Agricultura familiar para enganar a quem?
A agricultura familiar é tema de debates, números consideráveis para sustentar o PIB nacional, orgulho para aqueles que conseguiram “prosperar” conquistando terras e estudando os filhos doutores.
Mas, o que é que realmente define a agricultura familiar no nosso país? Uma expressão meramente descritiva, não um conceito. Surgiu nos anos 90 exclusivamente para democratizar o acesso ao crédito rural e, dessa forma enraizar ainda mais aquela sociabilidade. Ante tal objetivo, vivemos diante de um conceito destinado à população carente do campo, desprovida de um processo que efetive a inclusão das famílias citadas por tal conceito.
Ante tal embrólio, como acreditar que a agricultura brasileira se divide em agricultura familiar e agronegócio, se agricultura familiar se resume a ter “acesso” ao crédito para produzir mais, sem técnica e com os mesmos recursos de 50 anos atrás? Ante tal ilusão, todos os produtores se integram ao agronegócio, embora sob formas distintas.
O termo “agricultura familiar” tem tentado atualizar a vida rudimentar do caipira retratado na obra “Os parceiros do Rio Bonito”, onde o autor Antonio Candido admite a existência relativamente autônoma, embora precária e ameaçada de civilização rústica, constituída durante a colonização nos interstícios da sociedade, centralizada no latifúndio agroexportador, onde a sociedade caipira se caracterizaria pela simbiose com a natureza, a produção de mínimos vitais e sociais e, morfologicamente pelo bairro rural. A conclusão da época aponta para uma reforma agrária que respeite as condições de existência do caipira paulista e do homem rústico brasileiro.
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