Entrevistamos Kamila Gravena, Médica Veterinária da Coordenadoria de Defesa Agropecuária, responsável pelo Programa Estadual de Sanidade dos Equídeos em razão do diagnóstico positivo de Febre do Nilo Ocidental (FNO) em um muar (mula) em Porecatu, no Norte do Paraná, próximo ao Rio Paranapanema, divisa com estado de São Paulo, a 80 km de Presidente Prudente (SP). Agência de Defesa Agropecuária do Paraná, emitiu a Nota Técnica GSA 01/2021 na qual informou que a “Febre do Nilo Ocidental (FNO) é uma infecção viral causada por arbovírus, assim como Dengue, Zika e Chikungunya, transmitida por meio da picada de mosquitos infectados, principalmente do gênero Culex (pernilongo). Os hospedeiros naturais são algumas especies de aves silvestres, que atuam como amplificadoras do vírus e como fonte de infecção para os mosquitos. Também pode infectar humanos, equinos, primatas e outros mamíferos. 

Em humanos, cerca de 80% das pessoas infectadas não apresentam sintomas. Entre os sintomáticos, a FNO geralmente se manifesta de febre, dor de cabeça, cansaço, dores no corpo, olhos e cabeça. Os casos graves em humanos apresentam acometimento do sistema nervoso central em função de encefalite, meningite ou poliomielite. Nos animais pode-se observar sinais decorrentes de encefalite e encefalomielite, anorexia, depressão, ataxia, fasciculado muscular, incoordenação entre outros sinais nervosos. É considerado um caso suspeito em humanos “individuo com caso de doença febril aguda inespecífico, acompanhado de manifestações neurológicas compatíveis com meningite, encefalite e paralisia flácida aguda, de etiologia desconhecida”.

Diante desse fato perguntamos; 

Jornal Pires Rural: Dra Kamila, é de conhecimento dos órgãos estaduais paulista essa nota técnica sobre o aparecimento de diagnóstico positivo de Febre do Nilo Ocidental (FNO) em um muar no Estado do Paraná, na região do vale do rio Paranapanema? 

Kamila Gravena: Sim, a CDA tomou ciência no dia 04 de setembro de 2021. 

Jornal Pires Rural: Quais as medidas adotadas até o momento e quais ações de vigilância a Secretaria de Agricultura e Abastecimento tem disseminado? 

Kamila Gravena: Em casos de sintomatologia neurológica, a investigação inicial é realizada para a raiva. Quando há o descarte desta doença nos equídeos, é realizado o diagnóstico diferencial para Febre do Nilo, Encefalite Equina do Leste e Oeste. 

Jornal Pires Rural: Em algum outro momento já houveram casos de Febre do Nilo Ocidental (FNO), no Estado de São Paulo? 

Kamila Gravena: Em agosto de 2019 houve um equino na cidade de São Paulo confirmado para Febre do Nilo. Foi divulgada a Nota Técnica CEDESA 01/2019 no dia 30 de agosto de 2019 com todas as informações. 

Jornal Pires Rural: É possível tratamento ou o animal diagnosticado positivo para FNO tem que ser sacrificado? 

Kamila Gravena: Os animais diagnosticados positivos para FNO não precisam ser sacrificados e podem ser tratados, uma vez que os equídeos não transmitem a doença para outros animais e nem mesmo aos humanos. 

Segundo a NOTA TÉCNICA Nº 5/2018/CGPZ/DSA/SDA/MAPA, os animais suspeitos de FNO são animais recuperados após apresentarem sintomatologia nervosa.   

Jornal Pires Rural: É rápida a propagação dessa doença? Sua transmissão é somente por meio da picada de mosquitos infectados ou manuseio com o animal doente pode ser risco de transmissão? 

Kamila Gravena: A propagação não é rápida. A infecção dos equídeos e humanos é acidental e eles se tornam hospedeiros acidentais e terminais. Devido à baixa replicação viral em mamíferos, o ciclo de transmissão é finalizado, pois a baixa replicação impede que o vetor se infecte e continue o ciclo. 

Jornal Pires Rural: Qual o grau de atenção sanitária que o caso merece? 

Kamila Gravena: Não só os casos de FNO, mas todos os casos de síndromes neurológicas (herbívoros com sintomatologia nervosa) devem ser investigados. 

Jornal Pires Rural: Quais os procedimentos devem ser adotados para casos considerados suspeitos? 

Kamila Gravena: Em qualquer animal com sintomatologia nervosa deve ser realizada a investigação de raiva inicialmente. Após o descarte desta doença, são realizados os exames diferenciais de outras doenças neurológicas. No caso dos equídeos, é realizado o diagnóstico diferencial para Febre do Nilo, Encefalite Equina do Leste e Oeste. 

Jornal Pires Rural: Há uma estimativa do plantel de equinos no Estado de São Paulo? 

Kamila Gravena: O plantel de equídeos, somando equinos, asininos e muares no estado de São Paulo é de aproximadamente 299.148.

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