Marcio Milan, superintendente da ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados)
Jornal Pires Rural – Edição 230 | HOLAMBRA, Julho de 2019 | Ano XIII

Durante a Hortitec 2019, o Painel Embrapa trouxe a palestra: “Ao produzir alimentos, precisamos produzir com segurança”, de Marcio Milan, superintendente da ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados). Realizado pelo terceiro ano consecutivo, o “Painel Embrapa – Hortitec 2019”, é uma parceria da Embrapa Hortaliças, Embrapa Solos, Embrapa Meio Ambiente, Embrapa Clima Temperado, Embrapa Agroecologia, entre outros.

Marcio Milan
Marcio Milan, superintendente da ABRAS (clique na imagem para assistir ao Programa Rural Vídeos Br)

Um consumidor mais antenado, mais informado, mais exigente, é a nova geração querendo saber como e onde está sendo produzidos os alimentos. Essa foi a ideia trabalhada nas diferentes unidades da Embrapa pela unidade Embrapa Inovação. Fazendo parte desse cronograma foi realizado, pelo terceiro ano consecutivo, o “Painel Embrapa – Hortitec 2019”, em parceria com a Embrapa Hortaliças, Embrapa Solos, Embrapa Meio Ambiente, Embrapa Clima Temperado, Embrapa Agroecologia, entre outros. 

Durante a Hortitec 2019, o Painel Embrapa trouxe a palestra: “Ao produzir alimentos, precisamos produzir com segurança”, de Marcio Milan, superintendente da ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados). A ABRAS tem três pilares: comunicação, educação e a transparência. A sede fica em Brasília, cuida das questões legais com o Congresso Nacional, Camara dos Deputados, o Senado Federal e também o Executivo. Está estruturada em estados, cada estado (27) tem uma associação de supermercados que cuida das questões típicas de cada estado. Trata-se de 89 mil lojas espalhadas pelo país, 1 milhão 850 mil trabalhadores nos supermercados. Diretamente ligado a esse elo da cadeia, está o hortifruti e o agronegócio, temos 450 mil trabalhadores. São 27 milhões de consumidores que passam diariamente nos supermercados.

Milan apresentou dados sobre índices de vendas 2019, acumulado até o mês de maio, um crescimento positivo em relação ao ano anterior de 2,39%. “O nosso planejamento é chegar ao final de 2019 com um crescimento positivo de 3%, ou seja, o supermercado, vem mantendo um crescimento positivo, descontando a inflação. Durante grande parte dos últimos dois, três anos, os supermercados vêm apresentando um crescimento positivo (crescimento sobre crescimento)”, apontou.

Caixa do agronegócio

“É no supermercado que ele (consumidor) tem o contato, a informação e digo também que o supermercado, hoje, é o caixa do agronegócio. Tudo passa pelo supermercado pra chegar na mesa do consumidor. Criamos esse indicativo, para ter uma medida mais exata desses produtos, que tem uma influência muito grande na cesta básica dos trabalhadores. Criamos recentemente outro indicador novo, chamamos de ‘Prato Feito Caseiro’. Monitoramos os preços de produtos básicos  como arroz, o feijão, a batata, e duas proteínas (carne bovina e frango) e aqui fazemos essa medida verificamos que desde agosto de 2018, o aumento vem crescendo, chegando num acumulado de +14,5%, em 12 meses. O mês de maio 2019 foi a primeira vez que o valor caiu um pouco”, detalhou Márcio.

a nova geração
Marcio Milan: “Um consumidor mais antenado, mais informado, mais exigente, é a nova geração”

Atuação

“A cada três meses a ABRAS tem uma reunião com o Banco Central onde são apresentadas as  projeções, de como será o desenvolvimento dos supermercados e consequentemente, desse segmento como um todo, em relação a perspectiva de vendas e, assim por diante. Criamos os indicativos para que a gente possa ter uma medida mais exata, desses produtos que tem uma influência muito grande na cesta básica dos trabalhadores. Com a entrada do novo governo, procuramos a Casa Civil e o próprio presidente da República, para estabelecemos dez pautas em conjunto. São pautas que nós pretendemos chegar ao final deste governo (dos quatro anos), resolvidos para os supermercados. Dou destaque para a pauta número seis. Quando você olha um pouco adiante, o que vai mudar nos próximos anos é que os supermercados também vão vender medicamentos (isentos de prescrição médica). Estamos brigando em Brasília para que os supermercados possam vender medicamentos, uma vez que as farmácias vão entrar também vendendo hortifruti, logo mais. O item sete, trata da questão das multas muito pesadas, estamos trabalhando pra que elas sejam equilibradas. Os outros itens estão voltados para formas de pagamento”, afirmou.

