Jornal Pires Rural – Edição 239 | LIMEIRA, Abril de 2020 | Ano XV

Juvenal Coelho da Silva é comerciante no Mercado Modelo em Limeira, o Mercadão. Dia 12 de abril, domingo de Páscoa, seu expediente já havia encerrado, quando, logo após almoçar na casa da sogra recebe uma mensagem, via celular, que o Mercadão estava pegando fogo. Com dois box dentro do Mercadão e mais um imóvel comercial ao lado do prédio, Juvenal no primeiro instante achou que era brincadeira, depois pensou que era um foguinho de nada, levou um tempo a acreditar que a situação era bem séria. “Recebi algumas mensagens no celular falando pra voltar ao Mercadão que estava pegando fogo de verdade. Só pensava em desligar os botijões à gás de meu comércio, para que os bombeiros, se preciso fosse, retirá-los. Procedimento normal de segurança contra incêndio”.

Juvenal e o Capitão Herlon da PM

Ao compreender o que estava acontecendo, Juvenal deixa sua esposa em casa e volta ao Mercadão, “quando cheguei, tinha uma porção de gente, muitos curiosos. As pessoas não queriam me deixar entrar para desligar os botijões, eles não entendiam o que eu queria fazer. Os bombeiros chegaram em seguida, primeiramente pela rua 7 de setembro, depois pela rua Duque de Caxias. Eles fizeram um trabalho primordial, em equipe, o fogo não foi pior por isso, os bombeiros souberam controlar o incêndio e ficaram até as 3 horas da madrugada no local”, relata.

Durante o incêndio, Juvenal recebeu milhares de mensagens pelo celular, não teve tempo de olhar na hora, foi ver dias depois e viu de um amigo que está em Portugal pedindo “pra descer do telhado, pois estava louco. Era perigoso e poderia me machucar. Ele, de Portugal, estava vendo as imagens dos vídeos que circulavam pela internet no momento do incêndio”, comentou. 

Princípio 

O fogo começou por volta de 13:10, o Mercadão já estava fechado, as lojas que funcionaram no domingo de Páscoa eram do ramo alimentício pois, as regras para comércios que poderiam permanecer abertos para atender as medidas de prevenção ao novo coronavírus (Covid-19), já estavam em vigor. Os colaboradores da manutenção e limpeza eram os únicos que permaneciam no local. De acordo com Juvenal o atendimento aos clientes foi intenso, “tivemos um bom movimento, mesmo valendo as regras da pandemia mas, bem abaixo de um domingo de Páscoa que o Mercadão está acostumado a ver”, citou.

O que sobrou: madeiras queimadas, aço retorcido e restos de construção

Sentimentos

Ao terminar de desligar os botijões à gás, mandou mensagens para diversos grupos de WhatsApp e percebeu que apareciam bombeiros que estavam de folga ou na reserva, bombeiros de outras cidades, policiais militares e guardas civis, além de seu amigo Fábio Rocha, pronto para ajudar. Rapidamente sobem até o telhado da doceria, com uma mangueira de jardim, para resfriar a parede de seu comércio que faz divisa com o Mercadão. Lá do alto, a cena que Juvenal presencia é desoladora, o calor do fogo, a fumaça, o cheiro da combustão, tudo estava acontecendo muito rápido, ainda não dava para prever o tamanho da destruição, ele não contém sua emoção e o desabafo vem em um choro soluçante, “não me contive, comecei a chorar desesperadamente, foi um forma de colocar pra fora os sentimentos. Ainda bem que não ficou guardado, poderia ter sido pior”, revela. O comerciante citou os heróis dessa história triste; os profissionais que atuaram na ocorrência do Mercadão, enfrentam horas de trabalho, sob forte calor, para levar esperança e aliviar a dor de lojistas que perderam tudo no incêndio. “Eles foram as figuras centrais, guerreiros. Por sua coragem e inteligência são heróis, tiro meu chapéu para esses profissionais. São exemplos”, enfatizou.

O interior do Mercadão e os escombros

Centro de compras

No Mercadão existem 120 boxes e 69 CNPJ, algumas lojas ocupam dois ou mais boxes. Quando o telhado de amianto desabou, atingiu os boxes na parte central do prédio, os boxes que ficam na entrada da rua sete de setembro, não foram atingidas pelo fogo, assim como as lojas que tem entrada voltadas para as ruas. Juvenal relatou que “o prefeito Mário Botion e o deputado Miguel Lombardi prometeram que vão ajudar na reconstrução”, acredita que “a reconstrução vai precisar de muito dinheiro”. Existem muitos apoiadores tentando ajudar a conseguir verbas para a reconstrução, através de vendas de camisetas, venda das sucatas que restaram do incêndio ou doações em dinheiro através da internet. “Tem umas coisas que eu não acho certo, por exemplo, nem todo lojista era dono de seu box. Muitos pagavam aluguel para proprietários que não estavam nem aí para fazer uma pequena manutenção. Claro, que nem todos são assim, tem as exceções. Mas tem locadores que cobravam um aluguel tão caro que não alugava o box. Isso é ruim para o Mercadão, ter loja fechada. Agora, se vier doação pra reconstrução vai beneficiar locadores que nem se importam com os comerciantes, isso eu sou contra. Por outro lado, sou a favor de vir uma verba para ajudar os comerciantes que perderam suas mercadorias, para ajudá-los a recomeçar. Alguns já estão se virando, arrumando imóveis nas proximidades, porém, outros não podem abrir por causa das restrições da pandemia. Tem uma idéia de alugarem algum galpão nas proximidades para agrupar os lojistas. Acho também, que alguns lojistas não voltam mais porque já estavam aposentados e tinham o comércio como passatempo”, apontou.

Para finalizar, lançamos a pergunta, se ele acredita que a reforma possa sair ainda em 2020? Sua resposta foi, “com certeza não será possível. Não vai acontecer esse ano porque tem muita burocracia envolvida”.

Demolição

A limpeza de área destruída pelo incêndio está sendo executada pela Prefeitura de Limeira, coordenado pela Secretaria de Obras e Serviços Públicos e acompanhado pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Civil. O trabalho de demolição e limpeza completa do restante do prédio do Mercado Modelo, deve ser concluído até o dia da Mães. Depois disso, farão as remoções dos “eitões”, que são parte da estrutura física do telhado da edificação. A Prefeitura informa, até o momento, cerca de 230 toneladas de entulho foram retiradas do local, direcionadas ao aterro sanitário, em cerca de 50 caminhões. Também realizam o trabalho de reciclagem de materiais que poderiam ser reutilizados ou usados pelos comerciantes para venda, como sucata de ferro e cobre. Segundo o Executivo, “o intuito é arrecadar fundos para os lojistas e auxiliar na reconstrução do centro de compras, destruído após o incêndio”.

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