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O texto ao lado está na edição Edição 74 - Maio 2009

Ed 74

 

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PEDAGOGIA DO OPRIMIDO

Em recente estudo sobre a análise da ocupação e uso da terra em áreas de expansão urbana na sub-bacia do Ribeirão dos Pires, o mestre Ricardo José Contijo Azevedo, apresentou a confirmação do forte processo de “urbanização” no bairro dos Pires e o impacto que a sub-bacia vem sofrendo. “Constata-se assim a necessidade de uma maior preocupação do poder público em preservar as matas da sub-bacia, como condição para manutenção dos recursos hídricos da área, que possui grande relevância ambiental, em virtude dos vários mananciais ali presentes. Espera-se que novos trabalhos possam ser realizados na sub-bacia como meio de informar a população local dos riscos sócio-ambientais provenientes da expansão urbana na área, buscando conscientizar a sociedade para a importância de conservação dos recursos hídricos da localidade com vistas à manutenção de vida da população limeirense”.
O que temos visto é a grande  dificuldade econômica que o produtor  familiar enfrenta e que pode até gerar a venda da propriedade para chácaras de lazer. As dificuldades revelam um lado contraditório, pois aqueles que permanecem em suas propriedades, mesmo na produção de citrus contam com o público flutuante, que visita as chácaras para consumir a laranja, com preço mínimo oferecido pela indústria. Mas,  os que resistem, já reconhecem que o bairro não dispõe de oportunidades, como a abundância de água no local. O ribeirão dos Pires agoniza na produção de água. O produtor rural limita-se a cavar um tanque e daí esgotar o necessário para a pequena produção. Não dispõe de conhecimento sobre a cobrança pelo uso da água em 2010 e, quando indagado sobre o assunto, responde que a sua reação será dar “pauladas” naquele que se apresentar como cobrador.
O agricultor do bairro dos Pires não estabeleceu uma relação de mútuo pertencimento com o meio onde vive. É sábio aquele pescador que mantém em seu ofício o   conhecimento rico adquirido  ao longo da convivência  com seu pai e amigos. Enquanto, o agricultor que não estabelece a relação, nem investe na terra como sua, com a consciência de que haverá retorno para si, filhos e netos, perdeu a ligação com o cosmos, o planeta, o ecossistema. É o que tem acontecido também com as nossas crianças, as quais são obrigadas a continuar seus estudos em outros bairros e na cidade, perdendo assim o vínculo com a terra, mas permanecendo o sentimento.

Pedagogia no meio rural

O Projeto “Berçário” foi criado em parceria com a escola municipal Martim Lutero e bairro dos Frades, com o objetivo de promover o desenvolvimento local, buscando o conhecimento da produção e plantio de mudas, desde a coleta de sementes e frutos, seleção, organização e armazenamento (para um banco de dados);  processo de germinação, organização do viveiro de mudas e o plantio de desenvolvimento das mudas durante o período de um ano. Iniciado no dia da árvore de 2008 e previsão de ser concluído no dia da árvore de 2009, contou com a presença de autoridades locais e o discurso da diretora Maria Donizetti Augusto “ O Projeto “Berçário” que se inicia hoje, em parceria com a Ong Viva Pires vai contribuir para o aprendizado das crianças através da valorização do bairro onde moram e de ações que conscientizem sobre a importância da preservação do meio ambiente”, afirmou a diretora.( jornal Pires Rural edição setembro 2008.)
O Projeto foi organizado em três etapas, de comum acordo, onde as crianças realizariam atividades na sede da Ong Viva Pires e a equipe também visitaria a unidade escolar para facilitar o andamento das atividades. Mas, iniciado o ano letivo, a resposta da direção escolar para a agenda das visitas foi o rompimento da escola com o Projeto “Berçário” . Segue a justificativa da diretora: “ Informo que as equipes pedagógicas das escolas Martim Lutero e bairro dos Frades decidiram que neste ano outros projetos serão priorizados. Nossas crianças, por residirem na área rural, já vivenciam diariamente as etapas propostas no Projeto “Berçário”. Como já temos projetos relacionados ao meio ambiente, inclusive o Projeto “Aprendendo com a Natureza” do Cati, outros projetos serão necessários para atender a nossa proposta pedagógica principalmente os  que agreguem conhecimentos diversificados, aos quais as crianças da área rural não tenham acesso no seu dia-a-dia”, Maria Donizetti Augusto, diretora de escola, por e-mail, dia 06 de abril de 2009.

A educação ambiental deve estar aberta a integrar e fazer interagirem os ensinamentos das ciências e das tecnologias, das artes, das filosofias de vida e do mundo, das espiritualidades e das religiões. E deve sempre aproximar os conhecimentos do “senso comum” e os que nos chegam das universidades  e dos centros de alta pesquisa.

Os temas e assuntos da educação ambiental desdobram-se em pelo menos quatro dimensões de objetivos: os biológicos, os políticos, os econômicos e os espirituais/culturais.

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