A termonebulização é uma aplicação direcionada ao combate de insetos na agricultura. Consiste na criação de uma neblina artificial, produzida por um aparelho termonebulizador de alta performance que permite aplicações de formulações à base de água ou óleo mineral usado para pulverização de plantas. Essa tecnologia está auxiliando o produtor no controle da geada nas plantações, durante às noites e madrugadas de regiões de microclima com tendências a atingir zero grau de temperatura. 

O produtor Marcelo Oraggio, do bairro dos Marianos na cidade de Socorro (SP), está em plena colheita do tomate, ele adquiriu um termonebulizador depois de ter perdido mais quatro mil caixas de tomate na safra do ano passado, como nos conta o engenheiro agrônomo Hiromitsu Gervásio Ishikawa da Cati de Lindóia, “é usado óleo mineral e o aparelho aquece 1200 graus de temperatura, gerando micropartículas para absorver a umidade do ar, dessa forma as micropartículas e a umidade do ar juntas formam uma gotícula maior de água, não deixando atingir zero grau na planta. O Marcelo fez uma demonstração, usando o aparelho durante o dia, para mostrar a potência da neblina artificial, mas é usado para controlar a geada à noite”, comentou Gervásio.

Engenheiro agrônomo Hiromitsu Gervásio Ishikawa da Cati de Lindóia, no tomatal do produtor Marcelo Oraggio, do bairro dos Marianos na cidade de Socorro (SP)

O agrônomo também destacou que o produtor tem que ficar atento ao clima, as previsões meteorológicas e no caso específico do produtor Marcelo que tem um tomatal em um terreno bem inclinado, ele instalou um termômetro na parte mais baixa da lavoura e outro na parte mais alta e segue acompanhando de acordo com uma escala de clima,“provável geada, não geada e geada. Assim que atingir o ponto de geada tem que começar a fazer fumaça, que vai ser mais ou menos em torno de duas horas antes da formação da geada. Tem que usar o termonebulizador igual ao ‘Rambo’ (risos), andando pelo meio da lavoura fazendo fumaça. Se der zero grau até às seis da manhã não precisa fazer nada. O produtor tem que ficar atento, acompanhar boletim meteorológico e a temperatura lá na lavoura. Tem que ficar acordado, não pode ficar tremido. O Marcelo já fez isso o ano passado, ficou desde a uma da madrugada até as nove da manhã nebulizando a lavoura. Quando ele acabou, chegou na casa dele e capotou, disse que até a pedra no rim que tinha soltou. Foi o que salvou parte da lavoura, porque antes, ele não acreditou na previsão do tempo, por estar com o céu fechado, mas durante à noite abriu as nuvens e veio uma geada pesada, perdeu mais de quatro mil caixas de tomate. Depois fiquei insistindo para ele comprar o termonebulizador, ele não queria. Estava pensando em ficar queimando pneu, serragem, isso tudo é ultrapassado e não funciona. De tanto eu insistir ele comprou, foi o que salvou parte da lavoura. Nessa de queimar pneu ele perdeu umas quatro mil caixas de tomate, isso é dinheiro pra caramba. No ano passado a caixa foi a R$150,00 devido a geada”, descreveu Gervásio.

“Já faz anos que indico para os produtores adotarem o termonebulizador, mas o pessoal não acredita, acha que é um custo à toa, eu indiquei uma marca que foi pioneira no mercado. O Marcelo tem uma lavoura atual tem 15 mil pés de tomate. O produtor está em plena colheita, se der geada e congelar o suco celular, queima o fruto e queima o pé, perde a planta. Os pés estão carregadíssimos, se perder com a geada o prejuízo vai ser violento. O custo de produção hoje está muito alto e, o preço do tomate despencou, estava vendendo por R$120,00 agora estão pagando R$60,00 a caixa mas, pela alta produtividade do tomatal, acredito que esse preço ele não vai ter prejuízo. Estimando baixo, ele tem ainda 12 quilos por pé, são 15 mil pés, em uma área de um hectare e meio. Se fosse uma produtividade baixa poderia ficar no prejuízo. Essa semana ele já providenciou um aparelho maior para acoplar no trator. Porque o aparelho é pesadinho, trabalhar um pouco até vai, mas ficar a madrugada inteira carregando, abastecendo com gasolina e com o óleo mineral, trabalhando na pirambeira, frio, geando, no final do serviço o aparelho vai pesar uma tonelada. Nessa semana ele já precisou utilizar o equipamento, mesmo que a temperatura está em 4 graus e tem vento, a temperatura cai para menos um, aí já dá o ponto de congelamento. A previsão do tempo indica de forma geral mas, quem está no alto da serra, onde tem microclima vai chegar abaixo de zero, então, tem que utilizar técnicas para não queimar a planta. Quem tem mudas de café consorciado com abacate estão ensacando, manualmente, todas as mudas e, se as mudas de café são muito pequenas, é só deitar a muda e jogar terra por cima, depois é só descobrir a muda assim que passou o período de geada”, ensinou Gervásio.

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