Em dezembro de 2019, o Governo do Estado de São Paulo anunciou um projeto em parceria com a Google para adotar o Plus Code – um código de endereçamento criado pela empresa estadunidense – como endereço oficial de cerca de dois milhões de pessoas em áreas rurais. O serviço é direcionado para aqueles endereços que não estão mapeados em serviços web, como o Waze ou o Google Maps. 

O objetivo faz parte de um programa de mapeamento de 60 mil quilômetros de estradas rurais, com 340 mil propriedades não cadastradas. A ideia é individualizar o registro em casas com a tecnologia Plus Code e, com isso, promover a inclusão das propriedades nos mapas digitais. 

Tivemos conhecimento que no dia 26 de novembro, aconteceu a reunião do Conselho Comunitário de Segurança na unidade da Policia Militar de Mogi Mirim (SP). Durante a reunião foram discutidas medidas para a segurança rural e decidido sobre a centralização dos Plus Code de todos os produtores rurais do Município no Sindicato Rural de Mogi Mirim, informação que será compartilhada com a Policia Militar e a Guarda Civil Municipal, em casos de ocorrências na zona rural.

Para entender melhor como se dá a implantação do Plus Code para as propriedades rurais, as dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais e a expectativa do novo sistema de endereçamento, entrevistamos Carlos Antonio Pereira, gerente do Sindicato Rural Patronal de Mogi Mirim (SP). 

Primeiro à esquerda, Carlos Antonio Pereira, gerente do Sindicato Rural Patronal de Mogi Mirim (SP) / Foto: Carlos Fernandes

Jornal Pires Rural: Quando e como foi dado o início do mapeamento das propriedades rurais através da tecnologia, na região de Mogi Mirim? 

Carlos Antonio Pereira: O início aconteceu no ano de 2020, após diversas reuniões com o CONSEG (grupo comunitário de segurança) e com representantes da Guarda Municipal de Mogi Mirim. Após estudos e debates, foi acertado que a melhor forma para a operacionalização do projeto seria os produtores rurais obterem o plus code de suas propriedades, com vídeo instrutivo compartilhado (veja abaixo) em grupos de produtores, e, após terem o código encaminharem ao Sindicato Rural. 

Jornal Pires Rural: De que forma o Sindicato Rural de Mogi Mirim está participando do mapeamento? 

Carlos Antonio Pereira: Além de ser o protagonista da nomeação e identificação das estradas, mapeando a zona rural do município, o Sindicato Rural é o elo, pois, realiza a catalogação dos códigos em uma planilha, junto do nome da propriedade e do produtor rural, e compartilha esses dados com a GCM e a PM, para que nos casos de ocorrências o produtor não precise passar o código para a guarda, apenas seu nome e o nome da propriedade, e o guarda que estiver de plantão terá acesso facilitado a rota. 

Realizamos também o treinamento com plantonistas da GCM de Mogi Mirim para a utilização/solicitação do Plus Code ao atender as ocorrências. 

Foi uma maneira simplificada que encontramos para utilizar uma ferramenta gratuita, no caso o google maps, para diminuir o tempo de resposta em ocorrências e fortalecer a segurança rural. 

Reunião do Conseg Mogi Mirim/ Foto: Carlos Fernandes

Jornal Pires Rural: Quantas propriedades rurais serão beneficiadas com o acesso à tecnologia Plus Code? 

Carlos Antonio Pereira: Cerca de mil e quatrocentos propriedades. 

Jornal Pires Rural: Qual é a maior dificuldade e consequências do produtor rural da região de Mogi Mirim, por não ter tido até então, um serviço de código postal individualizado? 

Carlos Antonio Pereira: A maior dificuldade é em relação ao difícil acesso às propriedades, muitas vezes o atendimento a ocorrências é maior. No ano de 2015, foram implantadas as MMR, em que foi realizada a nomeação das estradas rurais, e logo após a identificação com placas, porém, ainda existiam dificuldades para identificar uma propriedade sem o código postal individual. 

Por conta do difícil acesso a serviços de saúde, segurança, entregas e vários outros são afetados, alguns não realizam entregas na zona rural, e outros tem o tempo de resposta muito maior que o habitual. 

Treinamento com plantonistas da GCM de Mogi Mirim/ Foto: Carlos Fernandes

Jornal Pires Rural: Quais são os benefícios que o Sindicato Rural de Mogi Mirim vislumbra a partir do mapeamento das propriedades rurais? 

Carlos Antonio Pereira: Considerando o alto índice de furtos e roubos de tratores, máquinas e implementos, o principal benefício é a agilidade no atendimento de ocorrências, já temos casos de produtor rural que utilizou o plus code em um momento em que estava sendo vítima de uma tentativa de roubo em sua propriedade, a GCM foi encaminhada muito mais rápida do que o habitual, e a tentativa foi frustrada. 

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