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Notícias da edição 76 - julho 09

ed 76

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Com setor em situação ruim produtores procuram-se organizar

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O citricultor, porta-voz da Defencitrus
José Zambon.

O ano de 2009, para a maioria dos pequenos e médios citricultores, tem sido bem azedo. Desde os descobrimentos dos primeiros focos de Greening, por volta de 2004, parece que para alguns o setor começou a desmoronar em uma voçoroca sem fim.
Segundo os produtores, o preço pago pela caixa de laranja não cobre os custos de produção. É constante o noticiário de blitz do Ministério Público do Trabalho em pomares, flagrando colhedores sem equipamento de proteção e ausência de registro em carteira. O controle de  pragas e doenças,  investimento alto em inseticidas para aplicações quinzenais, além do  controle do Greening, onde é necessário arrancar as plantas contaminadas,  tem reduzido consideravelmente o número de pés nos pomares. Financiamentos chegando ao fim da carência num momento de citricultores descapitalizados. Alguns tendo que pagar financiamentos, que tinham juros anuais de 8% e agora  estão em 28% devido ao atrasos das parcelas. Parece que o manejo sentado apenas no banco do trator, passando veneno ou roçando o mato, está chegando ao seu fim. Descer do trator e vistoriar pé por pé, se comunicar, se unir a outros e buscar ajuda parece ser o único caminho. Foi o que fez José Roberto Zambon, citricultor da cidade de Brotas/SP e porta voz da recém criada associação Defencitrus.
Zambon esteve na redação do JORNAL PIRES RURAL onde contou que, em suas atividades com a Defencitrus,  já conseguiu uma audiência com o secretário de agricultura do Estado de SP, João Sampaio, dia 16 de junho. Segundo ele, o secretário recebeu 10 citricultores de diferentes cidades e os assuntos tratados foram “preço da caixa de laranja, cancelamento do contrato do Estado com a Fundicitrus, produção de adubos, inseticidas e herbicidas “genéricos”, como existe na China, taxa cambial e direitos de conviver com o Greening sem arrancar os pés”. Para essa luta ele também busca o apoio do Sindicato dos Colhedores de Laranja, pois se “acabar a citricultura nas pequenas e médias propriedades, deixaremos de empregar cerca de 400 mil trabalhadores”.
Baseado nos objetivos da Defencitrus, que reúne citricultores de Aguaí, Brotas, Pirassununga, Limeira, Artur Nogueira entre outras, Zambon nos contou item por item discutidos  com o secretário João Sampaio, veja alguns:

Preço da caixa de laranja: “Com a variação cambial, deixando o real sempre desvalorizado,  parece que o Banco Central está jogando contra nós. É notório que para pequenos e médios citricultores a indústria do suco, que está na mão de apenas 4 grupos, paga de R$5 a R$8 uma caixa que pesa 40 kg. Enquanto que para o grande citricultor (com uma produção na ordem de 6 milhões de caixas /ano) é pago de R$12 a R$15. É preciso o governo intervir e estabelecer um preço mínimo condizente com o custo de produção,  para garantir na hora da negociação com a indústria um preço justo. Para entregar em sua porta, hoje a indústria paga US$3,50, isso cobre o frete e a colheita”.
Ministério Publico do Trabalho: “Estamos assistindo a pressões do Ministério Público do Trabalho para cumprir as leis trabalhistas, o uso de equipamentos de proteção, banheiros químicos, registro em carteira. Mas por outro lado, não vejo o governo zelar pelos mesmos direitos, como garantir um preço mínimo para a caixa de laranja. É impossível cumprir tudo o que ministério quer,  recebendo 3 dólares pela caixa de laranja. O ano passado muitos citricultores optaram pelo “Condomínio” como sistema de colheita. Esse ano, não sei como vamos fazer. Sei que a indústria registra trabalhadores para colher laranjas nas propriedades dos grandes citricultores, enquanto que o pequeno e o médio tem que se virar sozinho e conviver na apreensão de aparecer algum fiscal do Ministério Publico do Trabalho”.

Greening: “Para controlar o Greening, os cientistas do governo nos orientaram a pulverizar o pomar a cada 15/20 dias, rotacionando. Mas como fazer isso pelo preço que recebo pela caixa da laranja (US$3,50)? Com isso parece que o governo não está querendo acabar com o Greening e sim, abandonar o pequeno e médio citricultor. Como isso está acontecendo quero ter o direito de não arrancar os meus pés contaminados com Greening. O João Sampaio comentou que está fazendo um esforço muito grande contra o Greening, e que  enviou uma equipe de cientistas para saber como os Estados Unidos estão  caminhando em suas pesquisas. Mas ele não sabia que um cientista americano esteve em Cordeirópolis, dizendo ter formulado um coquetel de remédios que está  sendo aplicado em plantas com Greening, que permite à planta se desenvolver normalmente. Isso quer dizer que se já existe uma pesquisa, que já tem uma solução, por que eu tenho que arrancar meu pomar? O Secretário disse que vai alertar a equipe nos Estados Unidos pra saber melhor sobre esse coquetel.”

Fundicitrus: “O governo do Estado fez um convênio com a Fundicitrus para fazer a inspeção  nos pomares, caso encontre focos de Greening, irão comunicar ao Escritório de Defesa Agropecuária (EDA). Pedimos ao secretário para cancelar esse contrato, pois cremos que essa entidade (Fundicitrus) não tem um número representativo de citricultores e eles agem a mando da indústria. Citricultor algum recebeu visita de pesquisadores da Fundicitrus trazendo a explicação de algum melhoramento ou um manejo que pudesse ser aplicado nos pomares”.

CATI: “Com o cancelamento do convênio com a Fundicitrus queremos incentivar a CATI  a voltar a fazer extensão rural. É um órgão do governo do Estado, capaz de fazer visitas nas propriedades produtoras de citros e levantar dados reais sobre a produção de laranjas. Os dados fornecidos ultimamente pela CATI são baseados em produções históricas e estão completamente desatualizados.  A indústria é a única que tem os dados da produção de laranjas, porque ela visita as propriedades do Estado de SP, mas ela não entrega pra ninguém”.

Preços baixos: “Acredito que o consumo externo de suco de laranja tenha diminuído e a produção aqui esteja alta. Por esse motivo a indústria não vai mexer no preço. Mas eu não tenho os dados reais. Nos Estados Unidos tem um instituto sério, que pesquisa a produção e o resultado bate em cima”.

Variação cambial: “Diante de nossas críticas sobre a política que o Banco Central manipula, quando há ameaça de valorização do real, João Sampaio nos disse que o Serra está empenhado em combater essa atual política do governo Lula. Na safra passada a indústria pagou o dólar com uma cotação média de R$2,00”.

Prazos: “Na reunião com o secretário fomos firmes para que ele tome  atitudes para fortalecer nosso setor imediatamente,  porque até o ano que vem o Greening já terá tomado conta de tudo, e não vai dar tempo de fazer mais nada. Deixamos com o secretário uma cópia com o resumo das reivindicações e ele prometeu nos responder nos próximos 30 dias”.

 

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