José Eduardo Heflinger Júnior, limeirense, conhecido carinhosamente como Toco, é um destacado e reconhecido pesquisador no assunto do Berço da Imigração Europeia pelo Sistema de Parceria, fato ocorrido em meados do século XIX no Brasil, onde os imigrantes vieram para trabalhar nas fazendas de café, em especial na região de Limeira (SP). Em seu novo livro “Um Conto de Fada da Imigração Alemã”, 28º livro bilíngue investigando a história da imigração europeia no Brasil, Toco revela a história de Catharina Drenkhahn e seus desdobramentos. “É uma história linda, realmente um conto de fada, que merece ser conhecido”, descreve. 

De acordo com as pesquisas de Heflinger, a história se passa na região de Limeira (SP) e tem como cenário a Fazenda Ibicaba, procedente da divisão da Sesmaria do Morro Azul, adquirida em outubro de 1817 pelo bacharel Nicolau Pereira de Campos Vergueiro (futuramente Senador Vergueiro), no qual destina vinte mil réis para ter a posse de 800 braças de testada, ou seja, uma rata de terra pertencente à Sesmaria do Morro Azul, com sítio e cultivados e, posteriormente, essa área foi aumentada com novas aquisições. Nessa propriedade, ocorreu a primeira experiência imigratória empregando europeus na cultura do café pelo Sistema de Parceria. O fato marcante da história do livro tem início na década de 1850, Maria Umbelina Gavião Peixoto e seu marido José Vergueiro, filho do Senador Vergueiro, perderam seu único filho. O casal adotou uma órfã de aproximadamente um ano de idade, filha da imigrante alemã Catharina Drenkhahn, que, logo depois de ter desembarcado em Santos (SP), faleceu de febre amarela. O casal criou a menina que tinha o mesmo nome de sua mãe, Catharina. Em 1872, Catharina casou-se com o alemão Franz Detlef Brune, imigrante germânico que ocupava o cargo de diretor-comercial da Fazenda Ibicaba, então, situada na “Freguezia de Limeira”. Heflinger comenta, “Catharina é adotada por essa ilustre família Vergueiro e ganha uma ótima educação. O casal Catharina e Franz Brune tiveram nove filhos, sendo a primogênita, Carlota Brune”, diz. 

José Eduardo Heflinger Júnior encostado em uma placa do terminal de ônibus, na cidade de Genebra na Suíça, vestindo um sobretudo preto, chapéu preto e óculos de grau
José Eduardo Heflinger Júnior em Genebra na Suíça

Heflinger teve contato com essa historia através da neta de Carlota Brune,  Dra. Lotte Köhler, doutora em medicina e psicanalista, residente na cidade alemã de Munique, presidente da “Köhler Stiftung”, fundação que apoia a ciência e promove projetos de pesquisa no campo da medicina, no campo psicológico, especialmente a convivência humana no passado, presente e futuro. 

Heflinger relata, “os textos que publico neste livro “Um Conto de Fada da Imigração Alemã”, reúne uma série de relatos baseados no cruzamento de documentos originais datados do século XIX, encontrados em arquivos brasileiros e europeus, imagens e documentos resgatados em Munique, contendo as fotos das principais dependências e dos escravos africanos da Fazenda Ibicaba, além do texto escrito em alemão arcaico por Carlota Brune, filha de Catharina Drenkhahn, imigrante oriunda do Schleswig Holstein, que faleceu de febre amarela pouco tempo depois que chegou a Santos”, enfatiza o pesquisador. 

Catharina sentada em uma cadeira, usando vestido longo branco e chapéu branco, com a filha pequena em seu colo, usando vestidinho branco e chapeuzinho branco
Catharina Drenkhahn e sua primeira filha Carlota, dona do diário de memórias que retrata a história do livro.

Heflinger também destaca, “vale a pena mencionar que a Dra. Lotte, hoje com 95 anos, presidente da “Köhler Stiftung”, colaborou no financiamento de treze viagens de longa duração, que empreendi com minha esposa para a Alemanha, Suíça, Portugal, França, Bélgica, Holanda, Itália e outros países europeus, cujos cidadãos emigraram para trabalhar nas fazendas de café do Brasil Imperial. Em 2005, a “Swiss International Air Lines” participou, concedendo-me as passagens a título de cortesia, atendendo à solicitação dos queridos Giambattista Mondada e Roland Rietmann, então Cônsules Gerais da Suíça, que, assim como o Consulado da Alemanha, apoiaram o projeto desde o início”.

