Será o primeiro projeto de agricultura de produção orgânica da Nestlé no mundo, e a Korin será consultora para esse trabalho no Brasil

A fundação Mokiti Okada desenvolve pesquisa em agricultura e pecuária sustentáveis embasadas na Agricultura Natural, modelo preconizado pelo filósofo e espiritualista japonês, Mokiti Okada (Japão 1882-1955). O Centro de Pesquisa Mokiti Okada – CPMO, está localizado no município de Ipeúna, SP, com estrutura administrativa e infraestruturas de apoio à pesquisa como laboratórios, casa de vegetação e estufas. Na foto acima estão Luiz Carlos Demattê Filho, diretor industrial e Seigi Hanashiro, gerente comercial da Korin.

Além de atuar na pesquisa, o CPMO tem participação em diversos fóruns, tanto no âmbito estadual, na Comissão a Produção Orgânica do Estado de São Paulo (CPOrg/SP), Conselho de APAs – como conselheiro no desenvolvimento sustentável e de conservação das Áreas de Proteção Ambiental Corumbataí e Piracicaba, em âmbito federal na Câmara Temática da Agricultura Orgânica – CTAO, na elaboração do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica – PLANAPO.

O Centro de Pesquisa Mokiti Okada traz quatro linhas básicas de pesquisa, de plantas, pesquisa e desenvolvimento em sementes, microbiologia. Os produtos Korin são encontrados nas lojas da Korin, os insumos pelos representantes comerciais, e as sementes em lojas agropecuárias, redes de supermercados e representantes, ou entrar em contato com a empresa. A Korin esteve presente na Hortitec 2018, expondo seus produtos, onde tivemos a oportunidade de entrevistamos o diretor industrial, Luiz Carlos Demattê Filho.

JORNAL PIRES RURAL: Qual é a maior dificuldade a produção de sementes orgânicas?

Demattê Filho: A maior dificuldade na pesquisa e produção de sementes orgânicas é a competição no mercado. Além disso, a produção exige muito aparato técnico, recursos humanos capacitados e treinados, armazenamento, compondo uma série de investimentos. O setor está nas mãos de grandes empresas porque a legislação ainda não exige sementes orgânicas. Para conseguirmos pelitizar as sementes orgânicas é necessário escala de produção e, o volume que produzimos ainda não justifica. Por isso, o nosso grande mercado é de hortas caseiras e agricultores em menor escala. Porque o agricultor profissional precisa de material pelitizado.

JORNAL PIRES RURAL: Qual é o panorama da produção de orgânicos no Brasil?

Demattê Filho: A produção e o consumo de orgânicos no Brasil está crescendo bastante. O país tem uma legislação de orgânicos muito boa — a Korin faz parte da Câmara Temática de Orgânicos. A nossa legislação, construída com uma base social democrática, inclusiva, com uma série de princípios que contribui no mercado de orgânicos que vem crescendo de maneira consistente. Muito mais que qualquer outro país sul americano, centro americano. O Brasil tem um mercado que passa de 1 bilhão de euros /ano (considerado bom). Porque estamos no tamanho do mercado japonês, espanhol, australiano.

JORNAL PIRES RURAL: Qual é o perfil do consumidor de orgânicos no Brasil?

Demattê Filho: O perfil de quem consome orgânicos é paulista, mulher, jovem, mães, classe A e B, nível educacional não necessariamente superior, trata-se de pessoas preocupadas com questões de saúde, alimentação, meio ambiente, sustentabilidade, são pessoas politizadas. Mas ainda, temos muito a conquistar. São muitos artistas envolvidos no assunto. Nos últimos cinco anos o consumo saiu da militância pra uma questão de mercado. Ganhou mercado porque hoje já encontramos produtos disponíveis.

JORNAL PIRES RURAL: O mercado brasileiro de orgânicos pode ser comparado aos mercados de quais países?

Demattê Filho: O mercado de orgânicos no Brasil vem crescendo porque é um mercado que se assemelha ao tamanho de mercado de países de alta renda como é Japão, Espanha, Austrália. Somos um mercado maior que Rússia, Índia, maior que muitos países europeus, que todos os países latino-americanos e centro-americano, que todos os países africanos e oriente médio. Quem está à frente do Brasil no mercado de orgânicos é Alemanha, França, Itália, Inglaterra, Estados Unidos, Canadá. Estamos falando de produção e mercado.

