Tese de mestrado

 

Edição 73 - Mar. 2009

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Sub-bacia do Ribeirão dos Pires é classificada como área periurbana

foto Marcel Menconi/JPR

A sub-bacia do Ribeirão dos Pires foi objeto de estudo do Prof. Ricardo José Gontijo Azevedo (foto acima) para tese de mestrado, concluída em 2008. A determinação da sub-bacia do Ribeirão dos Pires como objeto de estudo partiu de uma série de condicionantes favoráveis, como a importância histórica que a área possui para os imigrantes, sobretudo os alemães; a relevância ambiental da área para a manutenção do abastecimento de água em Limeira; e principalmente, as constantes transformações sócio-espaciais apresentadas nos últimos anos em virtude do crescente processo de urbanização disseminado pelos loteamentos de chácaras de recreio.

O recorte temporal da pesquisa está compreendido entre os anos de 1978 a 2006. Como ponto de partida, para a realização dos mapeamentos, foi definido o ano de 1978 em virtude da disponibilidade de fotografias aéreas do referente ano.
Para o desenvolvimento do trabalho foram utilizados diferentes instrumentos de pesquisa como a revisão bibliográfica, realização de trabalhos de campo, aplicação de entrevistas, e ainda a utilização do software ArcGIS. Dentre os materiais utilizados na pesquisa pode-se citar: imagens de satélite, fotografias aéreas, cartas topográficas, GPS, entre outros. Assim, foram realizadas entrevistas em diferentes pontos da sub-bacia, tanto na parte urbanizada, localizada no interior do perímetro urbano, como na parte que transcende a delimitação, nas porções localizadas no interior da bacia.  Os entrevistados foram os moradores mais antigos do Bairro dos Pires; os donos de estabelecimentos comerciais nas vias de comunicação da sub-bacia; produtores de laranja; arrendatários de áreas destinadas ao cultivo de cana-de-açúcar; os donos das chácaras de recreio. Além disso, tornou-se necessário entrevistar representantes do poder público, como forma de subsidiar a compreensão do processo de expansão urbana da sub-bacia.

Não sendo interesse da pesquisa delimitar tipos específicos de culturas, optou-se por separá-las somente em cultivo temporário e perene. Para que se analisasse a dinâmica de expansão urbana, os tipos de uso urbano foram subdivididos em consolidado e não consolidado.


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Analisando o mapa de ocupação e uso da terra de 1978, percebe-se a predominância dos cultivos perenes (de ciclo longo), representados principalmente pelo citros, o equivalente a 45,97% do total da área. Em seguida vinham as pastagens, representando 27,51% da área, localizadas principalmente próximas à parte urbanizada da cidade. Observou-se que naquela época os cultivos temporários, em especial da cana-de-açúcar, possuíam baixa representatividade com 7,24% da área. O uso urbano consolidado representava 2,24% da área, enquanto o percentual de urbano não-consolidado era inexpressivo com apenas 0,26%  da área total.

Já o mapeamento de ocupação e uso da terra de 1988 evidencia algumas tendências sócio-espaciais se delineando, como a redução dos cultivos perenes e das pastagens, aumento do cultivo temporário e o expressivo crescimento do uso urbano, tanto consolidado quanto o não-consolidado. Entretanto, o cultivo perene manteve sua hegemonia, com 44,13% de ocupação da área total, seguido pela pastagem, com 23,45% da área de estudo. No mapeamento de 1988 constata-se também o expressivo crescimento da classe urbano consolidado, ganhando áreas principalmente da pastagem que se encontrava a sua volta, nas imediações do loteamento Parque Egisto Ragazzo, próximo à Rodovia Anhanguera.
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No mapeamento de ocupação e uso da terra de 1998 observa-se a redução do cultivo perene e da pastagem, o aumento do cultivo temporário e o expressivo crescimento do uso urbano, tanto consolidado quanto o não-consolidado (gráfico acima). Assim, fica evidente que o processo de expansão urbana na sub-bacia ocorreu de maneira muito acentuada na década de 1990, ganhando áreas principalmente do cultivo perene e da pastagem.
Assim a demanda por novas áreas para introdução da cana-de-açúcar bem como para implantação das chácaras de recreio reduziu o uso da pastagem, intensificando a utilização da terra por atividades mais lucrativas na sub-bacia.
Na mudança do século as transformações sócio-espaciais na sub-bacia se tornaram ainda mais acentuadas, consolidando assim as tendências verificadas nos anos anteriores. O mapeamento da ocupação e uso da terra em 2006 revelou que o cultivo temporário, representado principalmente pela cana-de-açúcar, ultrapassou o cultivo perene, que já vinha apresentando queda desde a década de 1970. O uso urbano não-consolidado, embora não tenha obtido um crescimento como na década anterior, manteve-se com a tendência de crescimento, mesmo com a legislação municipal restringindo esse uso no final da década de 1990.

