• Gustavo Soares, Engenheiro Agrônomo

Podemos transformar resíduos orgânicos como restos de alimentos, folhas e cascas em adubo através da Compostagem. É uma ferramenta de educação ambiental, uma solução para o tratamento de materiais orgânicos na fonte geradora, contribuindo para a redução de parte dos resíduos destinados aos aterros, aumentando a vida útil dos mesmos; diminuindo o consumo de combustível para o transporte e a diminuição das emissões de gases de efeito estufa.

Com a Compostagem pode-se retirar aproximadamente 60% do lixo doméstico do tratamento convencional, evitando a proliferação de doenças e de animais indesejados, a contaminação do lençol freático com chorume, e ainda produz insumo para hortas e jardins.

Compostagem é o conjunto de técnicas aplicadas para controlar a decomposição de materiais orgânicos efetuado por uma população diversificada de organismos em condições controladas de ar e umidade, com a finalidade de obter, no menor tempo possível, um material estável, rico em húmus e nutrientes, com atributos físicos, químicos e biológicos superiores àqueles encontrados nas matérias primas.

Composteira é um sistema de reciclagem dos resíduos orgânicos, prático, compacto, higiênico e de fácil manuseio, que não produz cheiro nem atrai insetos e animais indesejados. Fornece as condições ideais de umidade, aeração, barreira física contra animais e manejo de chorume. Podem ser fabricados ou construídos em plástico, metal, alvenaria e madeira. Cada sistema possui um atrativo por parte do usuário, que determina a escolha do modelo, podendo dar-se em leiras estáticas também, que é o depósito de camadas sobre a superfície do solo. 

Em um período de dez semanas, o lixo orgânico é descaracterizado. O composto pronto é o material humificado, se apresenta com cor marrom escura, cheiro agradável, homogêneo, sem restos vegetais. 

Não é uma técnica recente. Tem sido praticada pelos agricultores e jardineiros ao longo dos séculos. Prática comum em países desenvolvidos e no Brasil o desinteresse decorre da falta de educação ambiental e de políticas públicas.

Os passos a seguir ajudam você a iniciar sua composteira:

Passo 1: Escolha um local bem drenado e, se possível, em local ensolarado;

Passo 2: Separe o resíduo orgânico da residência;

O que você pode depositar na composteira:

LIXO ORGÂNICO: Cascas, bagaços, caroços, partes não comestíveis e restos de alimentos, pó de café, saco de chá, guardanapos, folhas secas, grama cortada, raízes, resíduos de jardim, plantas não desejadas, esterco, serragem, cabelo, lixo do aspirador de pó, cinzas em geral (inorgânico).

O que você NÃO pode depositar: 

REJEITOS: Fraldas, papel colorido, vidro, plástico, metal, produtos químicos.

Passo 3: Intercale duas partes de restos vegetais ricos em hidratos de carbono (“marrons”), exemplos: folhas secas, serragem, papel, palha, galhos. Para uma parte de resíduos ricos em nitrogênio (“verdes”), exemplos: cascas e restos de alimentos, plantas frescas, esterco. Adicione uma camada de solo nos primeiros usos para introduzir microrgânicos no sistema.

Passo 4: Manutenção: adicione lixo orgânico da cozinha e folhas, diariamente, em camadas à massa em decomposição.

Passo 5: Beneficie o composto retirando o material pronto no período mínimo de noventa dias. Deve estar marrom, com cheiro agradável, onde não se distingue o material de origem. Pode ser usado bruto ou peneirado. Dosagem media recomendada: 2 kg por metro quadrado.

OBSERVAÇÃO: O lixo orgânico produzido na cozinha tem grande porcentagem de água. Essa é evaporada ou drenada na forma de chorume, líquido escuro considerado adubo. Observa-se a conversão de dez partes de material reciclável para duas partes de adubo.

MELHORES RESULTADOS

Os organismos decompositores se desenvolvem melhor quando o material é mantido úmido, aquecido e aerado. Se a massa estiver seca, adicione água. Se estiver com excesso de umidade adicione folhas secas ou serragem. Use ativadores: grama cortada fresca, esterco, leguminosas.

  • Gustavo Soares, Engenheiro Agrônomo construtor de composteiras residenciais. É formado pela UFSC e Analista Ambiental do Instituto de Meio Ambiente do Distrito Federal. Em trabalho acadêmico em Gestão Ambiental na Universidade Estadual de Goiás, especializou-se na construção e manutenção de composteiras residenciais. Mestre em desenvolvimento rural pela Faculdade de Planaltina da Universidade de Brasilia FUP-UNB estudou as vantagens do uso de pó de rochas em sistemas agroflorestais. Em Brasília, ministra cursos e workshops sobre compostagem onde ensina a construí-las, usá-las e mantê-las.

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