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A história da família que produz o seu alimento

Família Picolini, Mateus e seu avô Geraldo
Março 2018

Família Picolini, investe na diversificação da produção agrícola

A ONG Viva Pires valoriza a agricultura familiar e a permanência do homem no campo. Através do Projeto “A história da família que produz seu alimento” a entidade registra e faz história. Acompanhe a memória desses causos pelas redes sociais (Facebook: @ongvivapires)

Família Picolini tem suas raízes italianas vinculadas à cidade de Cordeirópolis, no conhecido bairro rural de Cascalho. Lá ficam as terras da família, cuja história relata que a grande Fazenda Cascalho foi dividida em 69 lotes rurais (com 10 hectares de área cada um), 52 lotes suburbanos (5.000 m2) e 124 lotes urbanos (2.400 m2) e que "a colônia de Cascalho, acha-se circundada por importantes estabelecimentos agrícolas; ao imigrante oferecem-se, nas grandes lavouras de café das proximidades, trabalho bem remunerado”, há de se supor que as lavouras de café não demoraram para serem implantada nas terras dos colonos recém chegados. Cento e sessenta anos depois, a família permanece na propriedade e investe na cafeicultura como diversificação da produção agrícola.

Os representantes da família Picolini, sr. Geraldo e o neto Mateus, contam sobre o passado e o presente da lida no campo. Hoje, o sítio São Pedro tem granja de porco e de frango, cultivo de flores, como o crisântemo de corte, plantio de grãos e recentemente voltou a investir na lavoura de café.

Geraldo Picolini, no alto de seus oitenta e poucos anos, é um incansável defensor do meio ambiente, na varanda de sua casa, rodeada de muito verde relembra das propriedades de Cascalho que produziam café, “há muitos anos atrás todo sitiante tinha aqui uma quadra do café. Quem tinham mais terra plantava um pouco mais. Era trabalhoso, porque a colheita era tudo feita manual. Colocava nos terreiros, cobria, pra poder secar o café e, podia entregar o grão em coco, hoje, temos que beneficiar, separar por tamanho de grão para poder entregar. Mas não era um trabalho pesado. Na realidade, o amor por essas coisas era maior, era uma alegria, pois, sabiam que iam ter um retorno, foi o que ajudou bastante a plantação do café. Quem ficou com café hoje, foram poucos. O café tinha uma vantagem naquela época porque a colheita era no período de estiagem das chuvas. Eu ficava tão contente com os pés de café, com aquelas ramas que desciam com todo aquele café vermelho e amarelo. Eu corria lá e me divertia. Depois de muitos anos que nós paramos, eu sonhava que tinha que ir adubar e tratar o café, não é possível isso, eu pensava comigo. Hoje, meu neto Mateus, propôs que plantássemos novamente o café. Eu concordei, porque se plantar alguma coisa que prejudique o meio ambiente aqui não entra não. Pode deixar milhões e trilhões que eu não quero saber de dinheiro, eu quero saber da verdade e da pureza. Então, o café eu deixei, nós estamos muito contentes, sabemos que não é lá aquele mar de rosas mas, sabemos que temos condições de ter um retorno porque é exportado. A gente está muito contente, foi feita a plantação, estamos trabalhando direitinho”, descreve sr Geraldo.

Mateus Mendes Zanetti Picolini, neto de sr. Geraldo Picolini, está estudando agronomia na UFScar de Araras, foi mostrando na propriedade da família o quanto procuram diversificar a produção. O cultivo de flores, em especial o crisântemo de corte é para atender ao mercado de floriculturas e funerárias da região. Na parte de granja eles apostam na criação animal com a suinocultura, dominando todas as fazes desde seleção de matrizes, maternidade dos leitões, o ciclo de engorda até a venda dos animais. Na avicultura o sistema é de integração com empresa terceira. No plantio de cereais tem a safra de milho e soja, na safrinha plantam milho, sorgo e adubação verde de aveia ou nabo forrageiro. O mais novo segmento da propriedade é a lavoura de café. “Iniciamos o plantio de café em 2016, com 25 mil mudas vindas de Jacutinga - MG. Agora em 2018, será nossa primeira colheita dessas plantas de 2 anos. Acabamos de fazer um novo plantio com 98 mil pés de café, totalizando 31 hectares e meio. O espaçamento entre plantas tem 75 cm por 3,30m entre as ruas, visando a mecanização da colheita. Nossa cafeicultura ainda é um aprendizado, por ser o primeiro ano de colheita estamos com uma boa expectativa, prevendo entre 170 a 200 sacas de cafés colhidos. É uma adubação pesada, um cuidado mais delicado porém, é um desafio que se inicia. Tendo a altitude pouco baixa para a produção de café, a 620 metros em relação ao nível do mar, entretanto, temos um solo muito fértil e boas condições climáticas. Acreditamos ter bons anos produtivos de café, podendo futuramente investir numa estrutura para beneficiamento e atender nossa região”, explicou Mateus.

Seu Geraldo, com seu jeito simpático e cativante deixa um recado, adquirido na experiência da vida, dizendo que o agricultor só não está em melhor situação financeira porquê “tem gente que nunca está contente com o dinheiro. Ele quer ganhar cada vez mais e, isso prejudica muito a agricultura. Nós viemos aqui apenas para repartir, um se ajudar com o outro, isso fugiu, antigamente era assim. Eu tenho exemplos pra contar dos antepassados que é a coisa mais linda. Desejamos que tudo tenha seu sucesso e prazer de viver, pois é uma coisa muito importante, tudo é prazer tem que conservar ele”, conclui sr. Geraldo.

Confira o vídeo da propriedade São Pedro; a lavoura de café e o novo plantio, a granja de porcos, aves, o cultivo de flores e o depoimento de Mateus e sr. Geraldo sobre o contínuo trabalho no campo, acesse: Rural Videos


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