Aricia Monteiro – Médica Veterinária

A proximidade dos animais com a área urbana é cada dia mais gritante e isso implica em complicadas situações. Quem nunca se deparou com um morcego no sótão? um gambá em cima do muro? ou aquele que teve mais sorte, e viu um ouriço passando? E uma serpente, quando você encontra, qual é a sua reação? Qual é o seu primeiro pensamento quando se depara com esses animais? 

Historicamente, no final do século XVIII até início do século XX, ocorreram grandes migrações do homem do campo para as cidades. No Brasil, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), publicados no censo de 2010, revelam que 84% da população vivem em área urbana. Este rápido desenvolvimento urbano, caracterizado pela falta de planejamento provocou um desequilíbrio ambiental com a destruição dos habitats naturais, consequentemente levando os animais silvestres a se adaptarem nas áreas urbanas, sendo esse crescimento notado até hoje com o aumento no número de loteamentos tanto residenciais quanto industriais. 

A definição encontrada na literatura para animais silvestres são: aqueles que nascem e vivem em um ecossistema natural. De acordo com a Lei Estadual (SP) nº 11.977, de 25 de agosto de 2005, que instituiu o Código de Proteção aos Animais do Estado, consideram-se animais silvestres: “aqueles encontrados livres na natureza, pertencentes às espécies nativas, migratórias, aquáticas ou terrestres, que tenham o ciclo de vida ocorrendo dentro dos limites do território brasileiro, ou águas jurisdicionais brasileiras ou em cativeiro sob a competente autorização federal”. Em outras palavras, são aqueles animais pertencentes à fauna nativa ou exótica. 

Aricia Monteiro - Médica Veterinária em Resgate e Afugentamento de Animais Silvestres
Aricia Monteiro – Médica Veterinária em Resgate e Afugentamento de Animais Silvestres

Equilíbrio 

Você já parou para pensar que todos os animais desempenham um papel importante no ecossistema, mantendo o equilíbrio e conservação, sejam disseminando sementes, polinizando ou caçando sua presa? Um exemplo simples e que poucos sabem do seu valor, é o morcego.

De um modo geral, os morcegos dão pavor na maioria da população, porém são seres importantíssimos na cadeia ecológica por serem dispersores de sementes, além de realizar o controle de insetos (vetores de doenças). Estudos indicam que onde houve um declínio da sua população, consequentemente teve o aumento de pragas na agricultura e diminuição na restauração vegetal. Mas os morcegos não são os únicos que atualmente aparecem nos centros urbanos ou peri-urbanos, há também os animais que são considerados mais ‘fofos’ para a população, como os macacos e esquilos, que por sua vez, também são animais silvestres, vetores de doenças e que por instinto podem atacar ou morder quando perturbados.

Muitas vezes tais animais invadem as residências a procura de abrigos e alimento, já que a região que antes era mata, agora são casas. Mas então, qual é o limite do convívio homem x animais? O limite é o respeito e o distanciamento. A recomendação no caso de encontrar animais silvestres em áreas urbanas é evitar o contato direto, isolar a área e, quando possível, deixar o animal ir embora. Quando não há essa possibilidade, deve-se acionar os serviços públicos responsáveis como Corpo de Bombeiros, Policia Ambiental ou Militar, Serviço de Controle de Zoonoses Municipal, profissionais de Centros de Triagem de Animais Silvestres ou de Zoológicos.

Ressaltando o Art 29. Lei nº9.605/98; “é proibido matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente”.

*Aricia Monteiro – Médica Veterinária – UNIFEOB 2015. Pós-graduada em Acupuntura Veterinária, Pós-graduanda em Clínica e Cirurgia de Pets Exóticos e Animais Silvestres, Médica Veterinária em Resgate e Afugentamento de Animais Silvestres 2016 – 2019

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