JORNAL PIRES RURAL: No Brasil, quais são os estados que lideram o consumo de orgânicos?

Demattê Filho: No Brasil, São Paulo se destaca como maior mercado consumidor. Na sequência vem Rio de Janeiro, Brasília – com uma praça que tem demanda com produções interessantes. No Sul, temos uma produção interessante com relação a pequenas propriedades e arranjos produtivos familiares em Santa Catarina. Um detalhe do Brasil, é que somos o maior exportador de açúcar orgânico do mundo.

JORNAL PIRES RURAL: A curto prazo o que poderíamos avançar nos entraves na questão dos orgânicos?

Demattê Filho: A fundação Mokiti Okada participa da Câmara Temática da Agricultura Orgânica -CTAO, espaço onde envolve assuntos técnicos e políticos também. Politicamente eu diria assim, o Brasil no atual contexto político confuso e caótico, obviamente setores sensíveis como é o caso da agricultura orgânica sentem as consequências. A agricultura orgânica carece de políticas públicas mais adequadas. Tivemos um período interessante, onde algumas políticas públicas foram implementadas nos últimos dez anos, por isso tivemos um bom cenário de busca e algumas coisas legais foram implementadas como o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Organica, o PLANAPO. A Politica Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica foi implantada em 2013, isso motivou para que Estados também implantassem suas políticas. Recentemente assinamos em São Paulo a política e, nós trabalhamos na Politica Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica chamada PEAPO. Então, do ponto de vista de políticas públicas, elas passaram a existir nos últimos 10 anos. Havia uma série de ações acontecendo nas políticas e ações públicas mais consistentes que nessa confusão (política) toda as coisas se voltaram agora pro mercado. Havia um ambiente público institucional consistente e aí neste processo político caótico o mercado vem dando sustentação. Mas, nesse tempo nós construímos as políticas, construímos a Lei do Orgânico, de 2003 mas, só foi regulamentada em 2011. Então, toda a parte do Selo de Conformidade para a Qualidade Orgânica, só foi implementado em 1 de janeiro de 2011. Todo o mercado começou a entender o orgânico a partir da implementação do Selo, algo muito recente.

JORNAL PIRES RURAL: Podemos dizer que o mercado de orgânicos, no Brasil, está consolidado?

Demattê Filho: Trata-se de uma onda mundial global com a Europa avançando bastante na produção orgânica, em área, produção consistente de leite e vegetais orgânicos. Porque os governos europeus vêm adotando a produção orgânica como uma estratégia de Estado e segurança alimentar, saúde e bem-estar. Se formos comparar o Brasil com países semelhantes como a Argentina, Chile, México, África do Sul, aconteceram medidas no Brasil que não aconteceram na Espanha, ou seja, instituições que se voltaram firmemente para a organização da sociedade com conquistas importantes. Por exemplo, a Rio 92 é considerada uma delas. Hoje, o Brasil tem um papel importante frente à política de orgânicos e uma produção que vai crescer muito nos próximos anos. A partir deste ano começamos ver grandes empresas como o caso da Nestlé, por exemplo, a partir de 2019 começa a lançar o leite orgânico. Nós (Korin) somos os consultores da Nestlé para esse trabalho no Brasil. É o primeiro projeto de agricultura de produção orgânica da Nestlé no mundo.

JORNAL PIRES RURAL: Você considera a produção de orgânicos de grandes empresas alimentícias uma tendência?

Demattê Filho: Eu diria que sim. Muitas empresas como a Isla Sementes, a Bejo Sementes (já tem produções orgânicas). A Nestlé tem produtos orgânicos de outros mercados, adquire a produção de outros. Não é uma produção dela. Aqui (no Brasil), vai ser a primeira produção própria da empresa. O sistema consiste na compra da produção de produtores que ela fomenta. Não será um sistema de integração. Os produtores são independentes com uma relação contratual para a empresa adquirir o leite desses produtores. Um sistema de negociação na qual a Nestlé subsidia, inclusive.

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