Na foto acima: Família de Maira Gonçalo em passeio "nos tempos atuais”. 
O casal Liliane e Júlio Bôro moradores de Iracemápolis, SP.

Buscando exemplos para entender como os hábitos das pessoas foram afetados pela pandemia da Covid-19 e quais foram as mudanças em suas atitudes, as necessidades, o medo, o trabalho e como está a rotina depois de um ano de pandemia, conversamos com dois farmacêuticos, atuantes no setor de farmácias, serviço essencial que não paralisou por nenhuma regra de lockdown, não houve trabalho em home-office, sendo um atendimento linha de frente. Leia os depoimentos de Maira Gonçalo que deseja ser vacinada em breve e também de Júlio Bôro que teve a felicidade de já ser vacinado, ambos relataram como ficou a vida depois da Covid-19;

Um close do rosto de Maira Gonçalo usando máscara
Maira Gonçalo no trabalho na farmácia

Maira Gonçalo, 47, graduada em farmácia pela Universidade Metodista de Piracicaba, é  natural de São Paulo (SP), “passei boa parte da minha infância na capital. Cheguei em Limeira em 1982, onde, entre idas e vindas, resido aqui até hoje. Atualmente atuo como farmacêutica na área magistral (responsável pela manipulação de medicamentos nas farmácias) e adoro o que eu faço. O que mais prezo e amo é minha família e, estar com eles me fortalece ainda mais para vencer todos os dias”.

Nas perguntas enviadas, Maira revelou que o comportamento da família, quando começou a pandemia foi “uma ansiedade muito grande, lidar com o estresse e a angústia de querer saber tudo. Minha maior necessidade era a adaptação quanto a rotina com filho, escola, casa e trabalho. Aulas suspensas, a opção online não estava disponível. Foi um momento incerto mas, pensávamos que em um ou dois meses tudo teria passado. Triste engano, já completamos mais de 365 dias”, disse. 

Segundo ela em seu local de trabalho, “na farmácia, as pessoas chegavam e chegam ainda cheias de perguntas, ansiosas e muitas até relutantes em aceitar a situação. Senti medo sim, no início, pois, começávamos a ter algumas informações, pelo Conselho de Farmácias (CRF), muita dúvida sim, mas também alguns materiais que nos orientavam. Eu foquei no meu trabalho, em prestar a assistência farmacêutica da melhor maneira possível, visto que, os clientes precisavam e precisam serem acolhidos e ouvidos”, explicou. 

Tomando medidas preventivas para segurança da família, Maira organizou as tarefas, “minha rotina ficou estabelecida casa-trabalho-casa-supermercado. O lazer e o descanso ficou sendo em casa. Família unida, nos arriscamos em pintura artística, assistimos filmes, enfim, procuramos nos abstrair nos finais de semana desse tema Covid-19. O contato com outros familiares, de início, ficou mais restrito mas depois, pelo menos uma vez por semana vamos visitar nossos pais, com todos os cuidados que se fazem necessários nesse momento”, detalhou.

Perguntamos sua percepção quanto ao faturamento e o estoque de produtos, ela nos apontou que “o setor farmacêutico lucrou três vezes mais no primeiro semestre de 2020, comparado ao mesmo período em 2019. Foi um setor que nesse sentido obteve um aumento. Itens necessários como: álcool gel, máscara descartável e caixas de luvas descartáveis sumiram em um primeiro momento, devido ao aumento da demanda repentina e quando reapareceram pude observar o aumento abusivo do preço de custo dos mesmos, um preço de custo absurdamente alto”, ela apontou.

Vacinação

Maira destaca, “a farmácia faz o teste e é o primeiro lugar que as pessoas procuram para se orientar. Infelizmente ainda não fui vacinada e estou ansiosa por isso, pois, o trabalho que tenho na área da saúde, exercendo a profissão de farmacêutica, um trabalho considerado essencial mas, para vacinação não se “encaixa” no essencial. Aproveito aqui para pedir que as autoridades responsáveis pela vacinação em Limeira possam diminuir a burocracia para vacinar os farmacêuticos e todos os profissionais que trabalham em farmácia pois, lidamos com pacientes diariamente que positivaram para Covid-19”, afirmou.

Como devemos seguir a vida?

Ao final Maira analisou o momento vivido pela humanidade, “a Covid-19 impactou demais a vida de todos nós e, esta pandemia igualou a todos sem distinção de classe, colocamos a vida sob um novo prisma. Vamos seguir nossas vidas com muita fé e coragem! Se cuidem, não é por um e sim por todos. Mesmo com a vacina, esses cuidados, tais como máscara e álcool gel, serão necessários por mais um tempo ainda. Mas tudo isso vai passar”, concluiu esperançosa.

Representante comercial e farmacêutico 

Júlio na farmácia vestindo seu uniforme branco
Júlio Bôro, farmacêutico que teve a felicidade de já ser vacinado

Conversamos com outro farmacêutico Júlio César Bôro, 54 anos, natural de Limeira, onde viveu uma infância “maravilhosa alternando entre os bairros Vila São João e Jardim Piratininga. Meu pai tinha farmácia em Limeira, a Drogaria Menino Jesus localizada na Vila Jacon e, desde pequeno adquiri conhecimentos farmacêuticos passados pelo meu pai. Hoje, moro em Iracemápolis com minha esposa Liliane. Tenho duas filhas do primeiro relacionamento, Juliana com 34 anos e Giovana com 24 anos”, ele detalhou.

Júlio Cesar tem dois empregos, um como representante comercial, atendendo as farmácias e drogarias da região e outro como farmacêutico em uma drogaria localizada no Limeira Shopping, é formado em Farmácia pela UNIP com pós-graduação em Gestão Estratégica de Negócios pela Universidade Anhanguera. 