A classe definida como mata ocupa, em 2006, cerca de 15,58% da sub-bacia, tendo sua localização restrita às margens dos canais fluviais e fundos de vale. Apesar de ter havido um pequeno aumento das áreas de mata, em comparação com o mapeamento anterior, pode-se observar, através da distribuição do uso da terra na área de estudo, que a cobertura vegetal foi retirada em várias propriedades para a implantação de atividades agrícolas ou criação de loteamentos em situação irregular, tendo em vista a lei municipal nº 222 de 1999, que restringe o parcelamento do solo para fins residenciais na maior parte da sub-bacia. Constata-se assim a necessidade de uma maior preocupação do poder público em preservar as matas da sub-bacia, como condição para manutenção dos recursos hídricos da área, que possui grande relevância ambiental, em virtude dos vários mananciais ali presentes.
Atualmente, a classe estabelecida como urbano não-consolidado, com 7,5% da área, mostra um considerável processo de urbanização na localidade. O cultivo perene mostra-se uma atividade decadente na área de estudo, tendo em vista que em 1978 ocupava 45,97% da área e em 2006 atingiu 27,02% da sub-bacia. De acordo com um produtor rural, com longa tradição no plantio da laranja, a cana-de-açúcar também não se mostra um cultivo promissor, primeiramente em virtude dos baixos preços de mercado.

Quanto ao cultivo temporário, representado principalmente pela cana-de-açúcar, observa-se um constante crescimento em sua área de extensão, desde o início do período mapeado. De 1978 à 2006 o cultivo de cana-de-açúcar na sub-bacia aumentou de 7,24% para 34,77%, sendo o último período analisado (1998-2006), considerado de maior expansão.

Expansão urbana na sub-bacia
Dentre os motivos que justificam o crescente processo de urbanização da sub-bacia destaca-se a grande quantidade de vias de transporte existentes na área de pesquisa, a falta de perspectivas econômicas de alguns produtores rurais e a demanda crescente da população urbana para morar em áreas com amenidades naturais e fácil acesso às cidades. Observa-se que empresas de pequeno e médio porte estão sendo instaladas na sub-bacia, devido à localização favorável para escoamento da produção.

É válido ressaltar que a implantação de “condomínios” fechados e chácaras de recreio na sub-bacia vêm favorecendo o processo de expansão urbana classificando a sub-bacia como uma área periurbana. Para o autor, o que de fato dá uma identidade periurbana a essa zona geográfica de difícil delimitação é a difusão crescente, nas últimas décadas, de chácaras de recreio, loteamentos fechados, restaurantes, clubes campestres, entre outros, criados principalmente por citadinos e que atendem majoritariamente a população urbana de maior poder aquisitivo, do próprio município ou de cidades vizinhas.

O autor da pesquisa acredita que o processo de expansão urbana na sub-bacia tende a aumentar, favorecendo as camadas sociais mais abastadas e privando as camadas mais populares de apropriação efetiva do espaço, que se torna cada vez mais hostil às suas expectativas.

 

 

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