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O Programa Estadual de Microbacias Hidrográficas (PEMH) foi lançado de forma abrangente desde 2002 e veio encontrando, ao longo dos anos, a realidade peculiar de cada região paulista.
Esse Programa Estadual é financiado pelo Banco Mundial e executado pela CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral), presente nos mais de 600 municípios paulistas. Na cidade onde existe o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural, são seus membros quem escolhe a área agrícola do município onde devem ser realizadas as benfeitorias e incentivos do Programa Estadual de Microbacias Hidrográficas.
Em Limeira, o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural, cujos membros são ligados a sindicato, prefeitura, instituições e empresas privadas, através de alguns parâmetros (área degradada, número agricultores familiares, etc.) indicaram quais localidades se enquadravam no Programa de Microbacias.
Isto posto, iniciou-se a microbacia da “Águas da Serra”, próximo ao bairro Nossa Senhora das Dores, rodovia Bandeirantes e estação de tratamento de esgoto “Águas da Serra”.
Barreiro Alto
Porém, há quatro anos, uma outra região foi indicada para o Programa de Microbacias, no bairro Água Espraiada, a microbacia do “Barreiro Alto ”. Nesse local os moradores, cerca de 30 famílias, foram convidados pelos técnicos da CATI para assistirem a uma palestra sobre o significado do Programa Estadual de Microbacias.
Luiz Barbosa e Leandro Paes, presentes naquela reunião, lembram-se que foi prometida uma ajuda, inclusive financeira, para a construção de fossa séptica, poço artesiano, cerca nas propriedades, calcários e implementos. Luiz Barbosa conta que passados quatro anos “não vi nada de concreto. Eu vejo que a CATI tem boas intenções no papel, mas é muita burocracia e pouca ação. É algo que vem de cima para baixo. Depois de preencher um monte de papelada, meu primo conseguiu calcário para aplicação no pomar, mas quase que não chegou no tempo certo. Nem sei se ele teve que pagar e depois foi reembolsado”. Leandro Paes disse que “por enquanto, eles só fizeram as bacias de captação de água, algumas reuniões e os curso no centro comunitário”. Luiz acha que “existe coisa mais importante que curso de sabão”. Leandro continua contando que “desde 2004 foi falado em arrumar calcário, fazer fossa, poço e disso não veio nada. Participei de duas reuniões, uma em Piracicaba e outra em Limeira, para montar uma associação, mas nada foi feito e tá tudo parado”.
Cursos de Capacitação
Outra moradora da microbacia do “Barreiro Farto” é a Sra. Geralda Paes que sempre participa dos eventos na comunidade. Ela também participou da reunião e contou que naquele dia “vieram uma moça e um moço que não sabiam ligar o notebook. Quando é assim tem que trazer uma pessoa que sabe, né? Mas daí falaram da microbacia, da água, que tem que preservar a água, que está acabando a água. O moço também falou sobre a instalação de poço. Só que, se muita gente pedisse o poço, ia ter que fazer uma programação, cheia de documentação, que iria levar dois anos para começar o primeiro poço e ainda tínhamos que pagar. Perguntei como ele tinha coragem de oferecer um poço desses? Sobre o calcário, se tivesse muitos pedidos, ele também não daria conta de atender. Olha, deu tudo em nada”, relata dona Geralda Paes. Perguntamos a ela sobre o que achou dos cursos ministrados pela CATI no centro comunitário. “Ah! Foi bom. Teve de bolo, de sabão, a comunidade se uniu. Mas se o objetivo era fazer os cursos e ganhar dinheiro, ninguém tá ganhando”, disse. Perguntada se espera algum curso que aumente a renda da propriedade e se estaria disposta a abrir um negócio; ela diz: “Eu queria o derivado de leite. Aprender a fazer mussarela. Mas não vou abrir nada. É só pra gente da família”. Sobre o que a senhora viu e ouviu do Programa Estadual de Microbacias, qual seria a necessidade para o seu bairro? “Um posto policial, que aumente a nossa segurança”, finaliza dona Geralda Paes.
Motivação
A questão do poço artesiano contemplada pelo Programa de Microbacias, segundo relato de Luiz Barbosa que diz ter assinado um “papel”, com mais quatro vizinhos, reivindicando um poço, até agora nenhuma resposta foi dada. Disse ainda, que não pegou nenhum protocolo referente a esse pedido.
Pelas palavras de dona Geralda Paes e outros moradores, entendemos que o começo da tranquilidade para o produtor rural está na segurança de seu lar, de sua família e de seus bens. A motivação não se resume em um bom programa datilografado, promessas de cercas, poço, fossa e outros itens básicos. É preciso creditar esse trabalhador, com ações realmente práticas, pois a impressão que ficou para eles é que tudo não passou de uma artimanha política. Leia a entrevista com o Diretor técnico do EDR de Limeira ...
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