forma normal e muitos negócios estavam fechando principalmente os cafés. O governo estava incentivando bastante o turismo local, aqui é muito valorizado isso. No final de 2020 ficamos mais de 120 dias sem nenhum contágio, sem nenhum caso ativo. Tivemos 2.595 casos, 2.467 recuperados e 26 mortes ao todo”. 

“Agora, em abril de 2021, só estamos com quatro casos ativos, todos em isolamento. Estamos vivendo normal, literalmente”.

Vida que segue

“Agora, em abril de 2021, só estamos com quatro casos ativos, todos em isolamento. Estamos vivendo normal, literalmente. Se eu for para o Brasil eu não posso voltar se não tiver visto de ‘Permanent Resident Visa’. Quem tem visto de ‘citizen’ pode sair e voltar, se caso for de outro país e, precisem viajar, no caso de morte de um familiar ou ter que casar por causa de religião, no caso de árabes e indianos mas, eles voltam e tem que fazer quarentena. Tem que pagar pelo vôo e quarentena, tendo cidadania ou residência”, detalhou.

Vacinação

“Nesse momento, estamos recebendo vacinação para toda população, acima dos 16 anos. Eles começaram com os médicos e enfermeiros, o pessoal que estão na linha de frente dos aviões, porque ainda tem gente sendo expatriado, voltando para a Nova Zelândia (‘Citizen’ e ‘Residents’). Por isso que eu citei essa questão do visto de permanência no país, as pessoas que tem ‘Work Visa’, ‘Student Visa’, eles não podem voltar ao país, só quem é residente ou tem cidadania. 

A vida normal de agora é que antes, você não precisava marcar o lugar que foi, para lembrar que as 9h foi no mercado, as 12h foi na padaria. Todos os locais públicos, clínicas, lojas tem o QR Code, é o primeiro papel que você vê, é só passar o celular e entrar. É a sua consciência em fazer o seu ‘tracing’, você se policia em registrar sua entrada nos locais. Para os idosos ou quem não tem acesso a tecnologia, eles fazem em um caderno as anotações de seu nome, telefone e sua assinatura. Assim é o nosso novo normal, isso em todas as empresas aqui na Nova Zelândia. Meu esposo acabou de participar de uma feira de tecnologia para residências (Home entertainment), foram três dias de negócios e não teve caso de Covid. Existem 100 casos agora, estão todos em isolamento, são de pessoas que chegaram de outros países e são cidadãos da Nova Zelândia. A única coisa que mudou foi a obrigação do uso de máscara no transporte público (ônibus, metro, Uber) e o registro nos lugares, todo mundo respeita. Isso é conscientização, não é obrigatório, as pessoas são incentivadas a ter consciência de fazer o que é certo, e não custa nada pra quem tem um smartphone, se acontecer algum caso de Covid na área onde você mora, o governo entrará em contato solicitando para fazer o teste de Covid. Foi só isso que mudou.

A fronteira foi aberta hoje, 19 de abril, para Austrália e ilhas pacíficas, então, podemos viajar para esses lugares sem fazer quarentena. Na Austrália, em áreas específicas, estão seguindo o contact tracing daqui porquê funciona”, detalho Letícia.

A relação com o Brasil 

“Eu só tenho minha mãe e irmão, e as coisas não estão muito bem pra eles. Estão desempregados, falta de atendimento médico (minha mãe teve Zica e Chikungunya, e ficou com problemas nas juntas). Eu sinto falta dos meus amigos e familiares. Eu amo nossa cultura, nossa forma alegre de lidar com a vida, e aqui tem uma comunidade brasileira que sempre comemora nossas datas importantes. Eu ensino meus filhos sobre nossa cultura, nós falamos em português com eles, e eles são bilíngues mas, escolhi a Nova Zelândia pra ser minha casa e criar meus filhos, e os vejo crescendo aqui sem perigo nenhum, com baixa criminalidade, que quase podemos dizer, sem nenhuma. Eu planejo trazer minha mãe e irmão quando a fronteira abrir mas, voltar pra morar no Brasil não é uma opção pra gente”, finalizou.

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