A Associação dos Amigos da Escola Alemã do bairro Campos Sales em Cosmópolis, realiza a 8ª edição da Festa Alemã, a partir das 19 hs e continua no domingo, a partir do meio dia.
O presidente Alcides Rolfsen conta sobre as atrações da festa, “começando pelo cardápio com o prato típico composto de salada de batata preparada com especiarias, ovo e mostarda, acompanhando uma porção de chucrute e 2 tradicional salsichão alemão, branco e vermelho, custando R$25,00. Tem porção de joelho de porco, com salada e chucrute por R$35,00, e o prato pra duas pessoas com joelho de porco, uma batata grande, pepino em conserva e uma salsicha por R$70,00. Ainda vai ter chopp, refrigerantes, brinquedos infantis e música ao vivo com Sandro e Wilson, vindo diretamente de Pomerode, Santa Catarina, a dança típica alemã com a Comunidade Alemã de Fribrugo – Campinas. A entrada é gratuita para a festa”.


Resgate cultural
Alcides Rolfsen e Karl Kadow são diretores da Associação dos Amigos da Escola Alemã, eles relataram que é uma festa familiar, em prol da tradição e cultura alemã e a preservação do prédio histórico, hoje, com 88 anos de construção e, 90 anos de seu projeto arquitetônico. Esse prédio histórico, onde é realizada a Festa Alemã, é de responsabilidade da Associação, que tem a concessão de uso e ocupação permitido pela Prefeitura Municipal. “É o único prédio com mais de oitenta anos da cidade de Cosmópolis”, citaram.
Alcides e Karl também narraram um pouco do história local e a trajetória dos imigrantes alemães que se instalaram em Cosmópolis, no final de 1800.

presidente Alcides Rolfsen da Associação dos Amigos da Escola Alemã

A história
O bairro Campos Sales tem uma história peculiar, surgiu praticamente com a cidade de Cosmópoils, iniciada pela família Nogueira e viveu seus tempos de glória com a estrada de ferro Funilense/Sorocabana. Com tantos empreendimentos para a época final de 1800, juntamente com a instalação da Usina Ester, o município recebeu do governo do estado um modelo de “reforma agrária”, o qual consistia na venda de áreas de 5 a 7 alqueires para produtores rurais (localizados próximo à estrada de ferro) e, o mais inusitado, um centro técnico (chamado campo de experiências) para dar “assessoria” para os produtores rurais, filhos de europeus recém chegados.

Karl Kadow, diretor da Associação dos Amigos da Escola Alemã

Segundo sr. Karl Kadow, muitos dos descendentes de europeus não se adaptaram as condições da cidade, aqueles que permaneceram construíram a escola e o salão de festas, algumas famílias luteranas freqüentavam a igreja de Confissão Luterana no bairro dos Pires em Limeira. “A certidão de batismo da minha tia é da igreja dos Pires”, relembra Karl.
O bairro Campos Sales passou a ser um grande produtor de cana-de-açúcar até passar por crise no setor na década de 70, conforme conta sr. Alcides Rolfsen , “meu avô cultivava cana-de-açúcar pelo sistema de quotas. Os produtores realizavam o corte e até transportavam toda a produção para a usina. Isso durou até um certo ponto, quando começou a crise, com o sistema das grandes indústrias na agricultura (agronegócio) ditarem os preços da produção”.
Depois da crise do preço da cana-de-açúcar, os produtores do bairro Campos Sales começaram a diversificar a produção com novas culturas como o algodão. “Houve uma época, que a empresa Teka investiu numa unidade na região e, era muito prático o escoamento da produção. Hoje, não temos mais produtores de algodão no município”, conta Alcides.
“A cana-de-açúcar foi tão importante para o bairro que em 1955, fundaram a Associação dos produtores de cana-de-açúcar e meu pai, Bruno Alberto Kadow foi um dos presidente dessa associação”, recorda Karl.
Embora o modelo de “reforma agrária” da época fosse um negócio muito bom para os produtores rurais, alguns daqueles que adquiriram áreas não conseguiram quitar suas prestações e precisaram vender suas terras.

Sr. Alcides e Sr. Karl viveram basicamente da produção agrícola, enquanto sr. Alcides produzia laranja e goiaba. Sr. Karl mantinha produção de hortaliças, milho, laranja e caqui comercializados na feira livre do município. “Cultivar caqui é uma tradição da minha família, me acompanha desde meu avô. Quando ele adquiriu terras em Cosmópolis, começou sua produção com frutas como uvas e laranjas”, descreveu.

Associação dos Amigos da Escola Alemã
Para preservar o prédio, de 1930, que abrigou a escola alemã e também foi área de lazer dos imigrantes europeus moradores do bairro Campos Sales, o ex-prefeito José Pivatto desapropriou o terreno onde está o imóvel e fez uma reforma. No local, a Igreja Luterana de Cosmópolis realizou a primeira festa alemã em 2010. Foi criada a Associação dos Amigos da Escola Alemã, que tem a concessão do prédio, com objetivo de resgate cultural e preservação do patrimônio histórico. Essa Associação que tem organizado e realizado as festas para arrecadar fundos e dar continuidade em prol da tradição e cultura alemã. Atualmente no local, há uma classe com estudo da língua alemã, pelo professor André Cardoso toda quinta-feira do mês.

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