Elis Regina, nasceu em Porto Alegre no dia 17 de março de 1945 e faleceu em São Paulo no dia 19 de janeiro de 1982. Inesquecível entre todos os brasileiros pela belíssima voz, pela presença de palco arrebatadora e personalidade extremamente marcante.

Como muitos outros artistas de sua geração, surgiu nos grandes festivais de música dos anos de 1960, onde seu estilo, com influências claras dos grandes cantores do rádio e em especial de Ângela Maria, a tornou extremamente conhecida e única e, a fez ser a grande revelação do festival da TV Excelsior em 1965, quando cantou a belíssima canção de Vinicius de Moraes e Edu Lobo “Arrastão”. Tal feito conferiu à cantora ainda em início de carreira o título de primeira estrela da canção popular brasileira na era da televisão.

Elis passeava por vários gêneros musicais: cantou música popular brasileira, bossa nova, samba, do rock ao jazz. Interpretou canções memoráveis, que ainda continuam vivas na voz e lembranças de muitos fãs pelo Brasil.

Elis ajudou a muitos artistas estreantes, dando oportunidades e, até mesmo apadrinhando-os e ajudando a lançá-los, bem como, a divulgar suas obras, impulsionando-os assim no cenário musical brasileiro. Ao longo de toda a sua carreira, cantou canções de músicos até então pouco conhecidos e que hoje são cantados por vários artistas, como Milton Nascimento, Ivan Lins, Renato Teixeira, Aldir Blanc, João Bosco.

Elis no show Essa Mulher, 1979

A cantora teve parcerias com diversos ícones da música brasileira, são célebres os duetos que fez com Jair Rodrigues, Tom Jobim, Wilson Simonal, Rita Lee, Chico Buarque e, por fim, com seu segundo marido, o pianista César Camargo Mariano. Além do dueto, Mariano também ajudou-a a arranjar muitas músicas antigas e dar novas roupagens a elas tornando as canções interpretadas por Elis mais ricas musicalmente.

Morreu prematuramente, aos 36 anos de idade, mas deixou um legado grandioso para a música popular brasileira!

Com o tema ‘40 anos sem Elis Regina’, conversamos com o limeirense Martinho Francisco Cardoso, um fã que alimenta a presença de Elis Regina pra si todos os dias, divulgando Elis nos grupos “Elis…Nada será como antes”, “Eu amo Elis Regina” e “ Elis Regina Universal”; todos no Facebook. Acompanhe a entrevista. 

Martinho Francisco Cardoso, um fã que alimenta a presença de Elis Regina pra si todos os dias

JPR: Você é um fã que ouve vários estilos musicais e artistas ou é um fã incondicional de Elis Regina?

Martinho: Sim, sou bem eclético. Gosto da boa música independente do estilo ou nacionalidade. E, sou Fã de Elis (Amo Elis)!

JPR: Quando foi que você ouviu Elis Regina pela primeira vez? Como foi esse primeiro contato, e a partir daí, como passou a admira-la como a cantora? Conte contextualizando a época do país e a fase da sua vida.

Martinho: Ouvi Elis através do disco “Dois na Bossa – número 2. Elis & Jair Rodrigues”. A primeira música foi “Upa Neguinho” (Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri). Eu tinha sete anos e meu irmão que era doze anos mais velho, quem trouxe o disco (Lp), e daí virei fã. Mas eu era bem criança. Comecei mesmo a venerar Elis através do show Falso  Brilhante (disco homônimo que eu adquiri em 1977). A fase do país era a seguinte: Ditadura Militar, censura, mas a cultura brasileira era excepcional. A TV transmitia shows ótimos, de todos os estilos, e os musicais eram de primeira linha. Como disse antes, o primeiro contato tinha sete anos, depois, com dezesseis anos, que comecei a curtir pra valer Elis.

JPR: Você chegou a ir em shows da Elis Regina? 

Martinho: Não, nunca. Infelizmente! Nunca cheguei a ir em shows de Elis. Primeiro, pela situação financeira, morando no interior, o salário não era lá essas coisas (risos); não sobrava. E aconteceu, infelizmente, a morte de Elis, em janeiro de 1982.

JPR: E os seus amigos e familiares também curtiam a cantora na época em que você se descobriu um fã de Elis Regina?

Martinho: Sim, meus amigos curtiam Elis. Nossa “patota” sempre curtia música boa! Nós todos tínhamos o mesmo gosto musical! 