Setor produtivo

Na questão da educação, a ABRAS tem uma parceria com o Ministério da Agricultura para desenvolver cursos, ações que possam melhorar todo o setor produtivo. Márcio destaca, “recentemente, fizemos uma parceria com o Ministério da Agricultura, Bayer, ICA e Abras, juntos nós vamos fazer cursos tanto na área produtiva, falando muito mais de boas práticas e qualidades. Já capacitamos, nos associamos a Global Gap mundial pra fazer um trabalho em conjunto sempre procurando as boas práticas no processo produtivo”, disse. 

Márcio demonstrou que a ABRAS mantém a Escola Nacional de Supermercados capacitando 315 mil trabalhadores, em dezenove diferentes cursos. “O mais importante é que o governo federal nos procurou para que esses cursos fossem disponibilizadas para beneficiários do Bolsa Família. Foi criado o ‘Programa Progredir’ – um Programa do Governo Federal em parceria com a ABRAS para disponibilizar os dezenove cursos. As famílias do Bolsa Família, são credenciados e os supermercados passam então, a dar oportunidade a esses trabalhadores e, à medida que eles entram nos supermercados, entram num processo regressivo da saída do Bolsa Família. Começamos esse processo no ano passado, atendemos oitenta famílias neste processo de progressão, de redução dos valores do Bolsa Família”, destacou.

Monitoramento dos alimentos

A ABRAS tem o ‘Programa RAMA – Rastreabilidade e Monitoramento de Alimentos’, são 56 varejos que representam cerca de 27% de tudo aquilo que é comercializado, hoje, nos supermercados, já estão rastreados. “Porque o consumidor está muito preocupado em saber de onde está vindo o produto, como é produzido, se estão dentro dos limites permitidos aos defensivos agrícolas. Esse Programa é reconhecido pelo MAPA e principalmente pela Anvisa”, enfatizou. 

Atualmente estão enfrentando um grande desafio que é controlar o desperdício de frutas, legumes e verduras pois, é o maior volume, em termos de valor que existe de perdas para os supermercados. “Estamos falando de algo anual aproximado de 1 bilhão de reais que se perde só nos supermercados. Representa quase 6% de toda a venda. De um outro lado, a tendência desse número é subir porque em 2014, frutas, legumes e verduras representava 6,14%. Em 2018, esse número foi pra 9%, ou seja, cresceu 3% nas áreas internas dos supermercados. Vem ampliando ao longo do tempo e, as dificuldades que muitas vezes um fornecedor de um produto industrializado tem, pra aumentar seu espaço (dos itens expostos), é muito grande. Acho que essa é uma das grandes vantagens que a gente tem, é o espaço das frutas, legumes e verduras”, ele falou. 

Segundo Márcio Milan, a ABRAS promoveu uma grande discussão, através de um grupo de trabalho envolvendo agricultores, Ceasa, produtores de embalagens de plástico e papelão. “No Ceasa, foi identificado como é montado a carga, sabendo que 80% da venda de frutas, legumes e verduras passam pelo supermercados. Estamos há dois anos discutindo como resolver o problema das cargas, que se chama ‘carga mista’ dentro do Ceasa. Devemos apresentar no dia 14 de agosto a solução pra redução das perdas e desperdícios, que grande parte ocorre lá. Discutimos uma reestruturação, uma padronização das embalagens. Identificamos um grande distribuidor no Ceasa que vai receber os pedidos normais, os produtores de embalagens vão produzir determinadas embalagens (sem custo pra esse distribuidor), que vai mandar para um supermercado, produtos dentro das novas embalagens sem nenhum custo adicional, para fazermos uma medição, nos próximos meses, e saber o quanto as embalagens (papelão, plástico isopor) podem ajudar no desperdício”, concluiu.

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