COP 15

 

O que aconteceu com a Convenção sobre mudanças climáticas?
cop15

Para responder a essa pergunta é preciso dizer qual era a esperança do mundo todo para esse evento: Que os líderes dos países ricos (Estados Unidos, União Européia) assinassem acordos que reduziriam significantemente a emissão de gases poluentes e que interferem no aumento da temperatura de nosso único planeta.
Diante da presença oficial de 192 nações, essa Convenção do Clima, também chamada de COP 15, tinha como objetivo traçar um acordo global para definir o que poderá ser feito após 2012, quando termina o primeiro período de compromisso do Protocolo de Quioto, criado em 1997. Esse protocolo foi o primeiro acordo entre as nações, que reconhecia que o aquecimento global era o maior desafio a ser enfrentado pelos países, pois a forma de produção de bens de consumo utiliza energia não renováveis como o petróleo, o que  provoca a emissão de gases que avançam sobre a camada de Ozônio e causam  o efeito estufa na Terra.
Então, voltando a pergunta do título, o que aconteceu com a Convenção? Após duas semanas  de debates, infelizmente os acordos e metas tão esperados não foram concretizados, mas durante uma reunião entre Brasil, China e África do Sul, o presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, pediu licença para participar e foi nessa reunião que saiu uma carta de intenções em que todos se comprometem a não deixar a temperatura aumentar em mais de 2° neste século, deixando um caminho aberto para um possível acordo no próximo encontro agendado para o final de 2010, no México.
A Ciência e a rua
Pelos dados científicos apresentados é necessário que as nações industrializadas cortem as suas emissões de gases estufas entre 25 a 40%, até 2020 e entre 80 e 95% até 2050, mas para isso é preciso diminuir o crescimento econômico. Esse foi o principal impasse. Tanto países desenvolvidos quantos os em desenvolvimento não concordaram com os números propostos, sem acordo não há meta. Mas no papel, países ricos concordaram em direcionar 30 bilhões de dólares nos próximos 3 anos para ajudar as nações pobres a lidar com as alterações climáticas. Esse documento não tem força de Lei e também não explica quem são os responsáveis pela gestão dos recursos.
Nas ruas de Copenhague manifestantes usaram cartazes para dizer que Barak Obama deveria se envergonhar do acordo, assim como os meios de comunicação local criticaram a falta de comprometimento mais ousado por parte de países desenvolvidos. Resta saber se Obama vai levar as discussões para os Estados Unidos, para seu governo tentar apresentar uma proposta mais efetiva nas próximas reuniões, para superar o fracasso dessa vez.
Resumindo, o Cop 15 não teve êxito, pois estipulou a meta de redução em 20%, enquanto o mínimo esperado era de 25%, além de redigirem uma carta de intenções, sendo que o dever era não ultrapassar 1 grau e meio no aumento da temperatura do planeta.
Moeda  brasileira
Para o Brasil a lição de casa para contribuir contra o aquecimento global e dar exemplo ao mundo é encontrar um novo caminho na produção de bens e aumentar o uso de energias renováveis.  Na agropecuária, deve-se  utilizar mais o plantio direto, pois cada hectare consegue retirar 500kg de CO2 da atmosfera, com uma produtividade bem maior. Integração pecuária-lavoura, passando de meia unidade animal/hectare para duas e meia, tendo pastos cultivados além da exploração florestal. Com isso teremos um resultado econômico muito maior, aproveitando os 100 milhões de hectares de pastagens  que temos, tanto para pastagem quanto para lavoura, além de investimentos em pesquisas de variedades de plantas resistentes a secas e altas temperaturas.
O princípio das mudanças começa pela parceria entre Governo, sociedade e empresas. Não basta apenas a sociedade escolher,  por exemplo, um meio de transporte menos poluente se o governo não der incentivos a esse setor, estimulando novas cadeias produtivas de tecnologias limpas com vista à redução de emissões de gases efeito estufa. Além de toda a pressão que a mídia, ONGs e instituições fizeram na COP 15, a sociedade de cada nação deve fazer essa mesma pressão sobre seus líderes, mostrando suas preocupações e seus ideais para a preservação do planeta.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

©2008 m2a Comunicação e Multimeios | Jornal Pires Rural | Todos os direitos reservados