JPR: Descreva Elis Regina.

Martinho: Pra mim ela foi, e continua sendo, a maior cantora de todos os tempos. Penso eu que é o coro de toda crítica qualificada brasileira, Elis chegou à perfeição do seu canto face a sua qualidade vocal, seus agudos e graves perfeitos, divisão musical inteligente, segurança musical muito acima da média constatada, extensão vocal inumana, presença de palco arrebatadora e uma inteligência musical única e inédita no canto brasileiro (é muito mais!). Como pode ser notado nas canções “Arrastão”, em que ela venceu o Festival Excelsior em 1965, “Como Nossos Pais” e “O Bêbado e a Equilibrista”.

Vale a pena citar uns depoimentos de grandes expoentes musicais sobre a genialidade de Elis:

“Eu me apaixonei pelo som da minha voz” –  da própria Elis Regina; 

“Ela era um verdadeiro músico. Pensava como músico e cantava como músico. Não conheci uma outra igual” – Edu Lobo; 

“Em termos de técnica, eu nunca vou ver uma outra igual” – Alaíde Costa; 

“Cantava acima dos limites humanos. Um gênio musical!” – Caetano Veloso; 

“Elis era musicalmente superdotada!” – Gilberto Gil; 

“Elis era muito bem dotada em termos musicais” – Tom Jobim; 

“Elis tinha uma divisão musical muito inteligente. Era a palavra certa, no momento certo, na nota certa, na batida certa. Não conheço outra igual” – Milton Nascimento; 

“Por onde é que essa mulher respira quando canta?” – críticos musicais; 

“Elis ia no D.N.A. das canções. Ela não errava nunca nas suas interpretações. Sempre ela quem definia as canções. Depois que ela gravava ficava impossível de um outro cantor fazer melhor! ” – Tim Maia; 

“Tinha uma dicção tão perfeitamente clara que eu consigo ouvir os pingos da letra “ i ” ao ouvi-la cantar” – Maria Josefina Menezes Batista, intelectual cearense; 

“Elis é a primeira, a segunda e a terceira melhor cantora brasileira” – Miele – produtor e diretor musical; 

“Ela precisa desafinar um pouco para que eu a veja como humana” – crítica da revista Veja; 

“O que é que é isso? Essa mulher já é uma das cinco maiores cantora do mundo ao lado de Ella Fitzgerald, Bilie Holiday, Edith Piaf e Sarah Vaughan. Só que Elis é bem mais eclética” – segundo o empresário musical Marcos Lázaro, este é o depoimento dado por ninguém nada menos que Bruno Coquatrix, somente o dono do Olympia, a mais antiga sala de espectáculos musicais de Paris. Esse depoimento foi dado logo após ele assistir Elis, ao vivo, em seu teatro, em 1968. Elis tinha apenas 23 anos.

Elis e os filhos Maria Rita, no colo, Pedro Mariano, na cadeira e Joao Marcello Boscoli, em pé

JPR: O que você já fez para demonstrar o quanto gosta de Elis Regina? Como é o seu acervo e investimentos referente ao que é disponibilizado sobre a cantora?

Martinho: Bom, eu criei grupos e páginas sobre ela na internet.Todos os dias, sem exceção, eu posto. Em meu acervo, tenho vários CDs, mas é unicamente virtual. Investimentos, infelizmente, muito pouco. Como te disse é quase tudo virtual.

JPR: A pergunta clichê: onde você estava e o que estava fazendo quando recebeu a notícia da morte de Elis Regina? Como se sentiu? Como se deu o luto referente a perda da cantora? 

Martinho: No dia 19 de Janeiro de 1982, eu estava trabalhando. Era um comércio de vidros, na rua Dr. Trajano, em Limeira, SP. Aí, o filho de um vizinho, na época, com dez ou onze anos chegou e disse pra gente: ‘Deu agora na Televisão, morreu Elis Regina’. Levei um choque, e disse:Não! Você ouviu errado! Infelizmente, era verdade. Me senti muito mal. E aí, a adoração que eu tinha por Elis, passou a ser fanatismo (risos).

JPR: O que faz um fã para manter um ídolo vivo? Qual é o tamanho da Elis na sua vida?

Martinho: Como eu disse antes, todos os dias eu respiro Elis. E posto toda hora, algo sobre ela, nas redes sociais, é continuo. O tamanho de Elis? Eu respiro Elis❤!!!

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