Assista a jornada na agricultura de Neuton Bratfisch

Jornal Pires Rural – Edição 235 | LIMEIRA, Dezembro de 2019 | Ano XIV

A propriedade de Neuton Bratfisch, fica no bairro Nova Campina, divisa entre os municípios de Limeira e Cosmópolis. Sr. Neuton nasceu na propriedade que recebeu de herança,  sendo filho único. Sempre na lida do campo, conta que a cana de açúcar era o cultivada por seus pais Ettore Bratfisch e Rosina Bertazzo Bratfisch, lavoura que ele deu sequência por 19 anos, em 6,5 alqueires. 

“Com 18 anos, comprei a parte onde eu moro, e no mesmo ano meu pai comprou a parte do vizinho. Era uma dificuldade a cana, era na mão, cortava toda a cana na palha, e depois carregava os caminhões que vinham da usina. Quando terminamos de pagar pelos terrenos, vi que não tinha solução, parei com cana e comecei com milho. Estou há 56 anos plantando milho”, relembra Neuton.

Suinocultura

Para ele, o milho foi o melhor negócio que tinha pois, começou uma criação de suínos, teve 1.400 cabeças e o milho, que plantava, servia como alimentação animal. Também foi uma época de muito trabalho, como descreve, “não tinha dia, nem noite. A minha esposa, Doraci ficava até a meia noite com as porcas que estavam parindo e eu ficava o resto da noite cortando dente de leitão, ajudando no parto durante a madrugada, depois tinha que tratar dos porcos. Foi difícil mas, não me arrependo, graças a Deus, tudo o que temos, conseguimos nesse período. Tudo foi encaixando, não só o porco, mas também o milho. Tinha margem de lucro, o porco dava 55% de lucro. Vendia muita matriz, pra Goiás, Mato Grosso, só para o Domingos Gazzoto vendi mais de 100 matrizes que fez um plantel de 400 animais, lá por aquelas bandas”, afirma com orgulho.

Neuton também revela que foi em busca por tecnologia na cidade de Holambra. “Entrei na (Cooperativa) Holambra e fui a primeira pessoa a fazer inseminação artificial. Fiquei dez anos trabalhando com eles e, um dia me chamaram para entrar de cooperado. Eu não quis ficar sócio, porque tinha 400 porcos gordo para vender e eles exigem tudo, é uma escritura, tem que registrar desde uma galinha até um leitão que nasce morto. Então, eu não aceitei, cortaram toda a ração que comprava deles e tive uma dor de cabeça medonha. Porque a sociedade não aceitava gente de fora. Fui buscar ração em outro lugar, aí o porco ficou tão ruim que os holandeses quebraram todos, eu continuei mais uns anos. Isso foi por volta de 1982”.

Na propriedade de Sr. Neuton ainda encontramos, quase intacta, a estrutura da granja de porco, bem planejada e construída, com paredes grossas, toda rebocada, telhas de barro, madeiramento reforçado com vigas sem emendas, duas caixas d’água em alvenaria com capacidade para 2 mil cada. “Quando eu construi o barracão pra abrigar os porcos, meu pai falava que eu estava ficando louco, porque o dinheiro que gastei ali, CR$440.000,00 (quatrocentos e quarenta mil cruzeiros, dinheiro da época). Esse valor dava pra comprar duas casas em Cosmópolis. Eu fiz tudo errado, porque gastei muito dinheiro em pouca coisa, mas, não arrependo não, porque ali deu o dinheiro e sobrou mais para comprar outras coisas. Meu pai reclamava e tinha medo porque eu mexia com 3 bancos naquele tempo. Eu já tinha tentado boi, vaca de leite, porco caipira, só deu certo quando veio os porcos de raça. Fiquei ao todo 27 anos trabalhando com os porcos”, recorda.  

Milho 56

Em 2009, quando o Jornal Pires Rural fez a primeira reportagem com sr. Neuton, a experiência do agricultor era ter plantado milho nos últimos 46 anos, e com a liberação de uma nova tecnologia de sementes para plantio, ele estava fazendo as contas da colheita: tinha semeado 50 alqueires de milho transgênico (tecnologia Bt) e 6 alqueires de milho convencional. Foram colhidos 400 sacos por alqueire do milho transgênico e teve uma quebra de 100 sacos do milho convencional, comparado com a colheita do milho transgênico. 

Dez anos passados, sr. Neuton acumulou 56 anos de experiência no plantio, entretanto, algumas mudanças aconteceram nesse mercado, ele aponta; “até há 4 anos atrás não estava mudando muita coisa, as mudanças começaram com a seca de 2015. Depois, vieram os aumentos da semente e do preço do adubo, só que o preço de venda do milho não acompanhou. Entrego o milho há 21 anos para um comprador de Sumaré, ele também mudou as normas. Era assim; quando não precisamos do dinheiro (da venda do milho) para manter as lavouras, eu deixava em crédito pelo período que fosse, de 1 a 4 anos, era um bom negócio (uma espécie de poupança). Agora, devido as mudanças, só posso deixar até o fim de cada do ano. Mesmo chegando no fim do ano, querendo ou não vender o milho, eles mandam o dinheiro na conta, pelo preço do dia. Não estou deixando mais, parei, não tem mais vantagens. Vou vendendo conforme a colheita e, o preço pago é muito ruim. Não sei se isso é por causa do Dollar, se estão abusando mesmo ou se é isso daí, a coisa. Esse ano, uma semente para plantio está quase R$800,00 o saco de 15 kg. Então, a margem do milho está diminuindo, diminuindo, diminuindo que não tem mais lucro. Eu até pensei em arrendar toda terra, porque não tem margem para plantar. Cheguei a plantar, 100 hectares pela última vez, em 2015. Hoje, tenho 18 alqueires preparados para o plantio mas, não chove, o mato está tomando conta, não posso passar veneno (para secar o mato) porque depois perco todo milho, Está complicado. É de aborrecer, não sei se vai pelo mesmo caminho do ano passado, que a margem foi apenas 12%. Não sei se vamos continuar, ou vamos parar”, silenciou-se meditativo sr. Neuton.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *