Num contexto onde a publicidade é a alma do negócio, navegar pela internet é se tornar um alvo fácil para a mira certeira das propagandas. Quando você se conecta pela rede mundial de computadores está se expondo ao sol virtual, respirando o ar da conectividade, para acessar seus dados pessoais, que já vai longe o ser pessoal, clicando até o seu perfil das redes sociais, você passa pelo corredor dos anúncios comerciais e não tem como desviar o rumo, mas será que você precisa mesmo ficar longe do apelo das empresas? Afinal, elas só querem chamar sua atenção na hora de você esvaziar o seu bolso e, dar preferência a qual lhe chamou a atenção primeiro. Mas você como um carrasco, dono de si e de seus atos, e do suado dinheirinho, não quer saber, quer ceifar todos esses chatos anúncios. Porém, tem um pessoal pensando em não ser mais chato e entrar na sua vida como convidado de honra, o qual você orgulhará de te-los chamados. Vamos lá, pra você entender melhor.

Hoje em dia, o que a propaganda é? Pergunta Gustavo Tasseli, redator da agência Almap BBDO, responsável por atender na plataforma digital Volkswagen, Doritos, Antarctica, Bayer, Bradesco Seguros, Getty Images, GOL Linhas Aéreas, Havaianas, HP, iFood, VEJA e Visa.

Piracicaba, Escola Superior da Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), 10º Encontro de Marketing em Alimentos e Agronegócios. Conduzindo os trabalhos estava Gustavo Tasseli, redator da agência Almap BBDO, responsável por atender na plataforma digital Volkswagen, Doritos, Antarctica, Bayer, Bradesco Seguros, Getty Images, GOL Linhas Aéreas, Havaianas, HP, iFood, VEJA e Visa. 

Gustavo tinha o desafio de falar sobre o futuro da publicidade, lutou com toda a sua força para encarar essa árdua batalha, mas se perguntou: “Hoje em dia, o que a propaganda é?”, ele já tinha a resposta: “Aquilo que você paga para não ter. Você paga o serviço ‘premium’ do aplicativo  de música, de filme ou de esporte para não ouvir a propaganda chata que vem antes”, destacou. 

Entretanto, o início de sua palestra foi outro ao dizer que tentar traçar o futuro da publicidade é falar do que está sendo feito no presente. Gustavo apostou: “pra tentar ver para onde está indo (a publicidade) é ter uma chance bem grande de errar como Bill Gates fez”.

Holoportation

Bill Gates, 62, o fundador da Microsoft, teve dificuldades em saber como responder ao fenômeno da internet no auge do sucesso de vendas do Windows, no final da década de 90. Ele sentia que estava tudo certo e não queria que as coisas mudassem. A prioridade de Bill era proteger o Windows, cuja posição estratégica começou a diminuir com o aparecimento da internet. Era preciso confrontar a nova realidade e fazer as mudanças necessárias, só que ele demorou e quando fez foi um pouco tarde. Não é por isso que a genialidade de Bill é colocada em cheque, tanto que a Microsoft está desenvolvendo um novo meio de comunicação o Hololens. A descrição do HoloLens é simples, mas audaciosa: “o computador holográfico mais avançado do mundo que você já viu”. O produto é, de fato, uma máquina completa, contando com uma CPU, uma GPU e um processador holográfico que inaugura uma nova categoria de componentes, o Holographic Processing Unit (HPU). Com a capacidade de reproduzir som de forma uniforme e em todas as direções, o HoloLens garante que a pessoa vai poder ouvir até mesmo o áudio reproduzido holograficamente em suas costas. A primeira aplicação que nos vem ao pensamento, provavelmente, é o entretenimento. 

Afinal, imaginar-se em uma sala cheia de hologramas que conseguem simular perfeitamente um campo de futebol ou um outro planeta era algo de noites mal dormidas. As aplicações práticas que a Microsoft imaginou para esse produto foi na realização de projetos profissionais, como a gestão facilitada de plantas de arquitetura ou o design de produtos. Na área médica, seria possível ensinar conceitos a estudantes com hologramas sem ao menos tocar em um cadáver ou corpo vivo. Além disso, a Microsoft está trabalhando em uma tecnologia de comunicação 3D que simula o teletransporte usando os óculos de realidade aumentada HoloLens que apelidou de “Holoportation”. Isso até lembra um pouco o “Pirlim Pim Pim” do Sítio do Pica Pau Amarelo. Segundo Gustavo essa tecnologia poderia até interferir no sistema de transporte das cidades. “Imagine que você pode conversar com outra pessoa sem estar juntos presencialmente no mesmo ambiente. Participar de uma reunião de trabalho, sem sair da sua casa, colocando os óculos de realidade virtual, isso poderá ser possível, através de câmeras que fazem o mapeamento em 3D da sala, do seu corpo, da sua pele e colocando os óculos você vê a pessoa ao seu lado”, disse. E quando vai chegar? Bem, segundo a empresa, apesar de ainda estar em fase inicial de desenvolvimento, a promessa é de que o HoloLens chegue ao mercado dentro do “tempo de vida” do sistema operacional Windows 10, e o HoloLens, estará disponível para o mercado empresarial e para os consumidores comuns.