Nos primeiros meses da pandemia Júlio procurou “adquirir o máximo de conhecimento sobre esse vírus, me proteger ao máximo, usando máscaras descartáveis, o uso frequente de álcool gel e também passar o máximo de informações aos clientes, amigos e familiares. Sendo que num primeiro momento eu fiquei bem apreensivo e preocupado. Não posso falar que eu senti medo pois, durante a vida eu gozei de uma ótima saúde e não me lembro de ter tido uma infecção ou alguma doença grave, então, tinha quase que uma confiança de que não iria adquirir esse vírus”, afirmou.

Júlio também diz, “inicialmente as informações eram confusas, muito se falava, que as máscaras, uso de álcool gel nas mãos, a higienização constante seriam, a princípio, a atitude correta para evitar a doença. Nós profissionais da saúde precisávamos saber os primeiros sintomas que eram; tosse, febre, coriza, dor de garganta, dificuldade para respirar, náuseas, vômitos, diarreia, cansaço, diminuição do apetite, então, quando na farmácia deparávamos com pessoas descrevendo tais sintomas já orientava-os a procurar atendimento médico”, descreveu.

Júlio seguiu as orientações, “uso de máscaras descartáveis e álcool gel o tempo todo. Na farmácia onde trabalhava, a proprietária se preocupava ao máximo com a segurança de todos que lá estavam, fazendo o distanciamento e uso de EPIs exigidos pela vigilância sanitária. Como representante comercial, quando visitava as farmácias e drogarias, antes de entrar, usava o álcool gel nas mãos e ao sair também e, sempre usando as máscaras descartáveis” frisou. 

Os momentos de lazer do farmacêutico sofreram poucas alterações, disse que evitava ao máximo aglomerações, o contato com seus familiares, era a maior preocupação, também evitava ao máximo vê-los e quando os encontrava garantia o distanciamento e a higienização das mãos e uso das máscaras, falou. “Após um ano de pandemia, a minha rotina tanto a profissional quanto a pessoal não mudou muito, continuo evitando ao máximo o contato com familiares e amigos. Infelizmente na profissão é onde tenho o maior contato com pessoas mas, a cada atendimento, faço o uso do álcool gel. Graças a Deus, até hoje, não tivermos nenhuma internação e nenhum óbito na família”, disse.

No decorrer dos primeiro meses, após a constatação mundial da pandemia, a questão do desemprego foi preocupante, “tinha muita gente sendo dispensado do trabalho, a crise batendo a porta de várias empresas. Também tive essa preocupação mas, pelo contrário, como farmacêutico e representante comercial da área da saúde, tive um aumento no meu pró-labore, visto o aumento das pessoas procurando as farmácias para se medicar e buscar informações a respeito da doença. Houve uma procura maior por profissionais da área. As grandes redes de farmácias começaram a contratar farmacêuticos, balconistas, perfumistas e motoboy para fazer delivery, que teve uma expressiva procura pois, muitos idosos e pessoas doentes não podiam sair de suas casas. Por outro lado, como vendedor eu tinha em meu portfólio a venda dos produtos mais procurados na pandemia, tais como; álcool em gel, máscaras descartáveis, luvas cirúrgicas, termômetros digitais e infravermelho — aqueles termômetros utilizados nas entradas dos supermercados, bancos e comércios”, relatou Júlio.

Júlio, no avançar de 2020, foi percebendo a escassez de produtos farmacêuticos no Brasil, devido a pandemia, ele afirma o mesmo que a farmacêutica Maira Gonçalo citou a respeito de preços de produtos. Júlio destacou, “os produtos citados anteriormente, além de começar a faltar, houve também aumento de preços consideráveis pois, a maioria dos produtos eletrônicos (termômetros, oximetros), máscaras são importados da China. Com a alta do dólar e muita demanda, os preços praticamente triplicaram. Hoje, ainda se tem falta de vários produtos, por causa da matéria-prima e outra por causa da demanda”, revelou.

Perguntamos se Júlio faz uso do transporte público, ele frisou, “graças a Deus, disponho de um veículo próprio. Fico pensando se tivesse que utilizar de transporte público como seria, pois, vejo muito a aglomeração de pessoas que utilizam esse meio, não havendo sequer um cronograma de distanciamento social dentro desses veículos. É lamentável tal situação”, comentou.

Imunização

Júlio foi vacinado contra Covid-19 pois, mora em Iracemápolis e lá os profissionais da área da saúde, “incluindo todos os farmacêuticos, balconistas, colaboradores de drogarias receberam a vacina contra a Covid-19. Eu tomei a minha primeira dose no dia 15 de fevereiro e a segunda dose no dia 8 de março de 2021, portanto, hoje, eu tenho uma certa tranquilidade mesmo sabendo que ainda estou propício a contrair e a transmitir o vírus da Covid-19”.

Finalizando Júlio descreveu “como profissional da área da saúde não poderia deixar de falar sobre os números, hoje, no Brasil, em menos de 24 horas, morreram mais de 2400 pessoas. Como devemos seguir nossa vida? Com base nesses números percebo que não está sendo suficiente todas as medidas de segurança, onde estamos falhando? As vacinas estão chegando de forma precária, as pessoas tem que ter muita fé, rezar bastante se proteger e encarar a realidade. Não vou falar sobre o papel dos políticos e governantes mas, sim do papel de cada um de nós. Temos que fazer o melhor de nós para mantermos nossa família e nossos amigos com saúde pois, iremos vencer e, se Deus quiser, voltar a ter nossas vidas com saúde, trabalho e lazer”, asseverou Júlio.

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