Neíza, Maria Eduarda, Ismael, Eliza, Lívia

O direito de crianças e jovens à convivência familiar e comunitária com dignidade é um dos princípios mais importantes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. No Brasil temos milhares de crianças e adolescentes institucionalizadas esperando por uma nova família, por um ambiente acolhedor e amoroso que lhe proporcione uma nova chance de se desenvolver de forma fraterna. Na outra ponta existem famílias com muito interesse em adotar. Mas a conta não têm fechado. Ao longo do tempo as leis são “aprimoradas” e não tem sido suficiente para aliviar a dor da separação, do abandono, da violência e das marcas profundas que a institucionalização de crianças traz. O Estado, responsável por essas crianças não pode fazer o papel de uma família mas, pode amenizar as consequências e traumas promovendo a adoção sempre que possível.  

Entrevistamos Ismael Tarcísio Cândido, pai de adoção, presidente do Disponível Para Amar – Grupo de Apoio à Adoção, em Limeira. O Grupo está formado há cinco anos. Os Grupos de Apoio à Adoção trabalham como parceiros colaboradores das Varas da Infância, auxiliando no acolhimento e troca de experiências sobre a adoção e pós-adoção. O objetivo dessa entrevista é atualizar as informações sobre segmentos da sociedade afetados pela pandemia do novo coronavírus.

Qual é o objetivo do trabalho do Grupo de Apoio à Adoção?

Ismael Cândido: O objetivo do grupo é a própria criança e adolescente. Onde nós direcionamos os nossos esforços justamente para dar apoio aos pretendentes, instruindo como se faz o cadastro, no amadurecimento; se realmente é isso o que quer. Para que a adoção venha numa forma segura e pra sempre, para ambas as partes. E também acompanhamos durante a adoção, estamos sempre do lado acompanhando e dando suporte. E no pós-adoção também, embora muita gente acha que o Grupo de Apoio é só pra ir até lá adotar e acabou, não. O Grupo, dá um suporte também no pós-adoção e compartilhando as experiências do dia a dia, as angústias e as dúvidas que surgem. 

Sintetize as maiores dificuldades a serem tratadas no Grupo de Apoio à Adoção e a grandiosidade dos resultados alcançados para as famílias?

Ismael Cândido: A nossa maior dificuldade enquanto Grupo de Apoio é fazer que as pessoas enxerguem a real importância do Grupo de Apoio. Que é necessário sim, esse amadurecimento de enxergar o que realmente é a adoção e abraçar o Grupo. A partir do momento que a pessoa entende e conhece o Grupo, começa a participar e quando eles adotam essa bandeira fica muito mais fácil de se trabalhar, de ajudar. Eu acredito que seja isso mesmo.

A questão da grandiosidade, não existe nada melhor em todo esse tempo que a gente trabalha com o Grupo – há 16 anos – cada criança que chega, cada história que vai chegando, a gente vai vendo esse sucesso das famílias montadas. Tanto para as crianças quanto pra família, não há nada que se pague com essa grandiosidade de se ver formando uma família.

No perfil do D.P.A. (Disponível Para Amar), no Facebook, tem um banner com a seguinte frase: “Vivemos como se essas crianças não existissem”. Qual é a mensagem que querem passar com essa afirmação?

Ismael Cândido: É uma frase de um parceiro nosso, de um outro Grupo de Apoio – temos em média 180 Grupos de Apoio à Adoção no Brasil – e a frase do nosso Grupo é: ‘Que toda a espera acabe num sorriso’. A frase em questão: ‘Vivemos como se essas crianças não existissem’, é que na verdade, a sociedade varre as crianças que estão institucionalizadas pra debaixo do tapete. E nem mesmo nós, que somos pretendentes à adoção, não conhece as crianças reais, a questão das instituições. Então, é uma dificuldade muito grande da gente conhecer as crianças reais pra gente “quebrar” essa criança idealizada e a gente conseguir a criança real. É  bem verídico, nós vivemos como se as crianças não existissem.

Antes da pandemia do coronavírus como estavam os trabalhos do Grupo de Adoção?

Ismael Cândido: Antes da pandemia as reuniões eram mensais (presenciais), na última sexta-feira de cada mês. Além do suporte à distância via WhatsApp, o Grupo de Apoio desde a sua fundação estava muito bem, só vinha ganhando força.  

O Judiciário e o setor técnico estão trabalhando durante a pandemia?

Ismael Cândido: Durante a pandemia, o Judiciário, o setor técnico estão trabalhando sim. Como a maioria da sociedade, teve que se remodelar. As atividades deles estão acontecendo de uma forma remota. Nesse período, do nosso conhecimento, aconteceram três adoções. E a dinâmica dos trabalhos está funcionando em sua maioria à distância. Só para novos cadastros que não sei dizer como funciona mas, até onde eu sei não está ocorrendo. Para a habilitação de novos pretendentes há, por lei, a necessidade de um curso – esse curso, devido à pandemia está parado. Mas a fila (de espera) ainda existe e os trabalhos continuam ocorrendo de uma forma um pouco diferenciada.

O Grupo de Apoio à Adoção está com atividades remotas? 

Ismael Cândido: Nós mantemos as nossas atividades. Nossos esforços ainda continuam. Assim como tivemos que remodelar muitas coisas ainda temos que aprender dessa nova forma da gente se comunicar. Ainda mais quando falamos de adoção o contato presencial é muito importante – mas no momento, infelizmente, não podemos. Temos que aguardar. Mantemos o Grupo via WhatsApp. 

Neíza, Maria Eduarda, Ismael, Eliza, Lívia
Neíza, Maria Eduarda, Ismael, Eliza, Lívia

A pandemia afetou os processos de adoção?

Ismael Cândido: A pandemia afetou assim como afetou toda a sociedade, os processos também, com certeza. No início, assim como todo mundo houve uma estagnação (nos trabalhos) para se reorganizar e depois das remodelações e, o novo jeito da gente lidar com as coisas, estão andando. O importante é não deixar parado. Estamos torcendo para que a crise vá embora. Estamos com o Grupo de “portas abertas” para quem se interesse pelo tema da adoção, independente de ser um pretendente, tenha adotado ou apenas tenha afinidade pelo tema. Podem nos buscar nessa época de pandemia de forma remota. Estamos trabalhando.

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