Sr. Waldomiro Jorge Ivers é uma sumidade quando tratamos do assunto reflorestamento de mata ciliar aqui em Limeira. Ele já foi homenageado diversas vezes, sua esposa Senhora Fosca Odette Rodrigues Ivers, é a “secretária” que guarda tudo anotado e organizado. Sr. Waldomiro (ou Verdemiro como já foi apelidado) é referência tanto para estudantes quanto para empresas que querem implantar políticas ambientais. Para se ter uma idéia mais clara sobre o trabalho que este Senhor de 73 anos e espírito jovem vem realizando, basta dizer que o replantio das matas ciliares em suas propriedades começou em 1989, sem nenhuma pressão por alguma Lei ambiental.
Em meados de outubro passado, estivemos em seu santuário para conhecer e aprender mais do seu amor pela natureza e as suas raízes culturais e familiares. Ele conta que seu avô tinha 700 pés de laranja produzindo e seu pai, João Arthur Ivers, já nasceu citricultor em 1908. Portanto, já faz um século que a família está envolvida com citricultura. Conta SR. Waldomiro que o pomar recebia diversas visitas de banqueiros, empresários, políticos e curiosos, “para chupar laranja no pé”, comenta ele. O sítio ficava no bairro dos Pires de Cima antes da antiga venda do Turco. Esse fato orgulha muito Sr. Waldomiro, pois mostra que seu avô foi um “pioneiro no plantio de citros antes até de Major José Levy Sobrinho, Eliseu Prada e Mário Souza Queiroz” diz. Outro fato curioso de seu avô é que era “frangueiro” com um tino comercial apurado, e com a carroça vendia açúcar mascavo, sal, macarrão, fumo e nem sempre o pagamento era em dinheiro, às vezes era um “porco gordo, ovos e frango (daí o nome) que arrecadava, empacotava e cuidava de despachar para São Paulo até o Sr. José Barão do Mercado Municipal. Quanto mais ele mandava, mais e mais mercadoria esse homem exigia” relembra Waldomiro.
Heráldica
Pesquisando em busca de maiores informações sobre as origens de sua família e sobre os símbolos que a representava, ou seja, os seus brasões de família, Sr. Waldomiro descobriu que o sobrenome Ivers é de origem Irlandesa, com uma forte influência Viking. Seu bisavô, João Davi Ivers, foi um imigrante que veio dos Estados Unidos para o Brasil, nasceu na fazenda 7 quedas em Campinas e seu pai no bairro dos Pires.
Recompensa
Sr. Waldomiro mora atualmente no bairro Pinhal, na “Chácara Pinhal” propriedade de seus pais João Arthur Ivers (in memorian) e Iliria Hergert Ivers. Influenciado por sua mãe, hoje com 94 anos, ativa no hábito de “cuidar de seu jardim, com sua enxadinha, plantando semente, colhendo sementes” comenta ele, e percebendo que a natureza vinha se degradando, começou a reflorestar trechos da propriedade no inicio dos anos ´90, que em 2005 chegou à marca de 100 mil árvores plantadas. “Estou satisfeito por ter acordado naquela época para uma coisa que hoje é muito valorizada e necessária. Esse sol bravo que estamos sentindo é conseqüência de matas que foram derrubadas” diz Waldomiro.
Procura chamar para suas ações ambientais, autoridades, poder público, amigos e estudantes para juntos realizarem o plantio e “assumirem” o compromisso responsável de espalhar esse ato para todo canto. O que é admirável no Sr. Waldomiro Jorge Ivers é o poder e a confiança que as pessoas depositam nas suas ações. Em uma delas, ele nos contou que teve apoio do Corpo de Bombeiros “para coletar sementes de um jequitibá que está na escola dos Frades. Essas Sementes eu fico com um punhadinho e repasso outras para a Secretaria de Agricultura que hoje tem um bonito viveiro no horto e distribui mudas”, disse.
Uma fala carregada de emoção foi nos contar como sua família reagiu ao vê-lo reflorestando a mata ciliar, “Meu irmão e meu cunhado falavam na época, em ´90, ´91: deixa de ser bobo, ninguém ta fazendo isso. No meu aniversário de 70 anos fizeram uma homenagem surpresa, em um vídeo meu irmão apareceu dando um depoimento de que o trabalho de reflorestamento era fundamental e estava arrependido de toda a crítica que tinha feito anteriormente. Esse depoimento me deixou muito emocionado”, relembra Sr. Waldomiro.
Produção
“A minha produção de mudas é artesanal. Comecei com 2 mil por ano e hoje tenho uma produção de 10 mil/ano. Tudo que produzo é para o nosso uso e ainda é pouco, preciso de mais mudas e quem compra é o meu irmão, para reflorestarmos nossa propriedade continuamente. Esse ano estou calculando plantar 6 mil mudas”, comenta.
Hoje muitas empresas estão plantando árvores e formando viveiros. Esse é o caminho? Perguntamos. “Sim, esse é o caminho” respondeu e acrescentou “A Usina São João trouxe parte de sua equipe aqui no meu viveiro para saber como eu fazia. Hoje, me parece que estão plantando 100 mil mudas por ano. Eu queria cumprimentar esse pessoal. Conheci uma grande fazenda canavieira em Orlândia, a fazenda Vale do Rosário, que a parte do viveiro e a reflorestada é bem grande e tem funcionários que só cuidam dessa parte. Sou da opinião que cada produtor, seja médio ou grande até o pequeno pode produzir as suas próprias mudas. Cada um fazendo sua parte. Eu faço aqui desde a sementinha e ainda recebo muitos alunos de diversas escolas para aprender a semear e depois visitar a mata já formada. Tem até um Livro-Verde que minha esposa guarda com as recordações de cada visita”.
“Sinto-me realizado com 73 anos, e com a certeza de que o eu faço tem muito valor e importância para a natureza, para o meio ambiente, para as pessoas e para reconhecer o colorido das flores, o canto dos pássaros, as frutas, o formato diferente dessa maravilha que Deus deixou para nós”, finaliza Sr. Waldomiro Jorge Ivers.