BAIRROS DA CIDADE

Retorno do ‘Vem Pro Largo’ trouxe o povo de volta

Joseli Coeli Fugagnholi, conta toda história, como moradora, do Largo da Boa Morte

Edição 160 | Limeira, Novembro de 2014 | Ano X

Joseli Coeli Fugagnholi

Joseli Coeli Fugagnholi, "o retorno da festa do ‘Vem Pro Largo’ trouxe o povo de volta"

Eu sou a moradora mais antiga (não a mais velha) do Largo da Boa Morte, há 58 anos resido aqui no mesmo endereço.
Os moradores do Largo sou eu, moradores do edifício Valência e a Maria que cuida do sobrado do lado.
Eu moro no Largo da Boa Morte. Muitas vezes tenho que dar referência para as pessoas identificarem o local. Ah! você mora no centro! Então você é rica! Sim, sou rica de cultura e conhecimento.
Quando cheguei aqui a rua era calçada de paralelepípedos, os postes eram de ferro, a rua inteira foi aberta pra passar os fios da Telesp.
A tia Marli ia se casar. Estava construindo sua casa em 1950. O casal resolveu se casar antes da casa ficar pronta. Minha mãe, Noely Coeli pediu pro meu avô, que se ele fosse presenteá-la com uma casa, então que comprasse essa casa do Largo.
Meu avô materno, Pedro João Coeli trabalhava na indústria Prada desde os 11 anos de idade, nas duas unidades. O primeiro endereço da indústria era onde hoje funciona a rodoviária. Com a ampliação foi construída a unidade onde hoje funciona a Prefeitura.
Uma pessoa ativa. Não quiz se aposentar pra continuar trabalhando. Minha avó, Maria Conceição Coimbra Coeli, ficava em casa , ela mantinha no jardim, amor perfeito e violetas, daquela espécie que a flor fica debaixo da folha.
Recentemente consegui mudas, cuido com muito carinho, e distribui para minhas tias para que a família possa ter esse símbolo que lembra a minha avó. É a nossa violeta, não é a espécie africana. Muito delicada.
Então, meu avô Pedro comprou essa casa pra minha mãe. Mas a tia Marli morou aqui antes da minha mãe porque a casa dela não estava pronta. Eu fiz 5 anos nesta casa. Meu irmão nasceu em maio de 1956. Em julho de 1956, férias, nós mudamos pra cá. Tanto que ele (meu pai) mandou fechar a área com vidros, que foi a benção até o final da vida da minha mãe.
Na casa de baixo morava um casal com quatro filhas e um filho. Na sequência Sr. Eduardo Peixoto com a D. Aurora, na quarta residência moravam um casal de velhinhos, o portão ficava aberto, o quintal era de terra, nós (crianças) íamos pegar jabuticabas e tínhamos medo porque não víamos os moradores.
Onde é a agência de turismo hoje, morava Dr. Moacir Azeredo, pai do Dr. Roberto Azeredo. Na esquina o Sr. Rui Barbosa de Oliveira, donos da fundição na frente da igreja. O sacristão morava na frente da igreja com suas filhas.Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
A igreja de Nossa Senhora da Boa Morte e Assumpção, começou ser construída em 1858, com recursos da Confraria

A igreja de Nossa Senhora da Boa Morte e Assumpção, começou ser construída em 1858, com recursos da Confraria


A rua era calçada de paralelepípedos, não existia o estacionamento de carros, a calçada vinha até o estacionamento. O jardim não tinha muitas flores mas era muito bem cuidado com murtas bem podadas compondo um desenho, um extenso gramado.
Na frente do Largo tinha o cruzeiro. Alguns amigos da época, costumam dizer que pagarão pelos pecados porque jogavam pedras na cruz com estilingue e quebravam os santinhos. Eu sempre disse que a minha casa tem o maior jardim de Limeira.
A gente brincava muito no jardim. Obedecíamos o horário combinado das brincadeiras em grupo. Na infância do meu irmão, os meninos jogavam futebol uniformizados.
Um belo dia, o guarda que cuidava do Largo, e tentava pegar a bola dos meninos, veio até aqui, mas eles foram rápidos e se esconderam debaixo da cama com a bola.
O largo da Boa Morte é a minha vida inteira. Quando o Cônego Rossi veio pra Limeira, ele mudou o projeto da Matriz, então as atividades da Matriz em obras veio pra Irmandade da Confraria da Boa Morte.
No mês de maio as atividades se intensificavam por causa da coroação de Maria, todas as crianças do entorno queriam entregar flores pra “Nossa Senhora”. Todos os dias do mês de maio entregava-se flor pra “Nossa Senhora”.
No dia do aniversário da Confraria, o bolo é servido na frente da igreja para a população. A festa ‘Vem pro Largo da Boa Morte’ reune amigos. Em cada mesa a festa pode se retratar as histórias das pessoas que aqui conviveram. Não existia comunidade dentro da Igreja, mas ao redor, no Largo da Boa Morte.
Quando a Catedral ficou pronta, a igreja Boa Morte passou a ter missa aos sábados e a festa anual. Quando estou precisando de paz, é lá que eu encontro. Tenho o hábito de levar meus netos pra colocar moedinhas e ascender as velas automáticas, por segurança do patrimônio não se acende mais velas.
Autorizada a reprodução desde que citada a fonte: Jornal Pires Rural - Limeira - www.dospires.com.br
O retorno do ‘Vem Pro Largo’ trouxe o povo de volta, o encontro. A igreja da Boa Morte é um monumento histórico, com visitas de engenheiro e arquitetos para conhecer a obra e reconhecer o seu valor.
A banda Henrique Marques tem realizado apresentações e agregado muito mais valor ao patrimônio cultural do nosso Largo da Boa Morte.
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