É o que diz Sérgio Diehl, engenheiro agrônomo atual presidente da AGROESP (Associação dos Assistentes Agropecuários do Estado de São Paulo), onde recentemente concedeu entrevista para a rádio CBN Grandes Lagos, programa Campo Aberto com apresentação de Claudio Correia. Essa entrevista teve objetivo de esclarecer como estão avançando as mudanças propostas pelo Governador João Dória para a reestruturação da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. 

Sergio Diehl, presidente da AGROESP (Associação dos Assistentes Agropecuários do Estado de São Paulo)
Sergio Rocha Lima Diehl, 69 anos, engenheiro agrônomo formado pela ESALQ/USP (1975), com larga experiência nas áreas de assistência técnica e extensão rural e atual presidente da AGROESP (Associação dos Assistentes Agropecuários do Estado de São Paulo)

Sérgio Diehl relata como a conversa com o secretário Gustavo Junqueira está sendo intermediada, “em relação a proposta de reestruturação da Secretaria estamos fazendo um trabalho com a imprensa, com a área política, deputados que representam o setor para que a gente pudesse sensibilizar o secretário (Gustavo Junqueira). E isso vem dando algum resultado porque essa proposta está parada lá no Palácio do Governo (do Estado de São Paulo) pelo que nos foi informado está com o vice-governador. Nós fizemos algumas reuniões mediadas pelo deputado Reinaldo Augusto, com o Secretário de Agricultura, na tentativa de chegar a um acordo com as entidades de classe, o setor e a Secretaria da Agricultura. Durante as negociações o Secretário pegou a Covid-19 e precisou se afastar e a coisa deu uma esfriada, nós fomos chamados na Assembleia Legislativa, já com um grupo maior de deputados e lá nos foi dito que esse assunto seria intermediado pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo – entre o governo do estado, a secretaria e as entidades, pra ver se chegava a alguma proposta que atendesse a todos. Mas hoje, isso está parado e vamos aguardar o retorno da Assembleia (Legislativa) pra ver como essas coisas andam. 

Nós apresentamos uma contraproposta para o Secretário. Uma proposta que no nosso entendimento ela também enxuga um pouco as áreas de extensão (rural) e a defesa agropecuária sem que haja prejuízo com o trabalho prestado aos produtores rurais”.

Na sequência, seguem as perguntas feita pelo jornalista Claudio Correia do programa Campo Aberto da CBN Grandes Lagos, a Sérgio Diehl onde foi citada a pressão dos produtores (rurais) contra a Lei do ICMS em cima do Legislativo.

Claudio Correia – CBN: “Nessa tratativa que tiveram junto a Alesp perceberam alguma inquietação por parte dos deputados?”

Sérgio Diehl: “Nós sentimos uma preocupação sim, na área política e no Legislativo em relação às consequências do aumento dos impostos, desse movimento que nós presenciamos. Nos foi dito também que o momento é inoportuno para que se promova esse tipo de restruturação. Nós conseguimos sentir (uma preocupação) através das reuniões”.

Claudio Correia – CBN: “Os técnicos tem ido a campo para fazer a extensão rural?”

Sérgio Diehl: “Desde que esse governo assumiu, no primeiro ano, falou de restruturação na Secretaria da Agricultura e pouco se falou de trabalho. E, no segundo ano com a Covid-19, quase todos nós entramos em teletrabalho, em casa. E, o trabalho não flui como deveria ser o trabalho presencial. E, não existem propostas de programas da Secretaria. A única proposta de trabalho que nós temos conhecimento é em relação a um repasse do recurso do governo federal. O Plano de Aquisição de Alimentos (PAA) que quando chegou na Secretaria criaram tantos empecilhos que nós tínhamos que fazer cestas básicas com uma quantidade certa de legumes, de raízes, de frutas e isso praticamente vem inviabilizando o trabalho. Então, o único Programa que talvez viesse ajudar a população mais carente e os pequenos produtores por problemas burocráticos a gente não consegue viabilizar, ainda mais em teletrabalho – em função de um Programa que foi feito de cima pra baixo. E não se pensou na viabilidade prática disso, de quem está na ponta, nós que trabalhamos direto com os produtores, com os consumidores, a gente vê que fica muito difícil e pior ainda, em teletrabalho, virtual. Então, a Agroesp fez uma enquete, um levantamento aos nossos associados agropecuários, tanto da área de defesa agropecuária como a de extensão rural. E, a grande maioria se manifestou favorável ao retorno do trabalho presencial por que é um trabalho que não tem risco. Porque a gente trabalha praticamente isolado nos prédios, no atendimento e, o produtor rural não gera aglomeração – mesmo no trabalho de visita é praticamente individual. Em questão disso nós pedimos o retorno ao trabalho presencial mas, até o momento não fomos atendidos. A gente verifica hoje, quase um ano de trabalho online em casa, que os prédios estão sendo deteriorados fechados, muitos deles sendo invadidos, por isso estamos pedindo a volta ao trabalho presencial. Para que possa atender da melhor maneira os produtores rurais que vão se afastando da Secretaria”. 

Claudio Correia – CBN: “O que a sua classe deseja?”

Sérgio Diehl: “Pra ser bem sincero nós não temos muitas expectativas em relação à Secretaria da Agricultura se continuar esse tipo de postura do Secretário da Agricultura. Porque até agora ele não mostrou a que veio, não temos projetos; não temos um alinhamento de trabalho e já se vão dois anos. Não temos muitas perspectivas se não houver uma mudança de postura. O que nós queremos é voltar ao trabalho presencial e que tenhamos uma diretriz de trabalho, projetos viáveis e factíveis para que a gente possa atender da melhor maneira possível os produtores rurais principalmente os pequenos produtores que necessitam do apoio do estado. O que nós esperamos é isso mas sinceramente nós não pensamos positivamente em relação a esse governo”. 

Claudio Correia – CBN: “A Agroesp tem algum dado sobre a economia, relacionado aos pequenos e médios produtores devido a essa falta de extensão rural?” 

Sérgio Diehl: “Vou te dar um dado bem positivo em relação a isso. No governo anterior nós conciliamos mais de trezentas organizações rurais de pequenos produtores entre cooperativas e associações, repassando recursos públicos para as entidades. Colocamos várias pequenas indústrias para que pudessem agregar valor e deveríamos dar uma continuidade nesse trabalho, nessa gestão. Só que isso não ocorreu e grande parte dessas organizações hoje, estão abandonadas porque são pequenos produtores sem experiência em gestão, na administração da cooperativa ou na gestão dos paking house. Esse é o exemplo típico do prejuízo que essa inércia da Secretaria da Agricultura vem causando aos pequenos produtores. É o retrato dessas organizações de produtores hoje, em relação ao abandono da Secretaria de Agricultura”.

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