Influenciadores digitais

Isso quer dizer que a comunicação está mudando muito, citando um exemplo mais real; “não precisa mais ter a estrutura de um Luciano Huck ou Faustão para atingir 22 milhões de pessoas. Você só precisa ser engraçado, ficar sem camisa e falar diretamente para seu notebook”, soltou Gustavo, mostrando no telão uma foto de Whindersson Nunes, 22, nascido em Palmeira do Piauí, publica no YouTube, vídeos de paródias de sucessos musicais e faz shows de comédia pelo Brasil, falando o dialeto do seu público que, literalmente, chora de rir. Gustavo emenda, “ele é um influenciador digital. Tem talento. Faz standup, é meio fora da curva em relação a outros. Parece que tem um rendimento mensal de 900 mil reais”. De acordo com Gustavo no mundo existem 6 milhões de influenciadores digitais e mais de 313 mil estão no Brasil, “são pessoas que falam coisas muito especificas como corridas de avião ou colecionadores de bonecas do anos 80. São assuntos que não tem como tratar de maneira pulverizada numa Rede Globo ou Record. Os vídeos na internet estão superando as TV’s por assinatura e, 55% dessa audiência vem pelo celular. Tanto que o Facebook pediu para as agências produzirem os comerciais usando a tela na vertical pois, fica mais fácil de assistir, porque as pessoas têm preguiça de colocar o celular na posição horizontal”, revelou. 

Publicidade eficiente 

A comunicação como um todo vai ter que se adaptar as novas tecnologias. “Vemos mudanças nas revistas, nas rádios, a TV não vai morrer, a mídia impressa não vai morrer, vão se adaptar as mudanças que estão ocorrendo e nós vamos ter que nos adaptar junto”, destacou Gustavo. Fala-se muito da disputa entre TV versus Internet no mundo todo, isso desde 2009, “mas essas ideias que a internet tá vindo, vai bombar no Brasil, mas saibam que ela atinge 100 milhões de pessoas ao longo do ano. A Rede Globo atinge isso em um dia. Cinquenta por cento dos brasileiros não tem acesso a internet ou não acessam constantemente. Então, não dá pra considerar o que dizem, que agora é a vez da internet. Não dá pra falar que a TV acabou, que a mídia impressa acabou. Elas estão apenas se moldando e não adianta ter as melhores ferramentas se não tem criatividade para usá-las”, ele avaliou. 

Diversos foram os exemplos usados por Gustavo para mostrar a forma criativa de como estão usando os novos meios de comunicação e os aplicativos, facilitados pelas recentes tecnologias. Vale destacar os vídeos de propagandas, ele citou que o escritório do Google no Brasil desenvolveu uma ferramenta chamada Vogon “que dá o vídeo certo para a pessoa certa”, ou seja, quando você faz busca pelo Google sobre algo que procura, a plataforma recolhe os seus dados de busca e repassa essas informações para as empresas que adquirem as ferramentas como o Vogon, rebatizada como Director Mix, que tem o objetivo de simplificar o processo de criação de diferentes versões do mesmo vídeo, adaptando o conteúdo a cada tipo de público. “As marcas fornecem os blocos de construção do anúncio, como, por exemplo, diferentes locuções, fundos e textos, e o sistema cria várias versões para os diversos segmentos de audiência”. Outra ferramenta que utiliza a informação de suas pesquisas usando o celular, o Google sabe o que você está fazendo e na hora que esta fazendo, baseado nisso, ele te envia um anúncio relativo a sua busca. “Por exemplo, se você estiver correndo pela manhã, o seu celular vai emitir um sinal de sua localização, o acelerômetro é ativado, o aplicativo sabe seu perfil e vai te oferecer um anúncio de café da manhã pós-treino da padaria próximo de onde você está. Ou ainda, ele entende que você está indo a um shopping assistir um filme e o aplicativo te manda um anúncio de uma blusa que você pesquisou e ela esta na promoção nesse shopping que você está a caminho”, exemplificou.

Outra tecnologia associada a internet e aos óculos de realidade virtual (VR), está sendo utilizada pelo Museu Americano de História Natural, “estão fazendo uma experiência na ala de história natural com o Google Cardboard, um VR (óculos de realidade virtual) de papelão. Quando as pessoas colocavam o celular na frente do olho, ele reconhecia o esqueleto de um dinossauro, que criava vida e se movimentava através da realidade virtual. O Museu queria, com isso, atrair mais visitantes como as crianças. Essa é uma das adaptações possíveis do VR”, contou Gustavo. 

Outro exemplo são as SmartTv outra grande mudança, “na minha casa temos Netflix e às vezes compramos conteúdos da Amazon Prime, da HBO Go ou serviços extras da internet, pagando só aquilo que queremos assistir”, relatou Gustavo. 

Finalizando, o redator abordou que o papel de quem trabalha com publicidade é fazer coisas mais relevantes para a vida das pessoas e “parar de atrapalhar o consumidor na hora que ele está em seu momento de lazer, no momento de cultura. Se começarmos a fazer algo com relevância para o consumidor, nossos investimentos serão mais eficientes e o objetivo de nossa propaganda vai ser mais facilmente cumprido”, ele concluiu. 

Programação do 10º Encontro de Marketing em Alimentos e Agronegócios

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