Messias Haman iniciou-se na apicultura em 1960

Jornal Pires Rural – Edição 228 | LIMEIRA, Maio de 2019 | Ano XIII

Messias Haman era um desenhista retratista no final da década de 1950. Seu trabalho era colorir fotografias. Como a tecnologia das máquinas fotográficas compactas e os filmes coloridos se tornaram populares, a profissão de sr. Messias começou a perder espaço. Ele foi se desligando da atividade de retratista e partiu para trabalhar com a produção de mel. Desde os anos 60 sr. Messias Haman era adepto de uma alimentação mais leve, abstinha-se do consumo de carnes, dava preferência a frutas, legumes e trocava o açúcar pelo mel. “Foi no ano de 1960, eu ainda jovem. Gostava de mel e comecei comprar do produtor Guilherme Klein. Ele foi o incentivador do meu trabalho com abelhas, dando muito apoio”, comenta. 

Ele conta que no começo tinha muita dificuldade pra conseguir os enxames, “pegávamos em cupins nos pastos, nas chaminés de casas. Fui ampliando o comércio de mel e depois de cinco anos, já estava com sessenta caixas. Só depois de um tempo, eu fiz o curso de apicultura pelo Instituto de Ensino Apícola de Campinas, por correspondência. Eu aprendi muito, descobri o jeito de pegar os enxames. Com o estudo a gente aprende mesmo. Aprendi fazer rainha, tirar a geleia real. Um período muito bonito”, recorda-se.

As espécies de abelhas de mel que criava eram a carnica, a italiana, a caucasiana, mas, optou pela espécie africanizada “porque ela tem mais domínio sobre as outras e a sua produção é maior”, afirma. 

Assinta ao vídeo com Messias Haman apicultor desde 1960
Assinta ao vídeo com Messias Haman apicultor desde 1960

Sr. Messias detalha o trabalho das abelhas, “o processo das abelhas é ir na flor chupar o néctar e voltar pra casa. Ela consegue tirar toda a água do mel com o bater das asas dentro da colmeia. Tira cerca de 17% da água, tornando um mel mais denso. Porque o mel sai da flor como um líquido fininho. A medida que as abelhas vão centrifugando o mel, com suas asas, ele engrossa e se torna um mel apreciável. O mel mais apreciado é o da flor de laranjeira, todos gostam. Mas o mel silvestre também é bom e, é o mais disponível por falta das laranjeiras”, relatou. 

Ao responder o que é um bom mel? Sr. Messias diz: “a cor e o sabor influência muito. Mas o que mais se dá valor, é o mel de laranjeira, embora, todos os méis sejam de excelentes sabores. Mas todos querem o mel da laranja. Eu fico preocupado, porque não tem mais laranjeiras, aqui no bairro dos Pires. Temos que migrar pra outras regiões de laranjas como Aguaí, Casa Branca, Mogi, pra conseguir alguma produção de mel. A maioria das minhas colmeias estão em outras cidades, até no município de Leme”, lamenta.

Messias Hamann e sua esposa Elfi Jurgensen Hamann
Messias Hamann e sua esposa Elfi Jurgensen Hamann

Criação

“Para lidar com as abelhas temos que usar uma máscara. Nunca podemos mexer numa caixa de abelhas sem a máscara adequada, é a proteção que a gente tem pra conseguir mexer com as abelhas africanizadas”, sr. Messias orienta. 

A caixa de cria das abelhas tem várias divisões pois, afinal de contas, as abelhas põe mel somente para o uso próprio, então, as caixas de madeiras são faixas uma sobre as outras, “no quadro grande a rainha vai botar e formar um caixa forte. Em cima do quadro grande, no quadro pequeno ela não coloca a cria, só o mel. Os quadros menores são os quadros de alça. Só colocamos a alça na medida que o quadro de cria esteja completo de mel. Passamos a colocar mel no quadrinho e as abelhas vão encher os favos que passa a chamar-se quadrinhos de mel”, explicou. 

O sr. Messias exibe caixas vazias. “As abelhas estão morrendo devido ao excesso de veneno e a gente tem dificuldade de descobrir que tipo de veneno que matou. Mas é veneno. Uma mortandade muito frequente, tem apiário extinto pela morte de todas as abelhas. Conforme as abelhas morrem na caixa, outras abelhas de fora (da caixa) saqueiam todo o mel que permanece dentro da caixa, em pouco tempo. Muitas delas já morrem no campo devido ao veneno, elas nem chegam na colmeia e assim vai fracassando o enxame a ponto de dois a três dias não ter mais nenhuma abelha”, alertou.

Pico de produção 

Em sua experiência como criador de abelhas apontou que o apogeu da produção foi no ano de 2002, “eu cheguei a produção de 250 latas (25 kg) de mel de laranja, foi o ano que mais produziu mel. O auge aqui na nossa chácara”, informou.

Entretanto, nos últimos anos vem notando, acentuadamente, a falta das abelhas e os apicultores estão reclamando que não tem mais como trabalhar, porque o veneno destruiu tudo. Em sua opinião, o que pode ser feito para amenizar o problema é “desenvolver um tipo de veneno para a pulverização que não seja tão agressivo. A gente gosta tanto de abelhas, quase como a família da gente. A gente desenvolveu todo esse trabalho e sobreviveu. Não dá pra ficar rico mas, dá pra viver modestamente. É difícil deixar a apicultura”, lastimou.

Contudo, sr. Messias repassa a lição que aprendeu, “ser apicultor é gostar das abelhas e saber que ela está sendo útil para a população. Ela desenvolve a polinização. Nem que você não queira, ela faz de graça. Então, a gente fica até preocupado com o extermínio das abelhas, pois, entendo que lá no futuro vai faltar cereais”, prevê.

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