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Em 1851, Catharina Drenkhahn, uma jovem residente em Haby, aldeia situada no Kaiser Wilhelmskanal, distrito de Rendsburg-Eckernförde, estado de Schleswig-Holstein (hoje, norte da Alemanha), teve um caso e engravidou de um soldado dinamarquês chamado Niels Christensen. Os pais de Catharina expulsaram a filha de casa por causa da gravidez ilegítima. O soldado não queria saber da criança, que levou o mesmo nome da mãe. Sem muitas opções, Catharina Drenkhahn imigrou para o Brasil com a filha. Em 1853, enquanto trabalhava na empresa “Theodor Willie”, ligada ao ramo do café, instalada em Santos (SP), Catharina contraiu febre amarela e morreu, deixando a filha com dois anos incompletos. A pequena Catharina foi adotada por José Vergueiro, filho do senador Nicolau Pereira de Campos Vergueiro, dono da célebre Fazenda Ibicaba, então situada em Limeira (SP), atualmente situada em Cordeirópolis (SP). Esse é o mote do livro de José Eduardo Heflinger Júnior: “Um Conto de Fada da Imigração Alemã”, que está sendo lançado neste mês, com incentivo da Lei Rouanet, ação administrada pela Secretaria Especial da Cultura, sob direção do Ministério da Cidadania, e patrocínios da Cirúrgica Fernandes e da Usina Santa Lúcia.

Os diários da imigração de Franz e os escritos de sua filha Carlota também fazem parte do livro e compõem um incrível painel histórico do período. Carlota conta, por exemplo, sobre visitas importantes na Fazenda Ibicaba, como as do imperador D. Pedro II, do mandarim Tong-King-Sinq e do príncipe Heinrich, da Prússia. “A história prossegue com a volta da família Drenkhahn/Brune para a Alemanha, onde Carlota se casa com Albrecht Schmidt, destacado membro do partido nazista. Após o casamento, Carlota adota o sobrenome do marido”, conta.

Carlota é a primeira à esquerda na foto, usando vestido branco e cabelo preso está a frente de seus quatro irmãos adultos, todos usando paletó preto
Carlota (Brune) Schmidt e seus irmãos, quando da volta da família para a Alemanha

Carlota (Brune) Schmidt, que morreu em 1965, dá nome ao banco de dados criado por Heflinger, diretor do “Carlota Schmidt Memorial Center” (Limeira/SP), sobre a imigração europeia pelo sistema de parceria no Brasil. O Dr. Rudolf Schallenmüller, Cônsul Honorário da Alemanha em Ribeirão Preto, é o autor do prefácio do livro e destaca a obra como um acontecimento de grande importância, tanto para a historiografia brasileira, quanto para a consciência político-social atual. Vale destacar o incrível acervo de fotos, ilustrações e documentos presentes no volume, constituindo, ao mesmo tempo, uma leitura apaixonante e um grande registro histórico.

Albrecht, com 75 anos, está usando um sobretudo cinza e um chapéu cinza escuro, Carlota, com 64 anos, ao seu lado direito usando um sobretudo preto com um detalhe de broche de flor de tecido e um chapéu cinza claro com alguns botões preto no vinco e a aba levemente inclinada para o rosto
Carlota e seu esposo Albrecht Schmidt no ano de 1939

O livro “Um Conto de Fada da Imigração Alemã” pode ser encontrado na banca IV Centenário da praça Toledo de Barros, em Limeira. Também pode ser comprado pelo Disk-Livro: (19) 3444-8810 ou 99643-2855 (apenas WhatsApp, ambos os números apenas em horário comercial), com entrega grátis para a cidade de Limeira, ao custo de R$ 50,00. Através da página do livro no Facebook é possível conhecer um pouco mais sobre ele: https://www.facebook.com/LivroUmContoDeFada. Informações e pedidos também podem ser feitos pelo e-mail imigracao.resgate@hotmail.com.

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