Jornal Pires Rural – Edição 219 | HOLAMBRA, Agosto de 2018 | Ano XIII

Há 10 anos, a Embrapa fomenta em sua unidade de hortaliças, na cidade de Brasília – DF, pesquisas com as PANC (Plantas alimentícias não convencionais), de acordo com a analista do setor de transferência de tecnologia, Lenita Lima Haber, a unidade mantém um banco de germoplasma dessas plantas. “Além de nossa preocupação em preservar o conhecimento e uso, queremos resgatar a produção das várias espécies, através do saber tradicional de pais e bisavós. Como temos um banco de espécies, procuramos com a extensão rural, juntamente com Emater, Epagri e Cati, montar bancos comunitários de multiplicação e incentivar a troca de materiais entre produtores” citou Lenita.


Um bom exemplo para a Embrapa é a Ora-pro-nóbis, Lenita conta, “ela é um planta que tem potencial de mercado mas, pelas características da planta, ter muitos espinhos, dificulta a colheita. Então, buscamos trabalhar, além do sistema de produção, a época de poda e os tipos de plantas. O nosso pesquisador Nuno Madeira, está tentando cruzar variedades para obter materiais sem espinhos, isso facilita o cultivo, porque hoje, mesmo o produtor usando luvas e fazendo a colheita de baixo para cima corre o risco de se machucar. Então, são linhas de pesquisa, porque a colheita e pós colheita da Ora-pro-nóbis é mais complicada por causa dos espinhos”.

Segundo Lenita, a Fisalis que abastece o mercado brasileiro é importada da Colombia, porém a Embrapa está enxergando um potencial de produção da frutinha no Brasil. “Estamos trabalhando o manejo e o sistema de produção e, descobrimos que as nossas Physalis estão com um brix (teor de doçura) mais alto do que as frutas quem vem da Colombia. Mas torno a dizer que ainda estamos na fase de testes”, frisou.

Muricato, que é da família das Solanaceaee, conhecido também como melão andino, é uma fruta que pode ser consumida in natura ou no preparo de sucos e tem um sabor mais adocicado que o tomate.

Outra planta trazida pela Embrapa para a Hortitec foi o Muricato, que é da família das Solanaceae, a mesma do tomate. Conhecido também como melão andino, é uma fruta que pode ser consumida in natura ou no preparo de sucos, tem um sabor mais adocicado que o tomate, chegando a ficar no tamanho máximo de uma pêra, para consumo é mais apropriado quando ele atinge o tamanho de um pêssego.

Em relação ao frenesi causado pelas PANC ultimamente, Lenita diz que o consumo dessas plantas não é um modismo pelo fato de cada plantar ter a sua regionalidade. “Algumas cidades mantém o costume pelas plantas, por exemplo, a vinagreira é muito consumida no Maranhão, vai na receita do arroz de cuxá e dos frutos fazem doces e geleias, além do chá de hibisco. Particularmente eu acho que o consumo de PANC não é momentâneo, essa descoberta das pessoas por essas plantas, é um conhecimento que veio pra ficar. O importante para Embrapa é ter o Feedback (reação) do consumidor e do produtor pra saber como e, o que trabalhar. Esse conhecimento mais abrangente que a população urbana está tendo, está fortalecendo nosso trabalho junto com o produtor, para produção de mudas e sementes. Esse segmento é uma cadeia informal, não vemos muito interesse pelas grandes empresas, então, temos que buscar uma fórmula de repassar e multiplicar esse aprendizado, pois vemos que é um nicho promissor de mercado que veio pra ficar”, Lenita abordou.

Azedinha tem sua propagação através da divisão de touceiras

Durante a feira Hortitec, milhares de pessoas passaram pelo estande da Embrapa e as questões mais abordadas foram, principalmente, onde conseguir as mudas das plantas em exposição, como fazer para obter sementes ou curiosidades referentes ao uso das plantas pós-colheita. O recomendado pelos representantes da Embrapa, era procurar por técnicos de extensão rural, que indicariam produtores que costumam fazer troca de sementes e mudas pois, essa ainda é a maneira de expandir a produção. Indicar o site da Embrapa, que tem muitas publicações, onde qualquer pessoa pode fazer o download dos documentos, era outra estratégia. A Embrapa, devido sua legislação, não pode vender comercialmente mudas ou sementes, por isso ela procura fazer parceria com empresas do segmento agro para viabilizar a propagação do produto final de suas pesquisas. Lenita relata, “a gente procura parceiros ou viveiristas que tenham interesse em estar multiplicando, aí através de um contrato de uso de marca, eles passam a produzir as mudas. Tudo de acordo com a demanda que recebemos do setor produtivo. Vemos que existem algumas espécies com chances maiores de inserção no mercado, as quais já tem uma demanda nos restaurantes e alguns nichos gourmet, entre elas estão a Physalis, Araruta por não ter glúten em sua composição, Ora-pro-nóbis que além de ser muito atrativa no preparo de carnes, principalmente em Minas Gerais, a farinha da folha de Ora-pro-nóbis, devido a alta quantidade de proteína pode ser misturada a outras farinhas ou ser vendida pura. Inclusive já existe uma empresa no sul do país, fazendo alguns testes. Por enquanto estamos em uma fase bem inicial de pesquisas e testes mas, é uma sinalização do mercado, querendo consumir essas plantas e estamos atentos a isso. Queremos atender grupos de produtores ou associações que demandam essas variedades e a regionalização de produção, cultivo e uso”, afirmou Lenita.

Salada Primavera:

Salada primavera utilizando folhas e flores da capuchinha

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