O irrigador solar automático

Jornal Pires Rural – Edição 218 | LIMEIRA, Julho de 2018 | Ano XII

Durante a Hortitec a Embrapa trouxe o pesquisador Washington de Melo, ele é físico e trabalha em São Carlos na Embrapa Instrumentação (SP). O pesquisador, gentilmente, demostrou como funciona sua criação, o irrigador solar automático que não usa eletricidade e ainda pode ser feito com materiais usados, uma criação rústica e eficaz que poderá ajudar desde pequenos produtores a jardineiros.

De acordo com Washington o equipamento é baseado em um princípio simples da termodinâmica: o ar se expande quando aquecido. Ele se valeu dessa propriedade para utilizar o ar como uma bomba que pressiona a água para fazer a irrigação.

Fazem parte do invento; uma garrafa escura de 2 litros, uma bombona (galão de 50 litros), tubos que podem ser mangueira fina transparente ou equipos de soro hospitalar, uma pequena boia, garrafa pet para ser o distribuidor para as tubulações que farão a irrigação, podendo utilizar mangueira de gotejamento com pequenos furos.

O irrigador solar automático na Hortitec
O pesquisador da Embrapa demonstra irrigador solar automático na Hortitec

A explicação

“O sol ilumina essa garrafa escura de 2 litros, que é aquecida sob absorção da luz, isso aquece o ar que está no interior da garrafa, o ar expande e empurra a água de dentro da garrafa para um tubo (mangueira fina). O tubo leva a água para um distribuidor de 2 litros e, imediatamente forma-se um vácuo dentro da garrafa escura. O vácuo fará a sucção da água que está dentro de uma bombona (galão de 50 litros), a água sobe por sucção por um tubo interno e jorra dentro da garrafa. A água jorrada segue o caminho para o distribuidor. A medida que o recipiente enche, vai diminuindo o fluxo da água vindo da garrafa. Esse é o momento que pode-se liberar a válvula que liga o tubo e a mangueira de gotejamento, que deve estar colocada nos canteiros que receberão a irrigação. Se houve gasto de água, o sistema pede mais, por isso acoplada na bombona há uma boia ligada diretamente à mangueira da rede de água, mantendo assim a bombona sempre cheia. São 2 situações importantes para o sistema funcionar, uma é manter sempre a bombona cheia e não ter entrada de ar na garrafa, caso contrário, a água não vai sair. Se quiser mandar água para uma extensão mais longe, eleva-se a bombona num patamar mais alto pois é o nível de gravidade que fará a distribuição de água para todo o terreno”.

É importante frisar que o gotejar na plantação só acontecerá quando houver sol, pois o sistema depende somente da luz solar, tornando sua operação extremamente econômica, promovendo, igualmente, uma economia de água, pois utiliza o método de gotejamento para irrigar e, um sistema automático sem fotocélulas que não demanda eletricidade, evitando o desperdício dos recursos. ”Funciona tão bem que se você sombrear a garrafa, o gotejamento para, e, ao deixar o sol bater novamente, a água volta a gotejar”, informa Washington.

Ele explica que o maior desafio para quem for fazer o equipamento em casa é a vedação. Para o funcionamento do sistema é necessário que as garrafas estejam fechadas hermeticamente. “Isso pode ser obtido com adesivos plásticos, do tipo Araldite, mas exige uma aplicação minuciosa”, ensina.

A versatilidade do equipamento é grande. A intensidade do gotejamento pode ser regulada por meio da altura do gotejador, o produtor pode colocar nutrientes ou outros insumos na água do reservatório e o uso da água será otimizado, e não menos importante, é possível construir o sistema com objetos que seriam descartados.

Para entender visualmente todo o processo do irrigador solar, você pode assistir ao vídeo explicativo que o Jornal Pires Rural fez com o pesquisador Washington de Melo, durante a Hortitec em Holambra, acesse nosso site: www.dospires.com.br ou nosso canal no Youtube: RuralvideosBr (www.youtube.com/c/RuralvideosBr), aproveite e se inscreva no canal para receber nossas notificações.

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